Corte nos juros tem que chegar ao tomador final

Conjuntura / 07 Dezembro 2017

Fiesp defende ações para baixar spread e elevar investimentos

É preciso que a queda dos juros chegue ao tomador final, para aumentar o consumo e o investimento, levando à geração de empregos, defendeu o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, após a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do BC de reduzir a taxa Selic em meio ponto percentual, para 7%.
Em nota, a Fiesp afirmou que “o BC e o Ministério da Fazenda precisam agir para aumentar o crédito e reduzir o spread bancário, barateando a tomada de financiamentos”. Skaf acredita que a “inflação está baixa e sob controle, deixando espaço para reduções adicionais em 2018”.
Roque Pellizzaro Junior, presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), concorda que “a trajetória de queda da inflação justifica novos cortes, ainda que em ritmo menor”. Ele disse que o ritmo ainda lento do crescimento também favoreceu a queda dos juros, mas vê incertezas em 2018 devido às eleições, o que pode fazer o Banco Central interromper o ciclo de queda.
Com a redução, a Selic atinge o menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, anteriormente o nível mais baixo da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.
No período, a economia caiu em uma das mais profundas recessões da história brasileira. Somente em outubro do ano passado o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia. Nos 12 meses encerrados em setembro passado, o país economizou R$ 59,9 bilhões.
Apesar do corte, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom havia reduzido a Selic em um ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 em outubro e 0,5 nesta quarta-feira. Em nota, o BC informou que a inflação está se comportando como o esperado e indicou que pode continuar a cortar os juros básicos na próxima reunião do Copom, no fim de janeiro.