Coreias: pesadelo do Armagedom nuclear leva a negociação

Internacional / 12 Janeiro 2018

Pyongyang – A Coreia do Norte foi pela primeira vez usada como fator de negociação pelos EUA e a União Soviética (URSS) para a divisão, meio a meio, da Península Coreana na época da Guerra Fria, divisão oficializada com a demarcação da Zona Desmilitarizada (DMZ) que separou, definitivamente, as duas Coreias. Seus vizinhos são a norte a Rússia e a China, a leste o Mar do Japão, a oeste a Bacia da Península Coreana e ao sul a Coreia do Sul.

A Coreia do Norte é denominada, oficialmente, República Popular Democrática da Coreia e é um dos últimos países socialistas cujo regime segue à risca a linha política marxista-leninista, a começar com partido político único – Partido dos Trabalhadores da Coreia – e seu Poder Legislativo é exercido pela Suprema Assembleia Popular.

 

População do sul e do norte

deseja reunificação dos dois países

 

Já o Poder Executivo é exercido pessoalmente por Kim Jong-um, primeiro-secretário do Partido dos Trabalhadores, que detém, ainda, os cargos de presidente da Comissão de Defesa Nacional, comandante supremo do Exército do Povo Coreano, presidente da Comissão Militar Central, presidente eterno da República da Coreia e líder supremo.

Frequentemente, os veículos de comunicação do Ocidente arriscam-se a divulgar uma possibilidade de eclosão de um conflito entre EUA e Coreia do Norte e comparam a atual crise dos mísseis coreanos com a Crise dos Mísseis de Cuba. Paralelamente, a Coreia do Norte tem realizado sucessivos testes detonando bombas nucleares, enquanto, simultaneamente, realiza lançamentos de mísseis de diversos calibres e várias capacidades de carga explosiva. Entretanto, a atual crise intensificou-se desde o dia do lançamento de um míssil balístico intercontinental com capacidade de atingir o território dos EUA.

 

Quinto maior do mundo

 

Recentemente, o Exército da Coreia do Norte exibiu um filme documentário revelando o poder militar de seu arsenal de guerra. Seu Exército é o quinto maior do mundo – com 10 milhões de soldados em suas fileiras, milhares de tanques, outros veículos blindados, milhares de lançadores de morteiros, além força aérea e, há alguns dias, o Governo da Coreia do Norte anunciou que está preparado “para atacar um dos quatro porta-aviões norte-americanos que estão navegando na região fora das águas territoriais norte-coreanas”.

Em várias ocasiões registraram-se ameaças de confrontação entre as duas Coreias, mas tudo não passou de agressões verbais e bravatas recíprocas. É óbvio, contudo, que, na realidade, as duas desejam a unificação, porém, cada uma deseja impor-se sobre a outra, o que é considerado apenas um sonho e nada mais. Entretanto, o poderio nuclear e balístico da Coreia do Norte é considerado uma ameaça constante, tanto para seus vizinhos Coreia do Sul e Japão, quanto e, principalmente, os EUA.

Frequentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, vocifera ameaças contra a Coreia do Norte e organiza desfiles de seus porta-aviões nucleares nas águas do Mar do Japão, enquanto o presidente da Coreia do Norte realiza um lançamento de míssil balístico intercontinental apenas para “esfriar os ânimos” e proclama que seu país arma-se para defender-se apenas, o que não deixa de ser verdade.

De resto, Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, é uma megalópole de arranha-céus, e seus disciplinados moradores aguardam, pacientemente, a solução desta “queda de braço” com os EUA para se reunificarem com seus compatriotas do sul.

 

Lee Wong

Sucursal do Sudeste Asiático da Latino-americana de Notícias.