Copom deve manter Selic em 4,25% pelo menos no primeiro semestre

Coronavírus cria incerteza em todo o cenário macroeconômico que pode colocar a autoridade monetária no modo de espera.

Opinião do Analista / 12:48 - 13 de fev de 2020

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Nossa expectativa - Não esperamos cortes adicionais nas próximas reuniões com base no tom desta ata do Copom e do comunicado divulgado na semana passada, também porque avaliamos que o nível de 4,25% é adequado neste momento para contribuir com a recuperação econômica em curso e manter a expectativa de inflação ancorada à meta. Além disso, as incertezas vindas do exterior (coronavírus e o ritmo do crescimento econômico global) podem adicionar pressão para um Real mais fraco e, ao mesmo tempo, impactar negativamente a atividade econômica, reforçando assim um baixo repasse de câmbio à inflação.

O Copom deve manter a taxa de juros em 4,25% pelo menos durante o primeiro semestre de 2020. O período em que a taxa Selic pode se manter nesse nível ainda não está claro. O surto de coronavírus introduz incerteza em todo o cenário macroeconômico que pode colocar a autoridade monetária no modo de espera para avaliar melhor o impacto dessa nova variável, bem como os efeitos defasados da política monetária na atividade econômica. Além disso, os membros do Copom mencionaram que a capacidade ociosa da economia pode ser menor do que a capturada pelos métodos tradicionais, embora a dinâmica do núcleo da inflação sugira que ela ainda seja excessiva. De fato, há espaço para a inflação aumentar sem comprometer a meta de inflação.

É claro: não podemos descartar a possibilidade de cortes adicionais em caso de atividade econômica mais fraca do que o esperado e de revisão descendente das expectativas de inflação do mercado.

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Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc. (MUFG)

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