Advertisement

COP24

A manifestação de intenções deve ser seguida de metas voluntarias de cortes de emissões e de disponibilização de recursos

Empresa-Cidadã / 21 Dezembro 2018

Da COP 24, recentemente realizada em Katowice (Polônia), pode-se afirmar que foi concluída com relativo sucesso, apurado pelo esforço de negociadores de 196 países para implementar o Acordo de Paris.

Segundo Michal Kurtyka, o presidente da COP 24, “podemos nos orgulhar, não estivemos só produzindo textos ou defendendo interesses nacionais. Estamos conscientes da nossa responsabilidade com o planeta, nossa casa e casa das gerações que virão depois de nós. Em Katowice, muitos chefes de estado, de governos e cerca de 100 ministros de meio ambiente e de relações exteriores de todo mundo estiveram presentes. Graças ao consenso alcançado pelas partes, Katowice tornou-se, junto a Kyoto e Paris, outro marco no caminho de uma política climática global e sustentável.”

– “Posso falar bem alto agora, que interesses de todas as partes foram considerados de forma honesta e sustentável, mas o mais importante é que o impacto será positivo. Graças a isso, demos um grande passo no sentido de atingir as metas do Acordo de Paris. Graças a quê nossas crianças olharão para o passado e verão que os pais delas tomaram as decisões corretas no momento histórico preciso”.

Afora o otimismo do presidente da COP 24, há opiniões que consideram a cúpula frustrada pela pouca ambição dos compromissos firmados, a ponto de deixar a dúvida sobre a possibilidade de conciliar interesses nacionais e proteção ao ambiente global.

Contextualizando, a COP 24 estava na sequência da COP 22, quando foi assinado o Acordo de Paris. Este Acordo representa o compromisso voluntário de 194 países em cortar emissões para se chegar a uma redução no aquecimento global. Pelo Acordo, o aquecimento não deverá ultrapassar 2º C, até o final deste século, sob pena de catastróficas previsões de mudanças climáticas, na hipótese de fracasso. Apenas os EUA negligenciaram o Acordo, ao não ratificá-lo.

A manifestação de intenções no Acordo deve ser seguida do estabelecimento de metas voluntarias de cortes de emissões e de disponibilização de recursos, para que os países mais pobres possam alcançá-las. Isto, a COP 23, realizada em 2017, na Alemanha, não chegou a conseguir. E agora, a COP 24, na Polônia, também não. Em 2019, será realizada a COP 25, no Chile, ante a renúncia do Brasil, a pedido do presidente eleito. Nova oportunidade de afastar o risco do caos.

 

Enquanto isso, no planeta Brasil...

Ricardo de Aquino Salles (43 anos), administrador e advogado formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, filiado ao partido Novo, foi secretário particular do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (de 2013 2014) e secretário de estado do Meio Ambiente de São Paulo (de 2016 a 2017). Em 2006, fundou o ultraconservador Movimento Endireita Brasil, parceiro do não menos conservador Instituto Milleniun.

Ricardo Salles foi apresentado como futuro ministro do Meio Ambiente pelo presidente eleito J. Bolsonaro. Nesta quarta-feira (19/12), Ricardo Salles foi condenado pelo juiz Fausto José Martins Seabra por improbidade administrativa, com consequente suspensão dos direitos políticos por três anos, e o pagamento de multa, além de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Cabe recurso da condenação.

 

O inimigo dorme na sua geladeira...

Uma substância chamada Bisfenol A, também conhecida como BPA é utilizada na fabricação de plásticos de policarbonato e resinas epóxi, empregado em vasilhames para guardar alimentos, garrafas de água e de refrigerantes, bem como em latas de alimentos em conserva.

Quando estes recipientes são colocados no micro-ondas ou quando recebem alimentos quentes, o bisfenol A contido no plástico impregna o alimento, sendo ingerido juntamente com ele. O bisfenol A também está presente em brinquedos de plástico, cosméticos e papel térmico. O consumo excessivo da substância tem sido associado ao risco maior de doenças como câncer de mama e de próstata.

Não basta ser orgânico… Para ser saudável, a embalagem também tem que ser s-a-u-d-á-v-e-l. A embalagem também tem que participar para a ingestão saudável de alimentos. E a principal aliada da embalagem saudável é a rotulagem. A rotulagem auxilia na identificação dos produtos que contém bisfenol A. No símbolo dos produtos de plástico reciclável, a presença dos algarismos 3 ou 7 indicam que o material foi produzido com o emprego do bisfenol A.

Ele poderá ser encontrado em mamadeiras, pratos, embalagens plásticas, CDs, brinquedos, eletrodomésticos e outros. Para prevenir danos à saúde, a quantidade máxima a ser ingerida de bisfenol A é de 4 mcg/kg por dia (4 microgramas por quilo por dia). A média diária de consumo observado em bebês e crianças é de 0,875mcg/kg. Em adultos, a média observada é de 0,388mcg/kg. Significa que o estágio atual é de prevenção e não de alarme.

Quer algumas dicas para prevenir a exposição ao bisfenol A? É só enviar um e-mail para paulomm@paulomm.pro.br

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br