Cooperação Sul-Americana - XXII

Opinião / 14:48 - 29 de jun de 2000

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Uma obra importante para a cooperação Sul-Americana é a ligação da Bacia do Prata com a Bacia Amazônica. Uma questão a ser resolvida é a que resulta das 22 séries de quedas de água no rio Madeira entre Porto Velho e Guajará Mirim, algo que se dá em um trecho de 483 quilômetros. É viável tornar este trecho navegável mediante a construção de canais, de eclusas e da remoção de rochas. Além desta obra, que obrigatoriamente tem de ser realizada, e que tem claras vantagens energéticas, existem duas opções para se proceder a ligação da Bacia do Prata com a Bacia Amazônica A primeira e mais conhecida seria a conexão mediante um canal, em território brasileiro, da ligação entre os rios Guaporé e Paraguai, mediante seus respectivos afluentes, os rios Alegre e Aguapé. Esta conexão tem certa preferência pelo seu tamanho, cerca de 30 km, pela presença do Lago Rebeca e dos pântanos que o rodeiam o que poderia vir a facilitar a construção do canal. Outra possibilidade seria a construção de um canal através dos pântanos que ligam as nascentes dos rios Arinos e Cuiabá, que correm respectivamente para a Bacia Amazônica e do Prata. Esta obra se processaria nas fraldas da Serra dos Parecis no Brasil. Ambas soluções requereriam a solução do problema das corredeiras dos rios Madeira e Mamoré. A solução seria a formação de um lago pela barragem conjunta das águas dos rios Mamoré e Guaporé e promover a ligação deste lago por um canal com o rio Paraguai, de maneira a promover o saneamento de uma região pantanosa e insalubre entre os dois rios citados e promover a irrigação e ou a drenagem dos territórios do sul da Bolívia. A idéia proposta seria a de represar os rios perto de Guajará-Mirim, elevando as águas de forma a cobrir o divisor de águas entre a as bacias. A partir desta barragem poder-se-ia fazer uma pequena elevação das águas da barragem até o rio Grande, passando por Santa Cruz, de onde a água escorregaria por gravidade mediante um canal até o Rio Bermejo, afluente do rio Paraguai, para posterior distribuição para irrigação. Em razão de perda de território daí decorrente esta é uma proposta merecedora de estudos mais aprofundados. Outras obras deveriam ser conduzidas na Bacia do Prata. A primeira das obras a serem concluídas é a da completa navegação em grande parte da bacia. Para tanto, de início ênfase deverá ser concedida no sentido de retificar e balizar o trecho entre a cidade brasileira de Cáceres, no estado de Mato Grosso, e a foz do rio da Prata, com uma extensão de 3.422 km, o que incluirá, também, cerca de 1600 km de vias navegáveis tributárias. No âmbito do Mercosul realizaram-se trabalhos que estimaram a necessidade de US$ 500 milhões para a instalação neste trecho de uma lucrativa navegação de comboio de chatas. Requerendo maiores estudos e detalhamento é possível o total aproveitamento da bacia, o que abrirá dezenas de milhões de hectares para a atividade agrícola. Para tanto, sugere-se o estudo e a construção: i) de uma série de grandes barragens para conter a água, gerar energia elétrica, drenar pântanos e impedir inundações; ii) de eclusas em especial nos rios Paraná e Paraguai que possibilitarão o acréscimo de 4.500 Km de vias navegáveis ao complexo anteriormente mencionado; e iii) de um sistema de bombas no rio Paraná e de um sistema de canais para levar-se água para a irrigação de terras semi-áridas e férteis junto a cordilheira dos Andes e no Grande Chaco. Existem planos para a construção de uma séria de barragens ao longo do rio Paraná em sua parte baixa, como Chapeton (3.000 Mw), Corpus (4.000 Mw) e Pati (3.300 Mw). Além destas barragens existe uma grande depressão no estado de Corrientes, na Argentina, conhecida como Laguna Iberá, que facilmente pode-se converter em um grande lago. A questão que se coloca é que a Bacia do Paraná recebe, na época das cheias, uma enorme quantidade de água impossível de ser capturada por meio de barragens. Com o uso da depressão poder-se-ia aproveitar muito mais este excedente de água. Mediante pequenos canais o excesso de água ainda poderia vir a ser desviado até o rio Uruguai. Na parte deste rio da bacia poderão ser construídas ainda outras barragens: San Pedro (745 Mw), Roncador (2.800 Mw) e Garabi (2.200 Mw). A área da bacia ocidental da bacia platina é semi-árida e compreende o Grande Chaco no sudeste da Bolívia e nordeste do Paraguai, indo até a região central da Argentina não recebe a quantidade adequada de chuvas para a agricultura intensiva. De todos os projetos concebidos o que mais foi detalhado é o canal de Bermejo. Se construiria desde o sul da Bolívia um canal paralelo ao rio Bermejo até sua foz no rio Paraná, de modo a se criar um sistema hidroviário de transporte eficiente entre a Bolívia e o Atlântico além de criar as condições para a irrigação em ambas as margens do canal. Ainda também concebeu-se a proposta de criar uma série de canais que saindo do rio Bermejo se dirigem para o sul, de forma a levar água às regiões secas, desde Salta até Neuquem na Argentina. Darc Costa Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e Membro do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL.

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