Cooperação Sul-Americana - XX

Opinião / 14:16 - 27 de jun de 2000

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A América do Sul utiliza-se muito pouco de seu sistema hidrográfico como via de transporte. Excetuado o pouco trânsito de cargas existentes na Bacia do Paraná e na Bacia Amazônica, pouco se desloca, pelo meio hídrico, no interior da região. Com a base hidrográfica que possui, esta pouca utilização de suas águas internas é um enorme desperdício. É bom lembrar que água é um bem cada vez mais estratégico. Talvez, no futuro, o recurso de maior relevância para a América do Sul. Esta região, habitada por 6% da população mundial conta com 14% do território total do planeta detém 28% do volume de água doce corrente de todo o mundo. A quantidade de água aqui existente por hectare é o dobro da média mundial e mais de quatro vezes a média mundial per capita. Esta água escoa sem grande utilização, pois a América do Sul, dos espaços mundiais, é um dos que menos utiliza as facilidades da irrigação para a agricultura. Portanto, é importante pensar-se em realizar aqui grandes obras de irrigação. Torna-se fundamental, para o barateamento do deslocamento de cargas na região e para a integração física do continente sul-americano, a união das Bacias do Orinoco, do Amazonas e do Paraná. Montar-se ia desta forma um amplo sistema hidroviário em todo o interior do continente que ligaria Ciudad Guayana, na Venezuela, com a cidade de Buenos Aires, na Argentina. A maior parte do sistema pretendido (cerca de 6.800 km, de um total de 10.100 km) já é plenamente navegável por barcaças de até seis metros de calado. As obras previstas são obras hidráulicas relativamente menores, como a dragagem superficial, a ampliação e o aprofundamento de canais para torná-los navegáveis em um total estimado de 2.400 km.. A esta rota de cerca de 10.000 km que surgirá da união das três bacias existe um potencial de cerca de 100.000 km de vias navegáveis articulado a este possível complexo hidroviário. Daremos destaque a seguir e em próximos artigos a um conjunto de grandes obras de infra-estrutura destinados a promover a solução de várias questões vinculadas a questão estratégica da água e a promover a integração física do continente. O semi-árido do Nordeste brasileiro, ao contrário das áreas semi-áridas de outros países, não se caracteriza pela ausência quase que completa de chuvas. Entretanto, para ele tanto a seca como as chuvas representam um grave problema; se não chove, os cursos de água desaparecem, tornando a terra improdutiva; quando chove, estes mesmos cursos de água tudo danificam na sua avassaladora passagem. Objetiva-se com esta ação a regularização das vazões dos cursos de água da região buscando o desaparecimento dos efeitos desastrosos atuais tanto das secas como das enchentes que assolam a região. As áreas de interesse da ação são as situadas nas bacias hidrográficas dos rios: a) Tocantins e, em particular, pela sua margem direita, as bacias do Rio Sono/Balsas e Manuel Alves; b) São Francisco, em especial a área abrangida pela seu trecho médio; c) Parnaíba, com destaque para as bacias de seus afluentes e do Balsas, Gurgéia, Itaveiras, Piauí/Canindé e Poti; d) Jaguaribe/Salgado; e) Apodi/Carmo; f) Piranhas/Açu; g) Acaraú (Ceará); e h) Vaza-Barris e Itapicuru na Bahia; A precipitação média na região é de 700 mm/ano, extremamente irregular, como já mencionado, sendo efemeramente armazenada em decorrência de sua irregularidade, da intensa evaporação na região, e das características do solo, quase todo de substrato cristalino. Segue a vazão média dos principais rios na região: 1) O São Francisco, praticamente regularizado, apresenta uma vazão média de 2.700m3/s, em Petrolina; 2) O Tocantins, ainda não regularizado a montante de Tucuruí, tem, à altura da cidade de Carolina, uma vazão média de 3.900m3/s; 3) O Parnaíba tem uma vazão média de 420 m3/s. A regulação proposta envolve a construção de uma série de barragens e outras obras de arte em engenharia. O plano em tela envolve também um amplo programa de irrigação e a utilização paralela dos grandes depósitos de água subterrânea existentes na região. Darc Costa Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e Membro do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL.

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