Cooperação Sul-Americana - VIII

Opinião / 14:19 - 7 de jun de 2000

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A tabela abaixo compara cifras de densidade energética, densidade demográfica e PIB por quilômetro quadrado de países da América do Sul e de várias nações do setor industrializado. O quadro mostra uma estreita correlação entre o consumo de energia comercial e o PIB, quando medidos por quilômetro quadrado. Energia, PI B e demografia Diversos países 1995 Energia per capita (TCE*) Energia por km2 (TCE*) Densidade demográfica. (hab por km2) PIB por km2 (em dólares} Argentina 2,1 26,7 11,0 50,4 Brasil 1,1 20,4 18,3 80,8 Colômbia 1,1 34,4 35,0 51,0 Chile 1,1 20,0 16,4 59,0 México 1,9 88,3 48,5 79,0 Peru 0,8 14,1 18,0 27,0 Venezuela 3,3 81,3 25,0 95,0 Coréia do Sul 1,7 743,0 480,0 1130,0 Espanha 2,7 204,3 75,7 552,0 Itália 3,6 674,2 188,8 1.432,9 França 5,0 499,4 99,8 1245,0 Alemanha 6,0 1466,4 243,3 2.822,8 Japão 4,3 1421,7 338,0 4.112,4 EUA 10,2 285,9 28,0 542,7 dados que correlacionam energia, população e PIB . Isso certamente não deve se constituir numa grande surpresa, pois a energia por quilômetro quadrado reflete a densidade da indústria e a intensidade da atividade agrícola. Incrementando-se estas, certamente estar-se-á criando as condições necessárias para erradicar-se a pobreza. Desenvolvimento é energia. Aumentando a produção de energia a densidade da indústria e a intensidade da atividade agrícola, começaremos a aproximarmo-nos dos níveis de desenvolvimento da Europa Ocidental. Para isto, teremos que obter a inversão de capital necessária. Contudo, o problema que nos parece mais grave é encontrar o número de pessoas capacitadas adequadamente para levar a cabo o programa de industrialização que se deseja. Os parâmetros demográficos e da força de trabalho exigidos para o desenvolvimento econômico sadios são dois: a) Observando-se as regiões desenvolvidas industrialmente do planeta conclui-se, empiricamente, que para apoiar as inversões em infra-estrutura e fornecer força de trabalho e mercados para a produção industrial, requer-se uma densidade demográfica mínima de aproximadamente 50 habitantes por quilômetro quadrado; e b) O desenvolvimento industrial causa a alteração da composição interna da força de trabalho, resultando da liberação gradual do excedente de força de trabalho agrícola que se cria, ao dotar o campo de equipamento e tecnologia, para criar emprego primordialmente na indústria.. Ao leitor, muito provavelmente condicionado de antemão pela onipresente propaganda contra o crescimento demográfico, será muito mais fácil aceitar esta dupla premissa se acostumar a conceber a população humana não como uma coletividade de consumidores mas sim como de produtores. Olhar os homens como produtores e não como consumidores é a base de qualquer doutrina econômica que busque colocar a natureza a serviço do homem, algo que se opõe, claramente, a visão liberal que prega implicitamente o vice-versa. Os produtores se valem de formas específicas de tecnologia para produção, e o aproveitamento eficiente da referida tecnologia resulta de determinado nível de educação em determinada escala de produção e numa dada divisão de trabalho. A tecnologia é que atribui a cada categoria de emprego a quantidade mínima de operários que se exige. Atendendo as referidas considerações, pode-se definir uma "massa crítica", quer dizer, que tamanho absoluto de população e de força de trabalho são necessários para proporcionar o nível de desenvolvimento econômico geral exigido para as empresas agrícolas e industriais. Só a densidade demográfica não garantirá o crescimento econômico viável, como se demonstra nos casos de muitos países asiáticos. Contudo, uma densidade demográfica adequada é condição absolutamente indispensável para sustentar a industrialização, seja em toda a extensão de um país pequeno, ou em grandes centros ou regiões de países grandes. Países grandes como o Canadá e a Austrália conseguiram industrializar-se concentrando suas limitadas populações em poucas áreas, relativamente densas, ao mesmo tempo em que aplicaram métodos agrícolas de alta mecanização e a inversão de capital em larga escala em suas extensas terras agrícolas. A Suécia, pode consegui-lo, em primeiro lugar, porque sua pequena população se concentra junto à sua fronteira sul, onde funciona como extensão das densas concentrações demográficas do norte da Europa. Os Estados Unidos se industrializaram ao longo de dois eixos densamente povoados, e construíram uma extensa rede ferroviária para tornar possível a agricultura com inversão de capital em grande escala nas regiões de menor densidade demográfica. Somos de opinião que nenhum país carente de assentamentos de grande densidade jamais conseguiu o verdadeiro desenvolvimento industrial sustentado. A razão disto é óbvia. A revolução industrial criou a capacidade de produzir em grande escala um número cada vez maior de produtos manufaturados dos mais variados projetos e especializações. Para fabricá-los, eficientemente, se requer um mercado regional sempre maior, que permita lotes de fabricação suficientemente grandes para realizar economias de escala. Esta tem sido a principal justificativa econômica para o avanço da regionalização e das criaturas que daí resultam: os megaestados. Quanto mais densa a população circundante, maior é o mercado potencial, supondo-se que a população tenha capacidade de compra suficiente. Ao lado da densidade de população, indubitavelmente, um assunto crucial é a construção de infra-estrutura de transporte, para fazer chegar os bens ao mercado, mas, quanto mais densa for a população, relativamente mais barato é o custo de construção desta infra-estrutura por unidade de bens transportados. Darc Costa Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e Membro do Conselho Editorial do Monitor Mercantil .

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