Cooperação Sul Americana - III

Opinião / 15:13 - 31 de mai de 2000

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Diferentemente da Europa ou da América do Norte, o continente sul-americano é um continente onde a doutrina econômica prevalecente tem de ser a doutrina do desenvolvimento. A América do Sul tem de se voltar para transformar seu potencial em poder. Os padrões de desenvolvimento econômico e social do Brasil e dos demais países da América do Sul são profundamente desiguais, tanto entre si, como dentro de seus próprios territórios. No Brasil e nas demais nações, uma menor parte da população vive e trabalha em condições comparáveis aos dos países centrais. Entretanto, tanto no Brasil, como nas demais nações, a maior parte da população pobre e das zonas rurais vive em condições de produtividade e de rendimento muito atrasadas. Os dois principais problemas com que se defronta no continente sul-americano, na busca do desenvolvimento, são: a) criar uma ligação econômica permanente entre os diversos setores da economia, que produza uma adequada alocação do excedente econômico entre os centros urbanos e a área rural; e b) proporcionar emprego produtivo para o grande número de desempregados já existentes e atender, anualmente, a grande massa de jovens que ingressa no mercado de trabalho; Em tais condições, a base para montar uma economia dinâmica é, em primeiro lugar, se construir uma ampla infra-estrutura econômica de grande escala, e, além disso, garantir preços justos, protegidos, para os produtores, de tal forma, que se constitua, em paralelo, um mercado para a tecnologia e os produtos desenvolvidos, internamente, algo que, numa espiral virtuosa, promoverá a produtividade geral da economia. Nesta visão, deve-se dar ênfase a incentivar e a proteger o segmento industrial, com base num contexto de ampliação generalizado de bens industriais empregados na construção de infra-estrutura e no desenvolvimento da produtividade agrícola e no desenvolvimento de uma sociedade de massa. Especial atenção, portanto, deverá ser concedida ao parque instalado, produtor de bens de capitais, em especial, os formadores de novas plantas industriais e fundamentais na construção de infra-estrutura. O que se deve destacar é que o mercado comum proposto representa, atualmente, uma população de mais de trezentos milhões de pessoas e que nenhuma nação a não ser o Brasil tem força de trabalho suficiente adestrada, no momento, para manter uma ampla gama de indústria de bens de capital. Considerando-se que a receita média da maior parte da população, em toda América do Sul, é bastante baixa, existe uma clara limitação de renda ao projeto pretendido. Apesar disto, o mercado regional, em sua totalidade, já tem uma massa crítica que justifica e garante a expansão crescente do parque implantado de bens de capital na região, desde que se invista, no desenvolvimento econômico, parcelas crescentes do somatório das poupanças nacionais. A elevação da taxa de formação bruta de capital é uma necessidade para a região. Em conjunto, ao já mencionados desenvolvimentos do setor de infra-estrutura e do setor agrícola, existe a falta de um desenvolvimento adequado da força de trabalho, como um todo, tanto no Brasil, como nos demais países da América do Sul. As principais deficiências a corrigir estão centradas na área social, ou seja. na educação, na nutrição, na assistência médica, na saúde e na higiene. Para a educação, o modelo a ser seguido no Brasil e nos demais países da América do Sul, tanto na educação de base, como na educação superior, não pode fugir dos parâmetros alemães, aqueles traçados por Schiller, por Humboldt, e por Bismack, ou tal como propôs, recentemente, o governo japonês no seu programa para a educação no Japão, no século XXI. A educação primária e secundária deverão dar prioridade à cultura clássica e a capacitação pré-científica, para que não faltem, na América do Sul, às próximas gerações, a capacitação requeridas pelas novas tecnologias. Importância especial deverá ser concedida no ensino superior às ciências e ao conhecimento e ensino científico. Darc Costa Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e Membro do Conselho Editorial do Monitor Mercantil

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