COOPERAÇÃO SUL AMERICANA(XVIII)

Opinião / 12:45 - 30 de jun de 2000

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

(*) Darc Costa Além das rodovias a serem construídas no mesmo traçado das ferrovias apontadas nos dois artigos anteriores, um conjunto novo de auto-estradas deverá ser construído. Dentre estas merece especial destaque pela sua urgência uma via rodoviária que ligue o Brasil ao Pacífico. É importante colocar que houve e haverá uma séria oposição internacional à concretização deste projeto já que uma saída brasileira para o Pacífico, acompanhada pelo desenvolvimento pretendido da infra-estrutura no interior da região sul americana, debilitaria o predomínio completo que os estadunidenses tem nos fluxos de comércio que ligam o Hemisfério Ocidental à Ásia. As alternativas estudadas tem seu centro de articulação na fronteira entre o Brasil e a Bolívia. Cinco seriam as alternativas mais estudadas, duas mistas rodo-hidroviária: a) A ligação rodoviária Porto Velho/ Guajará Mirim, dai por hidrovia ( Rios Mamoré e Ichilo) até Puerto Villarroel, na Bolívia, um trecho de 1.300 km. Daí , por ligação rodoviária para Arica passando por Cochabamba; b) Ligação hidroviária aproveitando conexões a serem construídas entre as Bacias do Madeira e Mamoré(vide outras observações sobre esta obra na parte referente a grandes obras hidráulicas ou transporte hidroviário que faremos em próximos artigos), o que permitiria o entroncamento de cargas na cidade de Cáceres, em Mato Grosso, com a hidrovia Paraná-Paraguai, o eixo do desenvolvimento da Bacia do Prata; e três ,exclusivamente, rodoviárias: c)de Rio Branco até Cruzeiro do Sul, no extremo noroeste do Acre, caminhando, em seguida, a cidade peruana de Pucalpa e cruzando os Andes em direção à costa do Pacífico até o porto de Callao; d)de Rio Branco até Inapari, no Peru, de onde passaria por Arequipa, daí bifurcando-se para os portos de Matarani e Ilo; e e) a proposta apresentada recentemente no Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES) pelo engenheiro Marcos Ribeiro Dantas e motivo de ampla divulgação nos meios especializados. Todavia, qualquer que venha a ser a alternativa a ser adotada permitiria tanto a saída brasileira para o Pacífico como o acesso peruano a diversas cidades brasileiras e ao Oceano Atlântico. As rodovias devem ser vistas como a base que articulará o novo sistema de transporte na América do Sul. Pretende-se que a carga a ser transportada por rodovias não tenha a sua distância média superior a 300 km. Será necessário, portanto, estruturar-se um grande conjunto de estações de baldeação, munidos de amplos depósitos de armazenagem. Outro ponto relevante é a utilização maciça de "containers" para o transporte das das cargas. Os armazéns devem ser de dois tipos: os especializados ao tipo de carga e destinados a regular estoques e prover ligações entre diferentes modalidades de carga e os vocacionados ao abastecimento urbano, que deverão ser dotados de instalações que facilitem a distribuição de bens nas cidades. Para tanto, deve-se buscar prover as cidades de faixas preferenciais para o trânsito de cargas de centros comerciais providos com espaços subterrâneos para a carga e descarga de mercadorias. A ação rodoviária a ser empreendida envolverá grandes recursos. A construção dos troncos viários exigirá a construção de vias expressas com 4 ou seis pistas de alta velocidades. Além disto, dever-se-á prover de rodovias toda a zona de fronteira agrícola que engloba todo o centro do continente. Grandes desafios de engenharia terão de ser vencidos, como os referentes, por exemplo, a construção de estradas em clima tropical com alta precipitação de chuvas, as diversas travessias pretendidas dos Andes, etc. Ou seja, será necessário desenvolver novas técnicas e métodos especiais. É de fundamental relevância entender que muito será necessário investir-se ainda na infra-estrutura rodoviária. As rodovias são de mais fácil implantação que as ferrovias, o que conduz a que, de início, todo o esforço de articulação da região deva ser suportado por este modo de transporte. (*) Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e Membro do Conselho Editorial do Monitor Mercantil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor