Conteúdos ilegais continuam proliferando na internet brasileira

Entidade do setor removeu mais de 22 mil conteúdos ilegais no primeiro trimestre de 2019, 9% a mais ante mesmo período de 2018.

Informática / 12:59 - 29 de mai de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A Associação Brasileira de Empresas de Softwares (Abes) divulgou os dados do monitoramento de internet do primeiro trimestre de 2019, que contabilizaram um total de 22.197 conteúdos ilegais removidos da internet - 9% a mais que o mesmo período em 2018. A ação de monitoramento da Abes, que ocorre desde 2005, tem o objetivo de rastrear na internet ofertas irregulares dos programas das companhias associadas à entidade.

De acordo com os dados do monitoramento, todos os tipos de conteúdo ilegal analisados (anúncios, links e sites) aumentaram no período analisado. "Nos últimos meses, o Mercado Livre atualizou de forma radical o seu sistema de PPPI (Programa de Proteção à Propriedade Intelectual), do qual a Abes é membro desde sua criação. Com as mudanças implementadas, conseguimos identificar e denunciar vários produtos piratas de uma só vez, otimizando em muito o nosso trabalho de pesquisa. Além disso, agora também é possível monitorar produtos e perfis no site, facilitando a identificação de casos reincidentes", explica Rodolfo Fücher, presidente da Abes.

A associação foi responsável por detectar 42 sites que violavam o Direito Autoral de Programas de Computador e remover 28 deles no primeiro trimestre de 2019, apresentando um aumento de 90,91% e 100%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado. A quantidade de anúncios derrubados também cresceu significativamente (16,61%), chegando aos 12 mil no primeiro trimestre deste ano, em oposição aos 10 mil, no mesmo período em 2018.

A menor taxa de crescimento foi a de links removidos, com apenas 1,49%. Isso se deve ao fato da entidade ter recebido no período um número maior de denúncias para remoção de anúncios e websites do que de links.

A associação já conseguiu derrubar mais 650 mil conteúdos ilegais na internet desde a criação da campanha de monitoramento, em 2005, quando o índice de pirataria de software no Brasil era de 64%. Atualmente, este índice está em 46%, de acordo com pesquisa da BSA | The Software Alliance. "É um trabalho lento, que demanda horas de pesquisa e monitoramento para identificar qualquer movimento online que viole o Direito Autoral de Programas de Computador. No entanto, esse trabalho tem se tornado cada vez mais rápido e eficiente graças ao auxílio de sistemas como o PPPI do Mercado Livre e denúncias feitas por nossos associados", afirma Fücher.

A entidade reforça a importância de os consumidores ficarem atentos a ofertas muito vantajosas na internet. "Mesmo em sites conhecidos, quando o consumidor encontra uma oferta com valores atrativos e muito discrepantes do comum é melhor desconfiar, porque além de não funcionar em sua totalidade, o software ilegal ainda pode vir carregado com vírus", alerta o presidente da entidade.

 

Fraude rouba dados de mais de 2,3 milhões de cartões

Recentemente, a equipe de Threat Intelligence da Tempest identificou uma campanha de malware direcionada à captura de dados de cartões de pagamento transacionados em sistemas de ponto de venda (PDV) em computadores de estabelecimentos comerciais (também conhecidos como TEFs). Essa campanha chamou a atenção pela alta volumetria de dados de cartões capturados, ainda que apresentando baixo nível de sofisticação técnica.

Head de Threat Intelligence da Tempest, Ricardo Ulisses diz que foi possível identificar 8 servidores que serviam de repositório das informações capturadas pelo malware.

"Analisando estes servidores, entendemos que esta operação era controlada por, ao menos, 10 operadores diferentes que capturaram mais de 2,3 milhões de informações de cartões de crédito e débito, em pelo menos 2.600 sistemas em estabelecimentos comerciais em todo Brasil", explica.

A empresa ressalta que, até o momento, não há indícios de que os cartões roubados foram usados em fraudes ou que vazaram em outros canais. Assim que identificou esta campanha, a Tempest conduziu um processo no qual reportou a ameaça a bancos, entidades de classe e outros membros da comunidade de segurança de modo que essas instituições pudessem tomar as medidas cabíveis em relação aos cartões e mitigar fraudes antes da divulgação do relatório.

"Nenhum dos malwares identificados nesta campanha utiliza técnicas que dificultem sua análise ou detecção por software antivírus, e já são detectados. Apesar disso, a Tempest está colaborando e compartilhando informações com parceiros de empresas de antivírus", afirma Ulisses.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor