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Consumidor aceita cartão de crédito mesmo sem precisar

Conjuntura / 12 Setembro 2018

Ao receber contato de instituições ou empresas oferecendo cartões, quatro em cada dez brasileiros dizem sim; 15% aceitam somente se tiver isenção de anuidade, e outros 15%, se de fato precisarem, enquanto 7% apenas porque gostam de ter crédito disponível, e 3% acabam contratando sem sequer avaliar sua real necessidade.

Já o percentual dos que aceitam propostas de instituições para aumentar o limite de cheque especial é de 37%. Quando recebem ofertas de bancos para limite maior do cheque ou crédito extra, 19% concordam apenas se houver necessidade, 14% para ter “crédito disponível caso precisem”, e 4% aceitam a proposta sem avaliar se precisam. No entanto, 32% dispensam a oferta por afirmar não existir necessidade de crédito – especialmente os homens (36%) e consumidores com mais de 55 anos (52%).

Os dados são de pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Entre os consumidores que recorreram ao crediário no último ano, 58% já ficaram negativados por atrasar prestações. Aqueles que usaram cartão de crédito, o percentual de negativados por não pagarem a fatura chega a 48%. O cheque especial, com 30%, foi a modalidade que menos deixou quem utiliza o serviço com nome sujo.

O levantamento mostra também que parte dos usuários costuma analisar as tarifas e os juros praticados ao fazer um financiamento (71%) ou contrair um empréstimo (70%). Porém, 45% ignoram as taxas do cheque especial e 30% reconhecem que não avaliam os encargos do cartão de crédito na hora de aceitar uma proposta.

Difícil de pagar

Ao serem questionados sobre quais gastos controlam entre as modalidades utilizadas, 85% afirmam que ficam de olho no cheque pré-datado, 77% nas parcelas do financiamento, e 75% do empréstimo. Ao mesmo tempo, o crediário (31%) e o cartão de crédito (30%) são os instrumentos que têm menor atenção.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti (foto ao lado), o mau uso do crédito pode tornar a dívida difícil de pagar, principalmente diante de uma economia ainda em lenta recuperação. “Em uma sociedade voltada ao consumo, em que se incentiva a compra de bens muitas vezes desnecessários, o crédito fácil por meio de pequenas prestações e prazos a perder de vista surge como catalisador para o endividamento. Por essa razão, o consumidor precisa se conscientizar de que fazer um controle de suas finanças é essencial”, analisa.

A pesquisa – que abrangeu 910 consumidores maiores de 18 anos de todas as regiões brasileiras – mostra ainda que o cartão de crédito lidera o ranking dos instrumentos de crédito mais utilizados no último ano, com 67% das menções. Em segundo lugar surge o crediário, como carnês, boletos e cartões de loja (27%). Na sequência aparecem o limite do cheque especial (17%), o empréstimo consignado em bancos (14%) e o empréstimo pessoal em bancos (12%).