Conselho da Usiminas afasta CEO Rômel de Souza, dizem fontes

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O conselho de administração da Usiminas mudou nesta quinta-feira o comando da companhia pela segunda vez em um ano, ao afastar o presidente-executivo e promover Sérgio Leite, da diretoria comercial, para o comando da produtora de aço, afirmaram três fontes com conhecimento do assunto. Por maioria de votos, o conselho de 11 membros da Usiminas afastou o executivo Rômel Erwin de Souza da presidência, em mais um capítulo da disputa pelo controle da companhia travada pelos grupos Techint e Nippon Steel desde 2014. Souza é defendido pelo grupo japonês enquanto Leite é apoiado pelo grupo italiano. A votação desta quinta-feira teve apoio, além dos três conselheiros indicados pela Techint, do conselheiro representante de minoritários e dos dois conselheiros aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A mudança na diretoria tem efeito imediato, disseram as fontes. A votação marcou uma repetição de resultado semelhante ocorrido em maio do ano passado, quando o conselho elegeu Leite para o lugar de Souza, em uma decisão que acabou sendo revertida na Justiça em outubro, após processo aberto pela Nippon Steel. Desta vez, o conselho da Usiminas afastou o executivo sob acusação de que ele fez um acordo que teria violado o estatuto social e regras de conformidade da Usiminas, afirmou uma das fontes com conhecimento do assunto. Não foi possível contatar Souza para comentar. A Usiminas não pode se manifestar de imediato. O acordo refere-se a um memorando de entendimentos não vinculante assinado por Souza em 2016 sobre o uso de recursos em excesso do caixa da Mineração Usiminas (Musa), uma subsidiária do grupo siderúrgico que tem como sócia a também japonesa Sumitomo Corporation. Nippon Steel e Sumitomo Corp são entidades independentes. O acordo assinado por Souza e Wilfred Brujin, presidente da Musa, foi redigido sem a permissão do conselho de administração da siderúrgica. Souza também é presidente do conselho de administração da Musa. O memorando de entendimento definia que a Usiminas deveria garantir à Musa o mesmo montante de margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) que a mineradora obtinha antes da decisão que paralisou as áreas primárias da siderúrgica em Cubatão, e que fez o volume de minério de ferro produzido pela Musa e consumido pela Usiminas cair de 4 milhões de toneladas por ano para 2,5 milhões de toneladas. Tanto Nippon Steel quanto Techint não comentaram o assunto. Fonte: Reuters

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