Confiança do consumidor paulista atinge nova mínima histórica, aponta Associação Comercial

São Paulo / 12:18 - 7 de abr de 2016

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Em março de 2016, a confiança do consumidor paulista bateu novo recorde histórico de baixa e marcou 57 pontos, três a menos em relação a fevereiro. É o que aponta o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Foi o menor valor desde que o INC começou a ser feito, em 2005. A escala do INC vai de zero a 200 pontos. O intervalo entre zero e 100 pontos representa o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o campo do otimismo. Em janeiro e fevereiro de 2016, o INC do Estado de SP já havia chegado a uma mínima histórica, com 60 pontos em ambos os meses. Já há um ano (março/2015), a confiança dos paulistas era de 104 pontos. - São Paulo sofre mais porque o setor industrial tem sido o mais castigado: o estado é o maior centro industrial do país - avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). A confiança do consumidor brasileiro também está nos patamares mais baixos da série histórica e marcou 73 pontos em março - três a menos do que em fevereiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o número representa um forte recuo de 44 pontos (em março de 2015 o INC marcou 117 pontos). O pior resultado da série histórica foi em novembro de 2015, com 72 pontos. Encomendada pela ACSP ao Instituto Ipsos, a pesquisa foi feita em todas as regiões brasileiras, por meio de entrevistas domiciliares, entre os dias 13 e 30 de março. Para o presidente da ACSP, não é possível prever como o INC vai se comportar nos próximos meses. - As vendas se deterioraram no primeiro trimestre, embora o INC esteja estabilizado desde outubro de 2015 na casa dos 70 pontos, sugerindo que, na opinião dos consumidores brasileiros, a economia não deve melhorar nem piorar no curto prazo. É importante destacar que há uma grande incerteza no campo político-institucional que deixa tudo muito nebuloso - diz Alencar Burti. Em março, a confiança do consumidor da região Norte/Centro-oeste foi de 76 pontos, contra 79 em fevereiro e 134 há um ano. No Nordeste, o INC marcou 88 pontos, sobre 91 em fevereiro e 126 há um ano. A confiança no Sudeste foi de 65 pontos, uma queda de cinco pontos ante fevereiro. Esse recuo um pouco mais elevado em relação às outras regiões se deve provavelmente ao aumento do desemprego, já que a região abrange três das principais áreas metropolitanas do País. Já em março do ano passado o INC do Sudeste foi de 107 pontos. O Nordeste é a região menos pessimista, com 88 pontos em março sobre 91 no mês anterior. Há um ano, o índice registrou 126 pontos na região. A classe A/B continuou a mais pessimista em março, com um índice de confiança de 60 pontos (63 em fevereiro e 97 há um ano). Na classe C, o INC também caiu, marcando 74 pontos em março contra 77 em fevereiro. Em março de 2015 o resultado foi de 123 pontos. Por fim, na classe D/E o indicador registrou 85 pontos em março: dois a menos sobre fevereiro e 121 há um ano. O INC foi elaborado pelo Instituto Ipsos a partir de 1,2 mil entrevistas domiciliares em 72 municípios, por amostra representativa da população brasileira de áreas urbanas (Censo 2010 e PNAD 2013), com seleção probabilística de locais de entrevista e cotas de escolha do entrevistado, ambas baseadas em dados oficiais do IBGE. A margem de erro da pesquisa é de três pontos. Despenca confiança dos executivos brasileiros com a economia Os executivos brasileiros estão bastante pessimistas com os rumos que a economia do país deve tomar neste ano. É o que revela o Mapa de Perspectivas Econômicas e Profissionais 2016, desenvolvido pelo PageGroup. De acordo com o estudo, 15% apostavam no aumento da taxa de desemprego em 2012. Neste ano, 76% acreditam nessa possibilidade. Além do aumento da taxa de desemprego, os executivos brasileiros mostram ceticismo com o PIB e taxa básica de juros. No segundo ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, 15% acreditavam na queda do PIB. Neste ano, 88% confiam numa queda ainda maior ou manutenção do mesmo nível do ano passado. O aumento da taxa básica de juros era esperado por 12% em 2012. Agora, 59% acreditam que a taxa terá novas escaladas. Para Patrick Hollard, diretor-executivo do PageGroup para as Américas, África e Oriente Médio, os resultados refletidos na pesquisa estão ligados diretamente com a queda da atividade econômica. - Os executivos mostram uma certa preocupação com o cenário econômico neste ano. Mostram-se preocupados com os principais indicadores e atentos com a crise. Apesar do momento, ainda há espaço para novas contratações e oportunidade para crescer em alguns mercados e setores. O momento também é apropriado para as empresas reverem seus processos e isso passa pela substituição de alguns profissionais que não tem o perfil que o momento exige - avalia. Participaram do levantamento, realizado de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, 6.222 executivos que ocupam cargos de alta gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. Os executivos do Brasil estão mais preocupados com a taxa de desemprego e PIB do que seus colegas consultados da América Latina. Para 76% dos brasileiros, o índice de emprego deve piorar neste ano enquanto 51% dos latino-americanos acreditam na mesma possibilidade. Sobre a piora do PIB, 62% esperam que isso aconteça no Brasil ante 34% no restante da América Latina. A taxa básica de juros e o dólar trazem mais desconforto aos latino-americanos. Somam 59% os que apostam no aumento da taxa básica de juros na América Latina. No Brasil, esse aumento é esperado por 52%. O aumento da cotação do dólar também traz preocupação para 60% dos executivos latinos. Em terras brasileiras, 47% acreditam nesse aumento. Como a confiança do empresariado na economia está abalada, os investimentos também estão em sobreaviso. Dados da pesquisa mostram que quase a metade dos executivos do Brasil (49%) pretendem investir menos em relação a 2015. Na América Latina , o cenário é inverso: 36% pretendem investir mais do que o ano anterior. O foco dos investimentos, segundo os executivos nacionais e latino-americanos, será em projetos de aumento de produtividade (31%), estratégia de negócios (20% - canal de venda, descontos, promoções e projetos de cooperação). Foram citados também expansão da operação (15%) e tecnologia da informação (13%). A crise também reflete no mercado de trabalho. A pesquisa do PageGroup aponta que apenas duas em cada 10 empresas nacionais pretendem expandir o seu quadro de funcionários. Contudo, 72% dos entrevistados afirmaram que não haverá redução de postos de trabalho. Na América Latina, esse índice de contratação está mais favorável. Pouco mais de 1/3 (37%) das companhias pretendem contratar neste ano. E 80% informaram que não vão reduzir o quadro de funcionários. Apesar dos indicadores econômicos não serem favoráveis ao mercado, a confiança dos executivos em uma recolocação se mantém em alta. Do total consultado, 12% estão desempregados, e deste universo, 70% estão confiantes ou muito confiantes para conseguir uma oportunidade de trabalho nos próximos seis meses. Na América Latina, este índice é 79%. Dos profissionais consultados na pesquisa, 49% são de empresas multinacionais e 51% de companhias locais e ocupam postos de observação privilegiados. Desse total, 27% atuam em companhias com faturamento superior a US$ 1 bilhão, 13% em empresas com faturamento até US$ 1 bilhão, 21% em empresas com faturamento de até US$ 500 milhões e, por fim, 39% estão alocados em empresas com faturamento de até US$ 100 milhões. Hierarquicamente estão divididos em CEO ou diretor geral (9%), vice-presidentes (10%), diretores (10%), gerentes executivos (21%), gerentes (39%) e outros cargos (16%).

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