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Conab divulga estimativa de café: produção de 50,92 milhões de sacas

Segundo levantamento, colheita já foi iniciada e esta produção mantém-se como a maior dentro do período de bienalidade negativa.

Conjuntura / 16 Maio 2019 - 13:27

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O Brasil caminha para colher uma safra de 50,92 milhões de sacas de café beneficiado em 2019, somando-se as espécies arábica e conilon. É o que mostra a 2ª estimativa para o produto, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgada hoje em Brasília. O resultado representa uma redução de 17,4% em relação a 2018. O recuo é devido à bienalidade negativa nos cafezais, um fenômeno natural que ocorre com a cultura e faz com que sua produtividade seja maior em um ano e menor no ano seguinte. No entanto, o Brasil segue como principal produtor mundial e maior exportador da cultura.

De acordo com o levantamento, a colheita já foi iniciada e esta produção mantém-se como a maior dentro do período de bienalidade negativa. O café arábica, que representa uma produção de 72% do total e é mais influenciado pela bienalidade, deve alcançar 36,98 milhões de sacas, uma redução de 22,1% em comparação à temporada anterior. Já a produção de conilon está estimada em 13,94 milhões de sacas, uma diminuição de 1,7% em relação a 2018. No caso do conilon, esta projeção deve-se principalmente à expectativa de redução de produção na Bahia e em Minas Gerais, que diminuíram área e apresentam menores estimativas de produtividades médias, e no Espírito Santo, que também diminuiu a produtividade devido ao clima.

A área total cultivada no país com as duas espécies totaliza 2,16 milhões de hectares. Deste total, 14,8% estão em formação e 85% em produção. Na safra atual, a área em produção foi reduzida em 1,1%, enquanto a área em formação aumentou 8,7%. Segundo o estudo, por se tratar de uma safra de bienalidade negativa, os produtores aproveitam para realizar tratos culturais nas lavouras e, consequentemente, diminuir a área em produção.

Hoje, o diretor geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Manuel Otero, expressou preocupação pelo desabamento dos preços internacionais do café e alertou sobre suas consequências econômicas, sociais e produtivas negativas, particularmente nos países em que o café é um cultivo relevante por sua participação nas exportações e na geração de emprego.

A atual conjuntura de preços, que afeta mais de 80 países produtores de café no mundo e, especialmente, as famílias dedicadas à cafeicultura, tem um efeito amplamente negativo, com uma diminuição considerável do uso de tecnologias e insumos agrícolas, o que por sua vez resulta em uma aplicação insuficiente das boas práticas na gestão integrada das plantações.

No mundo, hoje existem cerca de 25 milhões de famílias produtoras do grão que não conseguiram cobrir os custos de produção, enfrentar as dívidas, sustentar os níveis de emprego nem realizar o cultivo com os investimentos mínimos em manejo agrícola, o que provocaria o aumento das pragas e quedas nos níveis de produtividade.

Em 2018, o preço médio de uma libra de café arábica (o de maior qualidade) foi de US$ 1,01, frente a menos de US$ 0,95 em abril deste ano, quando atingiu a média mensal mais baixa desde julho de 2006.

A persistência das perspectivas negativas e a limitada resposta ante esses cenários contribuem para debilitar a resiliência das famílias rurais que vivem da produção de café, indicou o Diretor Geral do IICA.

"Trata-se de um cenário em que nenhuma atividade agrícola é rentável e, portanto, não permite assegurar a produção sustentável do café. Isso provoca um maior endividamento dos produtores e gera um alto fluxo de migrantes das zonas rurais para os centros urbanos e para outros países em busca de melhores oportunidades", afirmou Otero, que dirige o organismo hemisférico especializado em agricultura e desenvolvimento rural.

Nesse papel, conclamou a cadeia agroindustrial do café, o setor privado e os governos a que se comprometam na busca de soluções rápidas e de longo prazo.

"O setor requer a ativação de mecanismos que promovam um comércio mais equitativo, que assegurem o aumento da rentabilidade da cafeicultura a partir de uma maior receita para os produtores e que sejam acompanhados por alternativas de diversificação produtiva responsáveis, que contribuam para mitigar os impactos da volatilidade dos preços do café, gerem receitas e melhorem a segurança alimentar e nutricional dos milhões de produtores de café no mundo e, muito especialmente, na América Latina e no Caribe", explicou o Diretor Geral do IICA.

Os baixos preços internacionais são sentidos particularmente no México, na América Central, no Panamá, na Colômbia, no Peru, no Equador, na Bolívia, na República Dominicana e na Jamaica, além de no Brasil, países nos quais cerca de 14 milhões de pessoas estão relacionadas à produção e comercialização do grão.

O café representa mais de um terço das exportações da Colômbia e de Honduras, por isso o declínio do preço teve grande impacto no emprego e nas receitas, impulsionando as migrações. Ante esses efeitos, produtores de 35 países da África e da América Latina têm exortado a indústria para aumentar os preços de compra e evitar, assim, "uma crise humanitária", instando, além disso, a uma ação internacional coordenada.

Nessa direção, contribuindo para aumentar a rentabilidade do sistema de produção de café, o IICA, utilizando recursos da União Europeia e em apoio a seus países membros, trabalha em conjunto com a institucionalidade cafeeira de diversos países, investindo grandes esforços voltados a fortalecer processos de transformação produtiva e a inovação.

 

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