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Como querer ser gente grande assim?

A falta de investimentos condena a economia brasileiro ao crescimento medíocre. Este será mais um ano assim. Do lado da...

Conversa de Mercado / 15 Junho 2018

A falta de investimentos condena a economia brasileiro ao crescimento medíocre. Este será mais um ano assim. Do lado da indústria, falta demanda para que os investimentos ocorram, mas do lado da infraestrutura sobram projetos necessários, vide a greve dos caminhoneiros e a paralisação do país. Nos últimos 15 anos, o valor investido em infraestrutura correspondeu a apenas 2% do PIB, o que somente cobriu a depreciação do capital. Segundo a consultoria Oliver Wyman, seria necessário duplicar o investimento em infraestrutura pelos próximos 25 anos para atingir a universalização dos serviços básicos com o mínimo de qualidade.

Hoje, o Brasil possui um estoque total de infraestrutura nos setores de saneamento, transportes, energia e telecomunicações de 36% do PIB, enquanto estima-se que a universalização requer um estoque de 60%. O resultado vem de anos de políticas públicas equivocadas, em que o estado, hoje falido, arcou com os custos dos investimentos em infraestrutura e, diante da crise fiscal, isso não é mais possível.

O modelo de investimento estatal mascarou os problemas como deficiências e disfunções na legislação brasileira, regulação e forma de contratação. Essas questões aumentam o risco e o custo dos projetos e têm gerado incentivos perversos que afetam a qualidade dos serviços ofertados à população. O pouco que temos investido é gasto em projetos caros e de baixo retorno para a população”, explica o relatório da consultoria Oliver Wyman.

O ano de 2017 foi o pior resultado da história do país (R$ 87 bilhões). Somente para cobrir a depreciação dos ativos atuais, teriam sido necessários R$ 91 bilhões, segundo o relatório “Quanto precisamos investir até 2038?”, elaborado pelo projeto infra2038. Enquanto o percentual de investimento do Brasil em infraestrutura foi de 1,7% do PIB em 2017 e, em 2018, deva ser ainda menor, a média mundial é de 5%.

Como resultado deste cenário, o Brasil é atualmente a nona maior economia do mundo, porém ocupa a 73ª posição no ranking de qualidade de infraestrutura do Fórum Econômico Mundial. O setor de transportes apresenta o maior déficit e requer uma taxa de investimento 131% maior que a observada entre 2011 e 2016 para atingir o investimento alvo de 2% do PIB e cobrir um déficit equivalente a 14% do PIB em 25 anos. A rede de logística do Brasil é ineficiente em comparação com a de outros países em desenvolvimento como China, Chile, Índia e África do Sul. Isso se deve principalmente ao uso excessivo de rodovias em detrimento de outros modais de transporte mais baratos e eficientes, como ferrovias ou hidrovias.

Tal situação tira a competitividade da indústria brasileira, até mesmo em setores consolidados, como o agronegócio. De acordo com estudo da Confederação Nacional do Transporte, as más condições das rodovias, por exemplo, deixam o transporte de soja e milho R$ 3,8 bilhões mais caro. “Comparando com EUA e China, países de tamanho similar, os problemas do Brasil se destacam: temos cerca de 200 vezes menos estradas pavimentadas do que os EUA e a nossa rede ferroviária tem apenas 10% do tamanho da dos EUA e da China”, destaca a Oliver Wyman.

O momento é de pensar em criar um ambiente de negócios favorável ao investimento privado e que estimule a alocação eficiente de recursos como o caminho para gerar um fluxo crescente de recursos para o desenvolvimento sustentável do setor. O setor de infraestrutura tem demanda e também há recursos para investimentos. O que falta é a confiança do investidor privado.

“Se há confiança na economia, na política e na regulação, dinheiro não é o problema. Existe dinheiro. Ele está dentro do país financiando a dívida pública. O problema é a insegurança em aplicar nos projetos de infraestrutura”, destacou o Wilson Nigri, da consultoria Cwist, em entrevista à Revista RI. O especialista tem razão: em abril deste ano, a Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), em circulação no mercado nacional, somava R$ 3,524 trilhões. Em 2017, a infraestrutura recebeu um aporte de menos de R$ 90 bilhões e a maior parte foi de investimentos públicos.

 Ana Borges 

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