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Comércio internacional terá menor crescimento este ano

​​​​​​​Burocracia aduaneira prejudica exportações brasileiras.

Negócios Internacionais / 22:09 - 08 de Abr de 2019

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A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que o comércio internacional vai crescer menos este ano do que em 2018. Segundo relatório divulgado na última terça-feira pela instituição, a perspectiva de avanço em 2019 é de 2,6%, contra 3% no ano passado, desempenho que já havia ficado abaixo das expectativas. Em 2020, o crescimento pode voltar ao patamar de 3%, se ocorrer uma diminuição das tensões que rondam o setor.

Com as tensões no comércio em alta, ninguém deveria ficar surpreso com estas perspectivas”, disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo (foto), segundo comunicado da entidade. “Estimativas de consenso preveem que o crescimento do PIB mundial vai cair de 2,9% em 2018 para 2,6% em 2019 e 2020”, diz o relatório.

Em 2018, o comércio mundial foi afetado por fatores como a adoção por países de novas taxas de importação, medidas retaliatórias, crescimento econômico fraco, volatilidade no mercado financeiro e aperto fiscal em nações desenvolvidas. O desempenho foi frustrante especialmente no quarto trimestre, quando houve uma queda de 0,3% nos negócios.

Em termos nominais, as exportações mundiais de bens somaram US$ 19,48 trilhões em 2018, um aumento de 10% sobre 2017. Este avanço foi influenciado em parte pelo aumento do preço do petróleo, de cerca de 20%.

As exportações brasileiras cresceram no mesmo ritmo (10%), para US$ 240 bilhões, mas, mesmo assim, o país caiu da 26ª para a 27ª posição no ranking dos principais países exportadores, sendo superado pelo Vietnã.

Burocracia aduaneira prejudica exportações brasileiras

A adesão dos países latino-americanos e caribenhos ao ATA Carnet é decisiva para a facilitação e a ampliação do comércio regional. Atualmente, Brasil, México e o Chile são os únicos países da região que aderiram à convenção internacional do ATA Carnet, documento aduaneiro que simplifica e acelera o desembaraço de importações e exportações temporárias, como a remessa de produtos para exibição em feiras e exposições, amostras para eventuais compradores no exterior, brindes ou equipamentos profissionais e esportivos.

A redução da burocracia aduaneira é importante para aumentar as exportações e as importações e promover o crescimento econômico de todos os países da região”, disse o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, nesta quinta-feira, 4 de abril, em Porto Alegre.

A adesão ao ATA Carnet alinha o país às regras internacionais de comércio”, completou Abijaodi, durante a reunião entre embaixadores e representantes de 15 países com dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação da Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) e de empresas gaúchas, que discutiu as oportunidades de adesão às convenções internacionais de facilitação de comércio. O vice-presidente da FIERGS, Cezar Müller, convidou os países da América Latina e do Caribe a aderirem ao ATA Carnet. “É importante para facilitar o comércio na região”, destacou Müller.

Atualmente, 78 países aceitam o documento. Suíça, Alemanha e Estados Unidos são os que mais emitem ATA Carnet no mundo. Cada um emite, em média, mais de 25 mil documentos ao ano, número muito acima do registrado no Brasil. Desde novembro de 2016, o Brasil emitiu 482 documentos, para amparar exportações temporárias, especialmente para Estados Unidos, Rússia, Alemanha e França. No Brasil, o ATA Carnet é emitido pela CNI em parceria com as federações estaduais de indústrias.

No México, que aderiu ao ATA Carnet em 2011, o documento estimulos as exportações e ajudou o país a atrair grandes eventos internacionais, como shows musicais e competições como a Fórmula 1. Além disso, foi decisivo para o desenvolvimento tecnológico do país, pois facilitou o intercâmbio de equipamentos e produtos para pesquisas em diversas áreas, disse o encarregado de Assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada do México no Brasil, Marco Antonio Sánchez.

No Brasil, as empresas também contabilizam os ganhos com o ATA Carnet. O diretor da produtora de vídeo Pironauta, Frederico Mendina, contou que, em 2017, a empresa foi gravar um filme na Croácia. Levou uma equipe de 15 pessoas e US$ 150 mil em equipamentos.

Queda em vendas de petróleo afeta balança comercial fluminense

A balança comercial do estado do Rio nos dois primeiros meses do ano foi impactada pela queda no preço internacional do barril do petróleo, principal item da pauta exportadora fluminense, e também pela desaceleração da economia mundial. Esses são alguns fatores que podem ter influenciado o resultado acumulado em janeiro e fevereiro, quando o estado registrou saldo comercial negativo de US$ 245 milhões.

É o que aponta a edição de março do Rio Exporta, boletim de comércio exterior elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em 2018, o estado atingiu recorde histórico da corrente comercial, que totalizou US$ 53,7 bilhões, obtendo superávit de US$ 5,7 bilhões.

Neste início de 2019, até fevereiro, as exportações diminuíram 13%, ficando em US$ 3,8 bilhões, enquanto as importações aumentaram 4%, somando US$ 4 bilhões. Assim, o cenário foi deficitário, devido à diminuição de 26% nas vendas externas de petróleo.

Entretanto, as exportações de outros produtos aumentaram 12%. O resultado gerou uma corrente de comércio 5% menor que o mesmo período do ano passado. Já a representatividade do estado no comércio exterior do Brasil correspondeu a 12%.

Especialista em Comércio Exterior da Divisão Internacional da Firjan, Flávia Cristina Lima Alves destaca os setores com aumento nas exportações, como outros equipamentos de transporte (partes de motores e turbinas para aviação), coque e produtos derivados de petróleo, além de máquinas e equipamentos.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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