Varejo do Rio espera melhoria de vendas com FGTS e PIS/Pasep

Lojistas acreditam que iniciativa pode aumentar as vendas no mês de setembro, às vésperas do último trimestre, considerado o melhor do ano.

Rio de Janeiro / 11:20 - 12 de set de 2019

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O comércio carioca está animado com as duas medidas implementadas pelo Governo Federal, que podem estimular as vendas: a liberação do saque de R$ 500 do FGTS a partir de 13 de setembro e das cotas do PIS-Pasep no dia 18 do mesmo mês, que devem injetar na economia, segundo o governo, mais de R$ 60 bilhões.

De acordo com o Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio), o efeito dessas duas medidas vai melhorar o desempenho das vendas do comércio carioca, que vem registrando resultados negativos mês a mês, culminando com um recuo de 3,6% no acumulado dos primeiros sete meses do ano (janeiro/julho) ante o mesmo período do ano passado.

Os lojistas acreditam que a iniciativa pode aumentar as vendas no mês de setembro, às vésperas do último trimestre (outubro/novembro/dezembro), considerado o melhor do ano, quando ocorre o Dia da Criança (12 de outubro) e o Natal, a grande data comemorativa do comércio, responsável por cerca de 30% do faturamento anual do setor.

Segundo Aldo Gonçalves, presidente do CDL-Rio, essas duas medidas vão movimentar a economia e o comércio, com certeza, será um dos grandes beneficiados.

"Essa iniciativa pode contribuir também para melhorar o desempenho do comércio da Cidade e do Estado do Rio de Janeiro, que atravessam uma de suas maiores crises, reflexo do quadro atual da economia local", diz Aldo, que lembra também que as vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro registraram queda de 3,9% em julho, em comparação com o mesmo mês de 2018. "Foi o sétimo mês consecutivo de resultado negativo (janeiro -3,2%, fevereiro -3,8%, março 4%, abril -3,6%, maio -3,1% e junho -3,8%) e no acumulado dos sete meses do ano (janeiro/julho) ante o mesmo período do ano passado a queda foi de 3,6%", conclui.

Segundo a Caixa Econômica Federal, serão liberados até R$ 28 bilhões em saques, ainda em 2019, e R$ 12 bilhões, em 2020, atingindo 96 milhões de trabalhadores. O mercado vê a liberação como positiva, principalmente por trazer um alívio momentâneo. Apesar disso, os agentes financeiros cobram mais medidas de longo prazo para destravar a economia brasileira, que ainda tem poucas previsões de crescimento.

O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, afirma que o principal favorecido com o aumento do consumo deve ser o varejo.

"Na liberação do FGTS, temos um estímulo muito pontual. A movimentação é um fator que estimula sazonalmente a economia, e quem ganha com isso são as empresas de varejo", diz. Em nota informativa o governo afirmou que os efeitos do saque devem ser sentidos principalmente na região Norte e Nordeste, apesar do Sudeste possuir um número maior de beneficiários. Dados do SPC indicam que 44% dos endividados no Nordeste têm débitos de até R$ 500. No Norte esse porcentual é de 42%. "Existem pesquisas apontando que a maioria das pessoas com o nome sujo pretendem limpar o nome para voltar a comprar. Isso afeta diretamente o consumo e impacta a economia, mas de forma moderada. Tanto é que o efeito previsto no PIB é muito pequeno", complementa Laatus.

Segundo Jefferson, os saques têm pouco efeito no PIB, porém significam um respiro para uma situação econômica delicada.

"O incremento de 0,2% no PIB é muito pouco perto do que a nossa economia precisa para acelerar, porém, todo estímulo é válido. Esses estímulos de curto prazo são pouco efetivos em destravar a economia. Mas é claro que já trazem um alívio".

De acordo com o estrategista-chefe, os efeitos das medidas de longo prazo ainda vão demorar a serem percebidos.

"O governo precisa começar a concretizar as medidas de longo prazo, basicamente é o que o Banco Central está fazendo de cortar juros, as privatizações, reformas, investimento em infraestrutura. O problema é que o país está em déficit fiscal, tentando aprovar as contas e é bem provável que a gente não tenha nada de mais impacto este ano. Então esse trabalho que o governo está fazendo para ajustar as contas vamos sentir o ano que vem", finaliza.

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