Colapso no mundo virtual das criptomoedas afetará liquidez do mundo real

Acredite se puder / 08 Fevereiro 2018

Na Europa, diariamente as autoridades estão alertando os investidores para os perigos que correm com as aplicações em moedas eletrônicas. Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu as classificou como “ativos muito arriscados”, que devem ser mantidos com prudência, nomeadamente por bancos. “As moedas virtuais estão sujeitas a grande volatilidade. O seu preço é completamente especulativo”, enfatizou. O BCE não constatou que os bancos detenham “reservas significativas desta moeda”, pela qual parecem mostrar “pouca apetência”, observou. Disse que as criptomoedas evoluem “num espaço que não está regulamentado” e que os bancos têm de ter em conta “um risco elevado”, sobretudo devido a grande volatilidade. Para Yves Mersch, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu, “se cada vez mais tivermos pontes entre o mundo virtual e o mundo real e se, depois houver um colapso no virtual, pode haver uma retirada de liquidez do mundo real”, disse Mersch numa entrevista em Frankfurt citada pela Bloomberg. “Isto então torna-se uma preocupação para o Banco Central”, acrescentou.

O membro da Comissão Executiva do BCE disse que é necessária “mais informação” sobre as moedas virtuais. “Para mim, devia-se obrigar as plataformas que não estão reguladas a reportar para diretórios as transações de uma forma harmonizada para que, assim, tivéssemos acesso à informação, também no sentido de criar uma resposta melhor”, adiantou. Nesta semana, o diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) apelou aos governos e reguladores para que tomem medidas no sentido de travar a propagação das criptomoedas para proteger os cidadãos e os investidores.

A Coreia do Sul se prepara para aprovar uma legislação banindo a negociação de moedas eletrônicas nas bolsas do país. Depois, a China deu mais um sinal de estar tentando controlar estas moedas, ao anunciar que vai bloquear o acesso a plataformas online e aplicações móveis que permitam a transação de criptomoedas. Porém, muito antes os chineses já mostravam preocupação, pois em setembro do ano passado, o Banco Central da China tinha informado ao mercado que as ofertas iniciais de moedas (initial coin offerings, ICO) eram ilegais e ordenou que todas as operações de captação de recursos fossem interrompidas imediatamente, tendo emitido novas regras sobre o tema. Andrey Kostin, do russo VTB Bank PJSC, em entrevista à Bloomberg, disse que o bitcoin é uma moeda “falsa” e que os governos não podem aceitar um mercado crescente de dinheiro que não é impresso por um país. E não vê “um grande futuro” para a moeda virtual. Acontece que existem investidores teimosos e, apesar dos alertas, querem perder dinheiro. Na quinta-feita, o bitcoin continuou subindo 5,56% para US$ 8.537,1133.

 

Fundo antecipa resgate de 5 bi de euros da Espanha

O fundo de resgate permanente da Zona Euro aponta que esta é a sétima vez que Espanha efetua um reembolso antecipado do empréstimo de 41,3 bilhões de euros que lhe foi concedido há seis anos, considerando que tal demonstra “o sucesso do país depois do programa” de assistência do MEE. Após este novo duplo reembolso, a dívida de Espanha para com o fundo de resgate desce para os 26.700 milhões de euros. A Espanha prevê pagar em 23 de fevereiro um primeiro reembolso de dois bilhões de euros e os restantes três bilhões em maio próximo.

 

O mal é das Caixas

A portuguesa Caixa Geral de Depósitos foi condenada, em tribunal, a multa de 140 mil euros. O montante aplicado pelo Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão teve uma redução de 35 mil euros face à penalidade aplicada pelo Banco de Portugal. Foram considerados 47 irregularidades cometidas entre 2010 e 2014. Enquanto isso, no Brasil, a Caixa Econômica Federal está dura e se fosse entidade privada já teria sido liquidada. Até agora, ninguém foi punido.

 

Receita do Mapfre chega a 27,9 bi de euros

O faturamento da Mapfre totalizou 27,9 bilhões de euros (R$ 101,6 bilhões) no ano passado, com um aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. Somente os prêmios de seguros superaram a cifra de 23,4 bilhões de euros (R$ 85,6 bilhões), com um crescimento anual de 2,9%. O resultado do grupo, de 701 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões), indica uma redução de 9,7%, impactado pelas catástrofes naturais ocorridas em 2017, que afetaram o grupo em 126 milhões de euros (R$ 458,8 milhões).