CNC eleva previsão do PIB de 2019 para 1,2%

Economista estima que a reação vai prosseguir, com evolução do nível de emprego e a continuidade dos estímulos da política monetária.

Conjuntura / 17:09 - 3 de dez de 2019

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No terceiro trimestre, Inflação baixa, maior demanda por crédito e estímulos à economia levaram o consumo das famílias a registrar maior alta em dois anos. Para 2020, projeção da CNC é de alta no PIB de 2,2%

Os dados das Contas Nacionais divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao terceiro trimestre, levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a revisar de +1,0% para +1,2% a expectativa em relação ao crescimento do PIB em 2019.

Para 2020, a projeção é de um avanço de 2,2%. A entidade projeta ainda que, no próximo ano, tanto o comércio (+3,2%), quanto o consumo de bens e serviços por parte das famílias (+2,9%) deverão seguir superando o ritmo médio de expansão da economia.

De acordo com os resultados apresentados pelo IBGE, a economia brasileira avançou, no terceiro trimestre, 0,6% em relação ao segundo trimestre deste ano, já descontados os efeitos sazonais. A taxa observada é a maior para um terceiro trimestre desde 2012 (+1,5%) e a mais elevada para qualquer período de três meses desde o primeiro trimestre de 2018 (+0,7%).

"A economia tem apresentado uma trajetória de recuperação gradual, mas sólida. Nossa expectativa é que ocorra uma aceleração no ritmo de crescimento nos próximos meses. O comércio, os serviços e o turismo terão, com certeza, um papel determinante no bom desempenho esperado para a economia brasileira em 2020", afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

O economista da Confederação Fabio Bentes estima que a reação vai prosseguir, com evolução do nível de emprego e a continuidade dos estímulos da política monetária. Porém, o nível de geração de riqueza observado antes da crise deverá ser retomado somente em 2021, ou seja, sete anos após o início da maior recessão da história. "Há 11 trimestres sem apresentar resultados negativos, o nível corrente de atividade ainda se encontra 3,0% abaixo daquele observado no final de 2014", observa Fabio Bentes.

O nível de atividade mais acelerado da economia no terceiro trimestre havia, de certa forma, sido antecipado pela evolução da ocupação formal. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de postos de trabalho celetista acumulado de julho a setembro (338 mil vagas) foi o maior para esse período desde 2013 (+489 mil). Outro termômetro relevante, o Índice de Atividade Econômica do Bacen (IBC-Br) já apontava também, para o melhor resultado do PIB em 2019 (+0,9% em relação ao segundo trimestre).

Dos 12 subsetores representados nas Contas Nacionais, o grande destaque do trimestre foi a indústria extrativa (+12,0%) em virtude do crescimento significativo da produção de petróleo e gás em plataformas do pré-sal. A indústria do petróleo corresponde a 65% da riqueza gerada pela indústria extrativa como um todo. Destacaram-se ainda a construção civil e a agropecuária (ambos +1,3%), além das atividades financeiras (+1,2%). Em seguida, sobressaiu o resultado do comércio (+1,1%) – atividade que, por conta das medidas de estímulo à economia adotadas terceiro trimestre, deverá contar com um incremento extraordinário de R$ 9,8 bilhões em suas receitas até o final do calendário de saques nas contas do FGTS.

Pela ótica das despesas, o crescimento foi puxado pela demanda interna, na medida em que as importações (+2,9%) caminharam na contramão das exportações (-2,8%). O consumo das famílias (+0,8%) – com os melhores três meses desde o terceiro trimestre de 2017 (+1,0%) – e a formação bruta de capital fixo com crescimento da produção interna de bens de capital, foram os responsáveis pelo crescimento observado. O consumo das famílias corresponde a aproximadamente 2/3 do PIB.

No comparativo com o mesmo período do ano passado, o PIB registrou avanço pelo décimo trimestre consecutivo, destacando-se, novamente, os investimentos (+2,9%) pelo lado das despesas e a construção civil sob a ótica da produção. Pela sexta vez nos últimos oito trimestres, o comércio (+2,4%) avançou em um ritmo mais forte que o do PIB.

Com esses resultados, a economia brasileira acumulou alta de 1,0% ante os nove primeiros meses de 2018 – desempenho ligeiramente inferior ao observado no mesmo período do ano passado (+1,3%). Como o ano de 2020 deverá continuar contando estímulos da política monetária, a expectativa predominante é de que a taxa básica de juros atinja no piso histórico no final do ano corrente (4,75% ano) e, novamente na maior parte do próximo ano (4,5%).

 

Para analista, não reflete recuperação total - A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, disse hoje que o crescimento do PIB no trimestre é uma recuperação em relação ao pior momento da economia do país, que foi no quarto trimestre de 2016, porém não é uma recuperação total.

"A gente está se recuperando, mas ainda em um nível, um patamar pré-crise. Ainda não tivemos a recuperação total para chegar no máximo de PIB que a gente teve, que foi no primeiro trimestre de 2014, mas também não estamos no pior patamar, no pior momento, que foi no quarto trimestre de 2016", disse.

Para Rebeca, o grande destaque pela ótica da demanda é o consumo das famílias, que tem peso de 65% na economia. A recuperação, embora gradual do mercado de trabalho, também influenciou o aumento do consumo das famílias no terceiro trimestre de 2019. Na comparação com o mesmo período de 2018, a alta do consumo das famílias ficou em 1,9%.

O crescimento nominal de 15,5% do saldo de operações de crédito com recursos livres do sistema financeiro nacional para pessoas físicas; a elevação da massa salarial real; a variação do IPCA de 3,2% no terceiro trimestre de 2019 contra 4,4% no mesmo período do ano anterior, foram outros fatores de influência no crescimento da economia no trimestre.

O consumo das famílias foi impactado também pela redução da taxa Selic de 6,5% no terceiro trimestre de 2018 para 6,3% em igual período deste ano, e pelo início da concessão das parcelas do FGTS em setembro.

Na ótica da atividade econômica, os três maiores desempenhos foram a construção civil, que cresceu pelo terceiro trimestre consecutivo, puxada pelo setor imobiliário; a extrativa mineral, que subiu no período influenciada pela extração de petróleo e gás, resultado do aumento de produção no pré-sal, incluindo a queda menor de extração de minério de ferro após o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais.

A outra atividade em destaque foi serviços. "Olhando para os serviços, a atividade que mais cresceu foi informação e comunicação, que é uma atividade que já vem crescendo há bastante tempo, por causa da internet e da parte de desenvolvimento de sistemas. Essas atividades econômicas, junto com o comércio, que tem tudo a ver com o consumo das famílias, e tem um peso importante na economia. Então, comércio, extrativa mineral, informação e comunicação e construção civil foram os principais destaques, olhando pela ótica da produção, do crescimento desse terceiro trimestre", explicou Rebeca.

 

Com informações da Agência Brasil

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