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Clima empresarial mostra queda no otimismo

A 129ª edição da pesquisa Lide, do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com a Fundação Getúlio Vargas...

Conjuntura / 10 Abril 2018

A 129ª edição da pesquisa Lide, do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), revelou que o otimismo do empresariado brasileiro caiu nos três níveis: federal, estadual (considerando o Estado de São Paulo) e municipal (a capital). De acordo com o estudo, 56% dos executivos enxergam que a situação atual dos negócios esteja melhor, diante de 60% no mês de março. Para 6%, a situação é pior; no mês passado o índice registrado era de 3% nesse quesito. O item empregos foi um dos únicos que se manteve estável na comparação com os dados de março, com 48% dos empresários apostando em empregar; 43%, em manter (postos de trabalho); e 10% em demitir.

O cenário político segue como o tema mais preocupante atualmente (96%), seguido por crise internacional, inflação e câmbio, ambos com 1%. O saldo do item previsão de receita para 2018 está mais positivo, com aqueles que acham que vai melhorar saltando de 37% (março) para 66%; igual passando de 48% (março) para 26% e pior de 15% (março) para 7%. Enquanto a estimativa de crescimento para o ano que vem apresentou um leve recuo, de 2%. O Índice de Clima Empresarial também teve uma queda, de 6,5, em março, para 6,1, em abril.

Na opinião dos executivos ouvidos pelo levantamento, as áreas que o brasil mais precisa melhorar são educação (42%), política (28%), infraestrutura (16%), segurança (10%) e saúde (4%).

 

Empresas preferem jovens a profissionais maduros na hora da contratação

A maioria das empresas no Brasil ainda prefere contratar jovens ao se deprarem com profissionais com 50 anos ou mais de idade nas mesmas condições técnicas. Mas, comparando à percepção que tinham há cinco anos, têm melhora na percepção positiva com relação a esses profissionais. Para elas, esse público conta com altos índices de comprometimento no trabalho e maior equilíbrio emocional para enfrentar as situações em comparação aos jovens. Em contrapartida, veem os mais velhos como pouco criativos e com baixa adaptabilidade às novas tecnologias, além de os considerarem onerosos nos custos da assistência médica e odontológica.

Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa do Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas da Escola de Administração Empresas de São Paulo (EAESP), também da FGV.

Realizada entre fevereiro e março deste ano pela PwC, com apoio da Brasilprev e da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a pesquisa ouviu 140 empresas e teve três objetivos. O primeiro foi identificar as percepções dos gestores com relação aos profissionais com 50 anos ou mais de idade. O segundo, apontar como estão se posicionando estrategicamente em relação ao envelhecimento da força de trabalho no país. O terceiro propósito foi analisar a evolução, entre as organizações, da visão e práticas de gestão em relação ao estudo anterior, feito em 2013, com o mesmo público-alvo. Das companhias ouvidas, a maioria (72,14%) é brasileira e têm capital fechado (77,86%), com origem do capital nacional (64%). Entre os setores de atuação, destaque para serviços e saúde, 35,71% e 10,71%, respectivamente. Mas cerca de 20% afirmaram atuar em setores diversos não especificados. Praticamente a metade delas (48,57%) possui receita bruta anual de R$ 99 milhões, 16,43% entre R$ 100 e R$ 299 milhões e 20,72% acima de R$ 1 bilhão. Com relação aos respondentes, 62,86% possuem 46 anos ou mais de idade e a maioria ocupa cargos de gestão, entre gerentes (39,29%), diretores (25,71%), sócios (12,14%) e vice-presidentes (3,57%).

Segundo análise da autora do estudo, a professora e pesquisadora de Organizações e Pessoas da FGV, Vanessa Cepellos, entre os profissionais que participaram da pesquisa, grande parte deles possuem uma percepção positiva em relação aos colegas de trabalho com 50 anos ou mais, com média de 4,03, na metodologia que vai de 1 a 6, na qual 1 significa "discordo completamente" e 6 representa "concordo totalmente".

- Essas percepções estão associadas, principalmente, à fidelidade a empresa (95%), comprometimento no trabalho (89%) e maior equilíbrio emocional em comparação aos jovens (88%). Em contrapartida, os pontos negativos estão associados à falta de criatividade (31%), de má adaptação às novas tecnologias introduzidas (31%) e por esses profissionais sêniores serem responsáveis pelos custos maiores com planos odontológicos e de saúde (30%) - explica.

Cepello alerta ainda para o fato de as empresas participantes terem baixo grau de adoção de práticas voltadas aos profissionais mais velhos: apenas 2,20.

- A adoção está bem abaixo da média. A única prática de gestão direcionada a esse público diz respeito à possibilidade de prestarem serviço mais flexível às companhias após a aposentadoria (45%). Além disso, muitas ações não fazem parte do repertório das companhias, como: planos de carreira para os mais velhos (6%), programa de preparação para aposentadoria (11%) e modelos de carreira diferenciados para os já aposentados ou em vias de se aposentar, como por exemplo, deixar uma posição gerencial para se dedicar a projetos e atividades consultivas (9%).

Ela chama atenção, ainda, para uma contradição:

- Em comparação à pesquisa de 2013, nota-se a melhora da percepção dos gestores com relação às pessoas com 50 anos ou mais. Porém, diminuiu o grau de adoção de práticas de gestão voltadas a esse público.

 

Empresas ratificam tabus - A pesquisa mostrou que as empresas continuam a preferir jovens, revelando-se resistentes na contratação de pessoas mais velhas: 75% delas optam pelos primeiros mesmo em igualdade de condições. O mesmo percentual de corporações, ou seja, 75%, refere-se àquelas que não desenvolvem postura proativa na contratação de profissionais mais velhos ou em idade de se aposentar. E 88% não contam com campanhas específicas para a inserção desse público em seus quadros.

A superintendente de Pessoas e Processos da Brasilprev, Katia Ikeda, fala da importância e da necessidade de as empresas incluírem os "talentos grisalhos" nas equipes, principalmente num cenário de aumento da longevidade da população pelo qual o Brasil passa.

- De acordo com dados de dezembro de 2017 do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro é de 75,8 anos. Some-se a isso o fato de a população ocupada com mais de 50 anos ter aumentado mais de 38% entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2016, chegando a 5,9 milhões de pessoas. Os números denotam o envelhecimento da força de trabalho no país, um fenômeno que só vai se intensificar.

Katia, por fim, adverte que "as companhias, cada vez mais, contam com a interação de diferentes gerações no ambiente de trabalho. Para atender esta realidade, precisam estruturar programas para lidar com profissionais mais experientes, e, paralelamente, ajudá-los a ter qualidade de vida e segurança financeira para o amanhã."