Cinismo, hipocrisia e desrespeito ao povo brasileiro

Opinião / 19 Maio 2017

Não vou cair na esparrela de louvar a Lava Jato ou as armações da Procuradoria-Geral por, após ter ficado insustentável o golpe, apresentar fatos, conhecidos por todos que acompanham a política nacional, que incriminam Aécio Neves e Michel Temer. Continua mandando no Brasil o sistema financeiro internacional, a banca como o denomino.

Vamos triar o cinismo das notícias da imprensa golpista. A saída de Temer pode ser qualificada como não onerosa, ou seja, não causa qualquer dano ou prejuízo ao projeto de desestruturação do país e da alienação dos recursos nacionais para o controle no exterior. O projeto da banca, na fase atual para o Brasil, é retirar do Estado o mínimo que seja de soberania. Para isso já se trabalhou o descrédito das instituições resultantes da Constituição de 1988.

À rua para salvar o Brasil, basta que

sejamos nacionalistas e democratas

Os próprios membros da cúpula destas instituições atuaram neste sentido. Apenas um exemplo para cada uma. O órgão máximo do Judiciário condena à privação da liberdade uma pessoa para a qual não se comprovou qualquer crime, com o argumento de que “a literatura jurídica” permite. Meu Deus! Nem sei como isto soaria em qualquer ambiente jurídico minimamente correto.

O Legislativo escancarou todo cinismo, toda podridão na lamentável tarde de 17 de abril de 2016, com votos pelas amantes, maridos (um seria preso por corrupção no dia seguinte), por Deus e por quem a sórdida criatividade invocasse, menos pela legislação que não autorizaria a aprovação do impeachment.

O Executivo, promulgando leis e apresentando projetos que fazem regredir as relações sociais e trabalhistas ao início do século XX, senão à legislação do império.

Mas se as instituições não cumprem seu dever de defender o país, a sociedade está necessitando de um novo pacto social, ou seja, de uma nova Constituição.

Passemos à hipocrisia. Ainda no noticiário de quinta-feira passada, pelos canais de televisão, se tentava incluir o nome do ex-presidente Lula naquele escândalo que não o envolvia. E como? O Ministério Público, que faz parte desta ópera bufa, entregava, providencialmente, ao tribunal de exceção no Paraná, a seríssima(!) acusação de que o presidente da República se reuniu 22 vezes com a direção da maior empresa brasileira, descobridora, em seu governo, de uma Arábia Saudita, em volume e qualidade de petróleo, dando a autossuficiência ao Brasil.

Com isto parecia querer juntar Lula ao crime do senador, que exigira dinheiro de empresário para pagar outro senador, envolvido em tráfico de droga. E o senhor Aécio Neves já havia sido denunciado como usuário de drogas em sessão de comissão legislativa.

Enquanto isso a Amazônia Brasileira é ocupada, com a autorização de Temer, por tropas dos Estados Unidos da América (EUA), que todos analistas internacionais identificam como o primeiro passo para ocupação estrangeira da Venezuela. O pretexto é promover a democracia (sic) no país que há mais de 20 anos é governado por presidente eleito pelo voto popular e que tem Congresso e Tribunais de Justiça funcionando. Haja hipocrisia!

O desrespeito ao povo está, entre outras ações, na campanha midiática que procura convencê-lo de que a previdência pública estatal é frágil, mas a previdência privada, de um banco ou seguradora, cuja existência é (pode ser) inferior à vida de trabalho do próprio contribuinte é melhor, mais garantida(?). A banca só não aceita ser tirada do controle da Nação. As pessoas não importam, nem as competitivas...

Então o que fazer? Não tiro férias de Deus. Quem tem que falar é o povo, nas ruas, nas suas associações profissionais, de classe, nos sindicatos, participando ativamente dos partidos políticos, se informando e se conscientizando de que ele, o povo, é o dono do país. E promovendo o novo pacto constitucional, sem restrições nem limitações, do qual surja um Estado Soberano, forte para enfrentar esta agressão interna, agora também externa, dos traidores, asseclas e assalariados da banca.

A grande corrupção vem do grande dinheiro. É a banca, que nada produz, que se apropria do trabalho e dos empreendimentos dos agentes industriais, que promove a permanente concentração de renda e a fuga dos tributos, que é a verdadeira força corruptora.

À rua para salvar o Brasil! Vamos nos unir, deixemos as divergências de lado, basta que sejamos nacionalistas e democratas. Depois iremos aos detalhes.

 

Pedro Augusto Pinho

Administrador aposentado.