Ciência, para quê?, desdenha o governo de facto

Empresa-Cidadã / 04 Julho 2017

A Nature, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, publicou, no final do último mês, o ranking da contribuição de cada país para a Ciência, expressa pela quantidade de artigos publicados em periódicos prestigiados. Os EUA ocupam a primeira posição, seguidos por China (2º), Alemanha (3º), Reino Unido (4º), e Japão (5º). Cientistas brasileiros publicaram 715 artigos em 2014, classificando o Brasil em 23º lugar, mas esta posição é vista sob severa ameaça.

 

Segundo o levantamento, foram 715 artigos lançados em 2014 por pesquisadores brasileiros, em diferentes áreas do saber. Em 2013, primeiro ano analisado pelo relatório, o Brasil obteve a mesma colocação no ranking, mas com 670 artigos publicados. O índice considerou as publicações realizadas em 68 periódicos científicos de grande impacto.

 

O Brasil foi o país mais bem posicionado da América Latina. A Argentina subiu uma posição, situando-se em 30º lugar. O México obteve o 34ª lugar, mesma colocação da edição anterior e terceiro colocado na região.

 

Sobre investimentos, o documento mostra que o Brasil foi o que mais aplicou verbas na área de Pesquisa e Desenvolvimento (1,3% do Produto Interno Bruto, o PIB). O México foi o segundo governo a investir mais nessa área (0,5% do PIB), seguido do Chile, com 0,36% do PIB (o país ficou na 32ª posição no índice Nature).

 

Não há nenhuma universidade brasileira no ranking das 200 instituições globais que mais publicaram artigos de impacto. A lista é encabeçada pela Academia de Ciências Chinesa, seguido da Universidade Harvard, dos EUA.

 

A ameaça maior à posição brasileira no ranking e sua progressão é o contingenciamento de recursos públicos para pesquisa e desenvolvimento (P&D), já que a realidade brasileira é de empresas que pouco investem em inovação. Os fundos públicos destinados a este objetivo minguaram com o contingenciamento realizado pelo governo de facto.

 

Se o golpe veio de fato para facilitar a intensificação da exploração do trabalho, como indica a “reforma trabalhista”, e dos recursos naturais, transformando o Brasil em um Iraque conquistado sem guerra, para quê o governo de um país que alienou o seu futuro, em um conluio com a classe dominante interna, iria priorizar a Ciência?

 

Apoio à Uerj, à Uezo e à Uenf

Os reitores e vice-reitores das Universidades Estaduais do Rio de Janeiro – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e Centro Universitário da Zona Oeste (Uezo) – vêm a público denunciar a deterioração progressiva das condições mínimas de funcionamento das três instituições. Desde julho de 2015, as dívidas com fornecedores e terceirizados vêm aumentando, haja vista a falta de pagamento por parte do Governo do Estado. Essa alta inadimplên cia afeta frontalmente a capacidade de as universidades exercerem suas funções de ensino, pesquisa e extensão, devido, p. ex. à falta de insumos para as aulas práticas, seguro para os estudantes realizarem estágios curriculares, materiais de consumo e, inclusive, materiais simples de escritório. Também os serviços terceirizados, como limpeza, vigilância, coleta de lixo, restaurante universitário, entre muitos outros, estão seriamente ameaçados e, em alguns casos, completamente ausentes, contribuindo para a precariedade a que vimos sendo expostos. A falta de pagamento dos projetos de pesquisa outorgados pela Faperj agrava a situação, afetando diretamente a quase totalidade das pesquisas desenvolvidas nas universidades.

É ainda mais grave o atraso nos pagamentos dos salários e bolsas, que já se cronificou e atingiu um patamar insuportável para a maioria de nós. Na data de hoje, 28 de junho, ainda não foi pago integralmente o salário de abril, o de maio, o décimo terceiro de 2016 e, dentro de mais alguns dias, também o salário de junho será devido. Esses atrasos trazem graves consequências aos servidores, que se veem endividados, muitos sem condições de prover as suas necessidades fundamentais, gerando altos níveis de estress e, entre outros problemas de saúde, agravados em muitos casos pela falta de recursos para a compra de medicamentos. O mesmo ocorre em relação às bolsas, aí incluídas as dos alunos cotistas. Mais que tudo isso, a constatação aviltante e reiterada de que alguns setores do funcionalismo estão recebendo em dia seus salários, sem parcelamentos ou atrasos, sugerindo que as universidades são as vítimas preferenciais desta crise, que afeta seletivamente mais alguns setores do serviço público do que outros. Nesse cenário, repudiamos, com veemência, a situação perversa e inadmissível como o governo vem nos tratando e a nossas instituições estaduais.

Defendemos que é urgente a resolução dos problemas aqui expostos!

Faz-se necessária a implementação da nossa autonomia de execução financeira, por meio do repasse dos recursos em duodécimos!

Uerj, Uenf e Uezo são patrimônios públicos que precisam da mobilização de toda a sociedade para a sua manutenção.É preciso uma ação rápida do Governo. O tempo está se esgotando!

Ruy Garcia Marques, reitor da Uerj; Maria Georgina Muniz Washington, vice-reitora da Uerj; Luis Passoni, reitor da Uenf; Teresa Peixoto, vice-reitora da Uenf; Maria Cristina de Assis, reitora da Uezo; Luanda Silva de Moraes, vice-reitora da Uezo.

 

Paulo Márcio de Mello é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulommm.pro.br

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