China pretende captar energia solar que nunca atinge o planeta

Conceito de coletar no espaço foi popularizado por Isaac Asimov em 1941.

Mercado Financeiro / 23:40 - 2 de dez de 2019

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Parece filme de ficção científica, mas não é. A China estuda construir uma estação de energia solar baseada no espaço de 200 toneladas de megawatts até 2035, de acordo com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (ACTE).

A instalação capturará a energia solar que nunca atinge o planeta, destacou Wang Li, pesquisador da ACTE que acompanha o programa, ao participar do 6º Fórum de Engenharia China-Rússia, realizado na semana passada em Xiamen, na Província de Fujian, sudeste chinês. De acordo com a agência Xinhua, a energia será convertida em microondas ou lasers e, em seguida, transmitida sem fio de volta à superfície da Terra para consumo humano.

Esperamos fortalecer a cooperação internacional e fazer descobertas científicas e tecnológicas para que a humanidade possa realizar o sonho de energia limpa ilimitada mais cedo”, afirmou Wang.

Comparada com a energia fóssil tradicional, que está cada vez mais esgotada e é responsável por graves problemas ambientais, a solar espacial é mais eficiente e sustentável, fornecendo uma solução confiável de fornecimento de energia para satélites e áreas atingidas por desastres ou áreas isoladas na Terra, destacou Wang.

 

Ficção científica

 

O conceito de coletar energia solar no espaço foi popularizado pelo autor de ficção científica Isaac Asimov em 1941. Em 1968, Peter Glaser, engenheiro aeroespacial norte-americano, escreveu uma proposta formal para um sistema de energia solar no espaço. A China já propôs várias soluções de coleta da luz solar e conquistou uma série de grandes avanços na transmissão de energia sem fio desde que o país colocou a energia solar baseada no espaço como um programa-chave de pesquisa em 2008.

No entanto, a ambição tem sido um desafio para a tecnologia atual, pois envolve o lançamento e a instalação de vários módulos de painéis solares e a eficiente transmissão sem fio de mega energia.

Com um investimento de 200 milhões de iuanes (US$ 28,4 milhões), a China está construindo uma base de testes em Bishan, no município de Chongqing, sudoeste do país, para a pesquisa de transmissão de energia sem fio de alta potência e seu impacto ao meio ambiente. Pesquisas nesta área estimularão a ciência espacial chinesa e a inovação em indústrias emergentes, como o transporte espacial comercial, apontou Wang.

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