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China fica com 26% das exportações brasileiras, 2,5 vezes mais que EUA

Conjuntura / 11 Outubro 2018

A participação das manufaturas nas exportações brasileiras alcançou o seu menor percentual (35%), no acumulado do ano até setembro, desde 1980, quando o levantamento Icomex, da Fundação Getulio Vargas, começou. A contrapartida é a crescente participação das commodities, com os três principais produtos básicos (soja em grão, minério de ferro e petróleo) respondendo por 31% do total exportado. Soja em grão e petróleo contribuíram em 60% para o aumento das exportações entre os períodos de janeiro a setembro de 2017 e 2018.

A concentração nas commodities leva a China a aumentar sua participação nas exportações brasileiras, para 26,3%, no acumulado dos nove meses de 2018, seguida dos Estados Unidos (11,4%) e Argentina (6,8%). Nesse cenário de guerra comercial entre os dois principais mercados de destino das exportações brasileiras, é necessário cautela por parte dos formuladores da política comercial do Brasil para que se mantenham preservados os dois mercados, recomenda a FGV.

O valor da exportação aumentou apenas 2,1%, e o da importação, 4,7% na comparação entre setembro de 2018 e o mesmo mês de 2017. Em agosto, o crescimento havia sido de 16% para as exportações e 35% para as importações. Essa desaceleração ocorreu num cenário em que a desvalorização em termos reais da taxa efetiva de câmbio foi de 16% (setembro 2017/18), o que deveria ter impulsionado as exportações.

A FGV explica que as incertezas associadas a um cenário de instabilidade cambial tendem a comportamentos de postergação de decisões por parte dos operadores de comércio exterior. Em adição, os resultados de agosto foram influenciados por compras e vendas de plataformas de petróleo.

Preços sobem mais que volume

Em relação ao fechamento da balança comercial em 2018, no acumulado do ano até setembro, o superávit comercial foi de US$ 44,3 bilhões, inferior em US$ 9 bilhões ao de igual período em 2017, o que sinaliza um superávit na ordem de US$ 55 bilhões para 2018.

Os preços em alta no exterior sustentam o crescimento da balança na comparação entre setembro de 2018 e setembro de 2017. O volume exportado recuou 3,5%, e o da importação caiu 5,2%. No acumulado do ano até setembro as exportações aumentaram 1,4%, e as importações, 12,9%. Os preços subiram 7,6% (exportações) e 7,5% (importações).

A FGV passou a calcular os índices do comércio exterior excluindo as plataformas de petróleo, devido à distorção que as operações causam. Na maioria das vezes, trata-se apenas de uma ação contábil para benefícios tributários (Repetro).

Em setembro não foram registradas operações de plataformas, logo as variações em volume não se alteraram. No acumulado do ano, a variação no volume exportado passa de positivo (1,4%) para negativo (-0,3%) sem as plataformas, e nas importações cai de 7,7% para 6,7%.

Fim de ano tranquilo

O desempenho exportador positivo em termos de valor no mês de setembro está associado às commodities, que cresceram 2,7% no volume e 7,9% nos preços. Destaca-se o petróleo e derivados que aumentou na comparação mensal 37,2% (volume) e 34,1% (preços).

As outras principais commodities, como o minério de ferro e as commodities agrícolas registraram aumentos inferiores a 10%. O volume exportado de outros produtos que não commodities recuaram 7%, e os preços caíram 1,5%. No acumulado do ano até setembro, as variações em volume ou preço das commodities supera o das não commodities.

A variação do volume exportado por tipo de indústria no mês de setembro em relação a igual período do ano anterior registrou aumento na indústria extrativa (18,1%) puxado pelas vendas de petróleo (37,2%), mas queda na agropecuária (-13,7%) e na indústria de transformação (-6,3%).

No entanto, quando se analisa a variação no acumulado do ano até setembro, a agropecuária lidera com crescimento de 4,5%, seguido da transformação (0,6%) e a indústria extrativa (0,5%). No ano o melhor desempenho da agropecuária em relação à indústria extrativa está associado ao volume exportado pelo complexo da soja (12%), pois no acumulado petróleo cresceu 0,2% e o minério de ferro (3,2%).

Os dados de setembro mostram que a balança comercial não deverá trazer riscos para o cenário externo até o final do ano, analisa a FGV. Mesmo com o acirramento da guerra comercial capitaneada pelos Estados Unidos, os seus efeitos provavelmente só serão sentidos com mais intensidade em 2019.

Por último, num mundo de tensões comerciais, o próximo governo deve ter cautela como irá se posicionar frente aos seus dois principais parceiros comerciais. A defesa do multilateralismo parece ser a melhor opção”, recomenda a FGV.