China diz que EUA deveriam assumir parte da culpa por ciberataque global

Informática / 17 maio 2017

A imprensa estatal da China criticou nesta quarta-feira os EUA por prejudicarem os esforços para deter ameaças cibernéticas globais, na esteira do ciberataque global com o vírus WannaCry, que infectou mais de 300 mil computadores em diversos países do mundo nos últimos dias. As informações são da Agência Reuters.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) deveria arcar com parte da culpa pelo ataque, que se aproveita de vulnerabilidades em sistemas da Microsoft e que até sábado havia atingido cerca de 30 mil organizações chinesas, informou o jornal China Daily. O ciberataque, que começou na sexta-feira, beneficiou-se de um relatório criado pela NSA, que vazou na internet em abril, informou a Microsoft.

"Esforços combinados para lidar com crimes cibernéticos vêm sendo prejudicados pelas ações dos EUA", disse o jornal, acrescentando que Washington não possui "nenhum indício crível" para sustentar as proibições impostas a empresas de tecnologia chinesas nos EUA após o ataque.

A crítica de Pequim ocorre no momento em que a China se prepara para adotar uma lei abrangente de cibersegurança que, segundo grupos empresariais norte-americanos, irá ameaçar as operações de companhias estrangeiras na China, com leis rígidas de armazenamento local de dados e exigências de vigilância rigorosas.

Autoridades cibernéticas chinesas vêm pressionando há tempos pelo que chamam de "equilíbrio equitativo" na governança cibernética global, criticando o domínio dos EUA. O "China Daily" ressaltou as restrições norte-americanas ao fornecedor de telecomunicações chinês Huawei Technologies, argumentando se tratar de uma hipocrisia, dado o vazamento da NSA.

 

Brasil pode sofrer apagão digital com ataques de IoT, afirma especialista

Assim como as gigantes da internet Netflix, Twitter, Amazon, CNN e PlayStation Network não escaparam dos chamados DDos ataque (Distributed denial of servisse, em português, Negação de Serviço Distribuída), empresas e instituições brasileiras podem sofrer graves paralisações em razão desse tipo de cibercrime. Segundo Rafael Narezzi, especialista em cibersegurança, o Brasil estaria prestes a um "apagão" digital por causa da falta de investimento em conhecimento neste setor.

- Os riscos estão por todos os lados, basta você olhar a sua volta. Sabe aquele modem de internet que você comprou por aí?! Aquela Smart TV ou até mesmo a sua smart cafeteira controlada por seu applicativo que deixa o café prontinho assim que você se levanta da cama?! Futuro, ou realidade. Pois então, esses são os chamados IoTs (Internet of Things), no Brasil conhecidos como a Internet das Coisas.

Rafael Narezzi diz que esse tipo de tecnologia tem a vantagem de proporcionar mais comodidade aos usuários ou até mesmo de facilitar a rotina de uma empresa e do dia a dia de usuários. No entanto, também abre brechas para não somente os DDos ataques como para outros vetores de ataques, pois também informações ficam expostas sem que você ao menos suspeite.

- Tendo acesso ao IoT de uma Smart TV, por exemplo, ainda mais aquelas que possuem câmeras, um hacker criminoso consegue descobrir informações importantes sobre uma empresa ou indivíduos e até mesmo escutar ou assisti-los, parte do chamado reconnaissance (reconhecimento das áreas para possíveis vetores de ataques). Com isso, o criminoso consegue meios de ataca-los. Funciona igual no mundo físico, se um criminoso sabe seus hábitos, facilita a ação do crime, o mesmo se aplica no mundo digital - revela o especialista.

O monitoramento é constante devido ao interesse de saber muito sobre hábitos de usuários, e é bem provável que você já aceitou isso. Segundo ele, todo aplicativo ou serviços de internet, principalmente social media, as pessoas aceitam a proposta sem ler. Algo muito comum, porém essas informações caindo na indústria do cibercrime tornam-se um grande benefício para esses hackers. Para que todo ataque aconteça, antes é realizada uma pré-pesquisa de reconhecimento. Tendo todos os seus hábitos salvos em um lugar só, fica mais fácil para o cibercriminoso agir.

Apesar de a maioria das vulnerabilidades se darem por causa das senhas padrões ou muito fáceis de serem exploradas, Rafael diz que as senhas talvez sejam uma ilusão de segurança

- É um erro pensar que estamos somente salvos com senhas, a indústria do cibercrime não trabalha com amadores. Eles possuem os melhores dos melhores e estão bem estruturados. É umas das indústrias que mais cresce no mundo.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters