Chile: Valles Aconcagua, Casablanca e San Antonio

Chegando mais próximo da Costa Pacífica, nos aproximamos de um Chile que se renova pelas descobertas de alternativas mais frescas.

Vinho etc / 16:51 - 16 de ago de 2019

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Seguimos com a cobertura das regiões vitivinícolas do Chile, que já trabalhei em três artigos e agora finalizarei em mais duas edições. Neste, vou falar dos Valles de Aconcagua, Casablanca e San Antonio. O primeiro que se divide entre uma zona mais próxima dos Andes e outra de influência marítima e os demais bem próximos do Pacífico.

Falar do Valle de Aconcagua é falar da tradicional e consagrada Viña Errazuriz, fundada em 1870, com significativa produção de destaque internacional, que tem sua sede na DO Panquehue. Situado a 90km de Santiago, o Valle de Aconcagua é o último transversal (entre os Andes e a Costa) em direção ao norte do Chile. O clima já é semidesértico, com 200mm de chuvas ao ano, concentradas no inverno.

Sendo assim, o período de maturação das uvas seria bem quente e seco não fossem as correntes de vento dos Andes e marítimas que moderam essa temperatura e diminuem o ritmo de maturação, já que o Valle do Aconcagua segue o curso do Rio Aconcagua que desce da Cordilheiras andinas até o Oceano Pacífico. Pela manhã, corre um vento frio de origem marítima e, à tarde, flui outro vento do calor acumulado durante o dia nas ladeiras dos Andes. Essas correntes de vento se originam da diferença de pressão da grande oscilação térmica entre o dia e a noite que ocorre nas proximidades dos Andes e a menor oscilação da parte costeira.

Na região mais próxima aos Andes e intermediárias predominam cepas tintas consagradas no Chile: Cabernet, Sauvignon, Merlot, Syrah, Carmenère. Merece destaque a área chamada Aconcagua Costa, bem próxima do litoral, na qual o clima fresco dá origem a vinhos da Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Predominam solos de origem aluvial, compostos por cascalho, areia e argila. Entre as vinícolas conhecidas, estão: Errazuriz, Arboleda, Flaherty, Narbona, San Esteban, Clos de Fous.

Chegando mais próximo da Costa do Pacífico, nos aproximamos de um Chile que se renova pelas descobertas de alternativas mais frescas à tradicional vitivinicultura de vinhos tintos potentes. Foi em 1982 que Pablo Morandé, fascinado pela região de Carneros na Califórnia, inaugurou o Valle de Casablanca, localizado em partes baixas do meio da Cordilheira da Costa, que recebem as brisas frescas da corrente fria de Humboldt.

O enólogo plantou 20ha de Chardonnay, Riesling e Sauvignon Blanc. O sucesso foi tal que a região foi ocupada por outros produtores, chegando a cerca de 4.500ha plantados em 2017. A neblina matinal que se espalha pelo vale e os solos ancestrais de argila granítica são componentes importantes para a excelência dos vinhos brancos; contudo, a região sofre com o excesso de umidade e apresenta dificuldade para trabalhar com tintos que requeiram mais maturidade. Funcionam bem os Pinot Noirs e cresce um investimento em setores mais elevados a leste, chamado Alto Casablanca, nos quais é possível trabalhar outras variedades tintas, como a Syrah e a Merlot. Algumas de suas vinícolas: Bodegas RE, Casas del Bosque, Viña Casablanca, Matetic, Morandé, Quintay, Veramonte, Villard.

Mais a sul de Casablanca e mais próximo do mar, está o Valle de San Antonio, uma das mais jovens regiões produtoras, que apresenta grande evolução qualitativa. É formado por três setores principais, que normalmente constam mais nos rótulos: Valle de Leyda, Rosario e Lo Abarca, este situado a apenas 4km do oceano. Assim como em Casablanca, se destacam os vinhos brancos, marcados por mineralidade e acidez intensas, bem como vinhos tintos da Pinot Noir. Mais para o interior, surgem alguns vinhos intensos da Syrah de clima frio.

Essas regiões próximas ao litoral são lindas e agradáveis para uma viagem enoturística no verão. Como eu adoro brancos e tintos mais elegantes, é uma exploração degustativa sedutora. No ainda muito jovem Valle de San Antonio, podemos encontrar vinícolas que fazem um belo trabalho, como a Casa Marín, Viña Leyda, Ventolera, Garcés Silva, além de outras grandes vinícolas que possuem vinhedos na região.

Por fim, vou listar aqui vinhos bem avaliados das três regiões, pelo Guia Descorchados:

Valle de Aconcagua

Errazuriz Don Maximiano Founders Reserve 2014/ Seña Cabernet Sauvignon, Carmenère, Malbec, Merlot, P. Verdot 2014 / San Esteban In Sito QV 2014 / Montes Outer Limits Sauvignon Blanc 2016 / Errazuriz Las Pizarras Pinot Noir 2015

Valle de Casablanca

Quintay Experience Pinot Noir 2016 / Morandé Golden Harvest Sauvignon Blanc 2013 / En RE Do Gewurztraminer Riesling 2016 / Cono Sur 20 Barrels el Centinela Estate Sauvignon Blanc / Matetic Vineyards EQ Sauvignon Blanc 201S

Valle de San Antonio

Carmen Do Quijada #1 Sémillon 2016 / Lappostole Collection Apalta Petit Verdot 2015 / Montes Folly Syrah 2014 / Ventolera Private Cuvée Pinot Noir 2016 / Kalfu Sumpai Pinot Noir 2015 / Garcés Silva Family Vineyards Amayna Chardonnay 2013

 

Notícias do mundo do vinho

No dia 12 de setembro, realizaremos um encontro enogastronômico da Confraria Os Empireumáticos, que acontece bimestralmente. O evento inclui palestra temática, seguida de um menu harmonizado. Desta vez, será realizado na Churrasqueira, em Ipanema, e o tema é sobre vinhos portugueses. No menu: bolinhos de arroz com queijo Canastra, filé trufado com purê de baroa e banana flambada com sorvete de creme. Pratos harmonizados com cinco vinhos. Valor: R$ 190 – Reservas: maguiavinhos@gmail.com / Instagram: @miriamaguiar.vinhos

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