Chile enfrenta maior revolta social das últimas décadas

Aumento no preço da passaegm do metrô desencadeou violentas manifestações contra o custo de vida e as desigualdades sociais no país.

Internacional / 10:51 - 21 de out de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A capital do Chile, Santiago, foi marcada por protestos no último fim de semana. Depois de os confrontos terem feito, pelo menos, sete mortos, o governo chileno declarou estado de emergência nas cidades do norte e sul do país, nesse domingo.
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que o país está "em guerra" contra os "criminosos" responsáveis pelos protestos violentos que começaram na sexta-feira.
"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável, que não respeita nada ou ninguém e que está disposto a usar a violência sem limites, mesmo quando isso significa a perda de vidas humanas, com o único objetivo de causar o máximo de dano possível", disse Piñera.
Uma fábrica de roupas foi alvo de roubos, no norte de Santiago, com cinco mortes, elevando para sete o número de mortos desde o início dos protestos. Na noite de sábado para domingo já tinham sido encontrados dois mortos num incêndio em um supermercado.
Os manifestantes, de cara coberta com capuzes, envolveram-se em violentos confrontos com polícias na Praça Itália, centro da capital, tendo as autoridades tentado dispersar as pessoas com gás lacrimogêneo e jatos de água.
Os protestos contra o governo começaram na capital, mas já se estendem a outras cidades. O aumento, entre 800 e 830 pesos (correspondente a 1,04 euros), no preço dos bilhetes do metrô, que transporta diariamente cerca de 3 milhões de passageiros, desencadeou as violentas manifestações contra o elevado custo de vida e as desigualdades sociais no país.
Piñera diz que compreende que os cidadãos se manifestem, mas que considera "verdadeiros criminosos" os responsáveis pelos incêndios, as barricadas e pilhagens, assim como pelos mortos e feridos.
Os confrontos entre autoridades e manifestantes começaram quando, na sexta-feira, a polícia tentou bloquear as manifestações. Em protesto, os habitantes de Santiago saíram às ruas para expressar descontentamento pelo aumento do custo de vida. Durante o fim de semana, os protestos estenderam-se a outras cidades.
No sábado, o presidente chileno decretou estado de emergência na capital por 15 dias e suspendeu o aumento dos preços dos transportes. No entanto, as manifestações e os confrontos prosseguiram. Os manifestantes alegam a degradação das condições sociais e as desigualdades, uma vez que as áreas da saúde e da educação são quase totalmente controladas pelo setor privado.
O estado de emergência permanece em vigor na capital e em outras regiões do país, com a mobilização de mais de 10 mil policiais.
A prefeita da Região Metropolitana de Santiago, Karla Rubiar, confirmou nesta segunda, em coletiva de imprensa, que o número de mortos nos confrontos subiu para 11. A polícia chilena (Carabineros de Chile) informou que 819 pessoas foram detidas ontem e que 67 policiais foram feridos. Desde o início dos confrontos, mais de 1400 pessoas foram detidas.

As manifestações levaram o governo a decretar toque de recolher. Santiago e outras quatro regiões proibiram o livre trânsito de pessoas entre as 19h e 6h da manhã. Não havia toque de recolher no Chile há mais de 30 anos, desde a ditadura de Augusto Pinochet.

Diversos incêndios e barricadas foram registrados durante todo o fim de semana, lojas e supermercados foram invadidos e depredados. Quase 10 mil membros das Forças Armadas foram às ruas, após o presidente decretar estado de emergência na madrugada de sábado (19).

As aulas do Ensino Infantil, Fundamental e Médio foram suspensas e o serviço de transporte funciona parcialmente. O aeroporto de Santiago também foi afetado e há diversos voos atrasados e cancelados. O ministro do Trabalho, Nicolás Monckeberg, solicitou compreensão e flexibilidade nos horários de entrada e saída dos trabalhadores e afirmou que um atraso não configura razão para demissões.

Apesar da declaração de Piñera sobre o país estar em guerra, o general do Exército Javier Iturriaga, responsável pela ordem e segurança em Santiago, afirmou hoje que "não está em guerra com ninguém".

O senador de oposição, Ricardo Lagos também se manifestou contra a afirmação do presidente. "Presidente Sebastián Piñera, não assuste os cidadãos! Não estamos em guerra. Enfrentamos uma crise política, mal conduzida pelo Governo, cujo tema de fundo é a desigualdade. Essas declarações não ajudam a criar um clima de entendimento", disse, na noite de ontem (20).

De acordo com o relatório "Panorama Social de América Latina" da Comissão Econômica da

América Latina e Caribe (Cepal), 1% da população chilena concentra 26,5% da riqueza. O informe diz ainda que 66,5% dos chilenos têm apenas 2,1% do capital.

 

Voos cancelados - A situação no Chile levou a companhia aérea Latam a cancelar todos os voos com origem na capital do país, Santiago. A decisão afeta as partidas marcadas desde as 19h de ontem (20) até as 10h de hoje (21). Segundo a empresa, as condições têm afetado a locomoção dos passageiros assim como dos funcionários da companhia.

As decolagens com destino a Santiago também estão sujeitas a alterações ou cancelamentos. O voo que sairia de Guarulhos às 10h45 de hoje para a capital chilena está entre os cancelados. A Latam recomendou aos passageiros que tiverem voos cancelados a não irem ao aeroporto. Aos que tem passagens saindo ou chegando em Santiago, a empresa pede que verifiquem a situação do voo antes de irem ao terminal na página da companhia - latam.com

A Latam oferece para todos os passageiros com viagens programadas com origem ou destino na capital chilena, entre os dias 20 e 22 de outubro, a possibilidade de alterar as passagens sem multa. A mudança poderá ser feita até 20 dias após a data original do voo pela página da empresa.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a RTP

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor