Chile em greve assiste peso desabar

Revoltas prosseguem na América do Sul e podem voltar no Equador.

Internacional / 23:36 - 12 de nov de 2019

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Uma greve geral convocada por uma centena de organizações manteve a pressão sobre o governo de Sebastián Piñera, mesmo após a convocação de um Congresso Constituinte para tentar amenizar a crise no Chile. Nesta terça-feira, a cotação do dólar alcançou a marca de 800 pesos chilenos, o nível mais alto da história.
Manifestantes tomaram as ruas centrais de Santiago exigindo a renúncia do governo neoliberal. Os cidadãos exigem uma nova Constituição que enterre a feita na ditadura e reduza as desigualdades sociais. Os chilenos, porém, querem a eleição de uma Assembleia Constituinte, diferentemente do proposto por Piñera.
A grande concentração de poder econômico e político fomenta a revolta. Sebastián Piñera está entre os homens mais ricos do Chile, com uma fortuna avaliada em US$ 2,7 bilhões. Dois terços dos ministros vieram de seis escolas de elite, e essa equação variou pouco com a nova composição ministerial, na qual Piñera fez modificações em oito dos 24 ministérios.
A onda de protestos na América do Sul continua na Bolívia e pode reacender no Equador a qualquer momento, apesar de o governo de Lenín Moreno ter recuado em algumas medidas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
O fundo exige um aperto fiscal equivalente a 6% do PIB nos próximos três anos, mesmo com o Equador registrando um déficit orçamentário de apenas 0,3% do PIB. O resultado de uma política assim será encolher a economia, jogando o ajuste para a conta dos trabalhadores.
A dolarização está na raiz dos problemas equatorianos. O ex-presidente Rafael Correa implementou com sucesso uma série de medidas econômicas – que reduziram a pobreza em 38% e a extrema pobreza em 47% em uma década, com o investimento público dobrando – e até mesmo adotou políticas monetárias expansionistas. Porém não foi capaz de escapar do dólar.
Na Bolívia, a senadora Jeanine Áñez, do partido oposicionista Unidad Demócrata, declarou-se nesta terça-feira presidente do país. “Assumo imediatamente a Presidência”, disse Jeanine, embora a bancada do MAS, partido liderado pelo ex-presidente Evo Morales, não estivesse presente no Congresso. Jeanine justificou a decisão, em seu novo status de líder do Senado, depois de considerar que no país havia uma situação de vacância. 

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