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Cerca de 60 mil mulheres foram estupradas em 2017

Conjuntura / 10 Agosto 2018

O Fórum de Segurança Pública divulgou nesta quinta-feira foram registrados no Brasil 60.018 estupros (seis casos por hora) e 221.238 casos de violência doméstica, ou seja, 606 registros por dia e 25 casos por hora no ano de 2017. Ou seja, o número de estupros cresceu 8,4% no mesmo período em relação ao ano de 2016 (49.497 casos). Os números revelados pelo levantamento podem ser ainda maiores por conta da subnotificação desses tipos de crimes. No caso dos estupros, estima-se que apenas 10% deles sejam comunicados à polícia. Levando em conta essa defasagem na apuração e denúncias, o total de casos do tipo pode passar dos 500 mil por ano.

O Brasil precisa se envergonhar perante outras nações de ostentar taxas de homicídios tão altas, mas a gente não pode deixar de lado a violência de gênero. A violência contra mulher tem que ser questão central para se debater inclusive o desenvolvimento. Com esse número aqui não dá para a gente almejar ser um país desenvolvido de fato, é muito alto”, avaliou a socióloga Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O número de feminicídios também aumentou para 1.133 casos. Em 2016, 621 casos foram classificados como feminicídios (assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino).

Dados divulgados pelo Ministério Público, em março deste ano, revelaram que 45% dos crimes de feminicídio em São Paulo foram motivados por separação ou pedido de separação, 30% por ciúmes ou posse e 17% durante discussão. De todas as mortes analisadas, 75% delas tinham laço afetivo com o agressor e 66% deles aconteceram em casa.

Em entrevista anterior ao Portal Vermelho, Mariana Venturini, vice-presidenta nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), afirmou que apesar do Brasil ter as legislações mais avançadas do mundo nessa área, o Estado está na contramão quando retira investimentos dos direitos sociais.

A Lei Maria da Penha, por exemplo, é considerada referência internacional de proteção das mulheres em situação de violência, entretanto, ela nunca foi integralmente implementada. E o Judiciário muitas vezes também não está capacitado para aplicar a Lei de Feminicídio. E agora (com o governo Temer) estamos em uma fase de enxugamento do Estado e as mulheres são as que mais precisam de proteção”, explicou.

O cenário é desalentador, preocupante e revela a necessidade de intensificação das políticas voltadas para as mulheres. Após completar 12 anos, a Lei Maria da Penha trouxe avanços, mas ainda é necessário o fortalecimento dessas ferramentas de denúncia.

Relatora da matéria na Câmara, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destaca a importância da legislação, mas alerta para a necessidade do seu cumprimento. “É incrível como essa lei marcou historicamente o sistema de Justiça. São mais de 1,2 milhão de processos, 300 mil vidas salvas, 100 mil prisões expedidas. Mas as estatísticas ainda são muito assustadoras pela falta de cumprimento da lei, num país continental como o nosso. Muitas vezes falta orçamento, falta compreensão do sistema judiciário, compreensão dos governos, mas também é uma questão de mudança cultural. Os agressores são seus companheiros. Não podemos mais permitir essas agressões”, destacou a parlamentar em vídeo divulgado nas redes sociais.

 

Inquérito no Japão

 

O governo do Japão informou, esta sexta-feira, que vai inquirir todas as universidades de medicina do país, depois de uma universidade de medicina de Tóquio ter admitido que manipulou, durante anos, os exames de acesso ao curso para admitir menos mulheres.

O Ministério da Educação japonês solicitou às 81 instituições públicas e privadas do país que verificassem os procedimentos de admissão, bem como a proporção de mulheres e homens entre os candidatos aprovados. “Se as respostas não forem aceitáveis, faremos novas perguntas e visitaremos as instituições”, garantiu um porta-voz do ministério, acrescentando que os resultados ao inquérito serão publicados já no próximo mês.

A universidade que que manipulou os exames alegou que o objetivo passava por garantir que as mulheres não representassem mais de 30% do número total de estudantes na competição.

Este caso é extremamente lamentável”, afirmou o ministro da Educação, Yoshimasa Hayashi, apelando às instituições para cooperarem plenamente nas respostas ao inquérito.

A ministra da Justiça, Yoko Kamikawa, sublinhou que as "mulheres não devem ser injustamente discriminadas no Japão, seja em que situação for".

No Japão, aproximadamente metade das mulheres deixa definitivamente os seus empregos depois de se tornarem mães, devido a fatores socioculturais e dificuldades em conciliar a vida familiar e profissional.

O Governo de Shinzo Abe lançou a estratégia "Womenomics" para promover uma maior participação feminina no trabalho, mas o país continua a registar uma diferença salarial significativa entre homens e mulheres, bem como uma diminuta presença do gênero feminino nas grandes empresas e na classe política.