Cedae não sabe quando cheiro e gosto mudarão

UFRJ denuncia degradação ambiental dos mananciais

Rio de Janeiro / 23:13 - 15 de jan de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O presidente da empresa, Helio Cabral – integrante do Conselheiro de Administração da Samarco quando houve o rompimento da barragem em Mariana -,em entrevista coletiva dada nesta quarta-feira reiterou não haver problema com a água e a geosmina. Segundo ele, a água, que atende ao exigido pelo Ministério da Saúde, é distribuída pelo reservatório do Guandu, que atende a grande parte da população da Região Metropolitana

Mas segundo um grupo de docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pedido da Reitoria, “há uma evidente degradação ambiental nos mananciais que são utilizados para abastecimento público da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa degradação compromete a qualidade da água, dificulta seu tratamento e pode colocar em risco a saúde pública.”

Cabral garantiu que a água não terá mais a presença da geosmina a partir da semana que vem. Segundo a companhia, essa substância produzida por algas é que provocou o gosto e o cheiro de terra na água distribuída à população. O presidente da Cedae disse, entretanto, que não poderia dar um prazo de quando a água vai sair das torneiras sem o cheiro e o gosto alterados, pois depende da quantidade de água armazenada nos reservatórios das casas.

Em nota técnica o grupo de docentes da UFRJ ressalta que “a companhia de saneamento é responsável pelo controle da qualidade da água tratada, respeitando as resoluções legais. A vigilância da qualidade da água é de responsabilidade do setor da Saúde (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde), que deve garantir a segurança e qualidade da água a ser distribuída para a população. A população não deve ser responsabilizada para identificar se a água está ou não adequada ao consumo.”

Sobre um possível repasse de custo para o consumidor, Helio Cabral disse que o valor gasto não vai onerar o consumidor. Questionado sobre ressarcimento ao consumidor com relação ao gasto com água mineral, ele disse que não está no planejamento da Cedae. Na coletiva pediu desculpas à população pelos transtornos ocorridos no sistema de abastecimento de água e reiterou que a geosmina não traz riscos à saúde, mas disse que indenizar clientes não estava no planejamento da empresa.

Sobre a água turva relatada por moradores, Cabral disse que a água que sai de Guandu e é medida diariamente em 250 pontos, não apresentou turbidez. Segundo ele, a água de coloração turva apontada por moradores pode ter sido ocasionada por problemas como caixas d'água sem a limpeza necessária.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor