Cedae diz que alterações da água no Rio não representam risco à saúde

Companhia informou que amostras já analisadas 'não apresentaram alteração quanto ao cheiro e ao gosto, estando dentro dos padrões.'

Rio de Janeiro / 13:10 - 8 de jan de 2020

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Depois da reclamação de moradores de 11 bairros do Rio de Janeiro sobre o recebimento de água com cheiro forte e coloração turva, a Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Cedae) disse nessa terça-feira que as alterações não oferecem risco à população.

Em nota divulgada ontem, a Cedae informou que após análises finalizadas nesta terça-feira, técnicos da companhia detectaram a presença da substância Geosmina em amostras de água. A Geosmina é uma substância orgânica produzida por algas e que, segundo a companhia, não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. Desta forma, "a água fornecida pode ser consumida pela população". Mais de um milhão de pessoas vivem nos bairros afetados.

De acordo com a Cedae, "a substância não oferece riscos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água. O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar gosto e cheiro de terra".

A companhia informou ainda que as amostras já analisadas na tarde de ontem na Estação de Tratamento do Guandu, "não apresentaram alteração quanto ao cheiro e ao gosto, estando dentro dos padrões. Ao longo do sistema, porém, a água ainda pode apresentar gosto e cheiro alterados em alguns locais. Por isto, a Cedae continuará monitorando todo o sistema de abastecimento ao longo da semana".

Diante das reclamações, a Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, responsável pelo monitoramento da qualidade da água de abastecimento distribuída pela Cedae, divulgou que inspecionou ontem mesmo 12 pontos nos bairros de Paciência, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade e em Olaria, Brás de Pina e Ramos, na Zona Norte. Os técnicos estão coletando amostras para a análise microbiológica feita no Laboratório Municipal de Saúde Pública (Lasp), com os resultados saindo em 24 horas, a partir da chegada do material na unidade.

A coordenadora do Lasp, a médica veterinária Roberta Ribeiro, informou que ao tomar conhecimento da alteração na água, fez contato com a Cedae, sendo informada que a empresa estava apurando o que causou a alteração.

Roberta Ribeiro ressaltou que "em caso de alteração, notificamos imediatamente à Cedae para providenciar a adequação dos problemas, muitas vezes pontuais e rapidamente sanados pela empresa". A coordenadora do laboratório frisou que o índice é de, em média, 9% de alteração, sendo que no segundo semestre de 2019 o maior problema foi o de turbidez mais alta que o permitido. Isso acontece quando há material em suspensão na água, o que pode ser provocado por um cano enferrujado ou mesmo por sujeira que atinge a água.

O laboratório municipal monitora outros cerca de 100 pontos de fornecimento de água da Cedae em unidades de saúde e de educação da prefeitura do Rio de Janeiro, analisando também a água consumida internamente em bebedouros, cozinhas e banheiros.

Por meio da Coordenação de Engenharia, a Vigilância inspeciona ainda os reservatórios de água de imóveis públicos, a partir de demandas recebidas pela Central de Atendimento ao Público, pelo telefone 1746. Um exemplo foi a vistoria feita na Unirio, na Urca, no primeiro semestre do ano passado, quando técnicos interditaram a unidade por conta da água contaminada depois que um temporal atingiu o Rio e causou diversos danos à rotina da cidade.

 

Agência Brasil

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