Cardozo diz que Delcídio não tem credibilidade para fazer acusações

Política / 14:17 - 3 de mar de 2016

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O recém-empossado ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse hoje momentos após assumir o novo cargo, que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) "não tem nenhuma credibilidade" para fazer qualquer acusação, caso sejam confirmadas informações de que ele teria feito acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Segundo a revista Isto É, o senador teria firmado um acordo de delação premiada com a equipe que investiga a Operação Lava Jato e nos depoimentos Delcídio do Amaral teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras. - Vamos ser francos. Em primeiro lugar, não sei se há realmente uma delação premiada. Se houver, o senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade - disse Cardozo, após a cerimônia de posse ocorrida no Palácio do Planalto. Cardozo deixou o comando do Ministério da Justiça e assumiu a AGU. - Sinceramente, independentemente do que foi dito, o senador Delcídio, depois de todos os episódios, não tem nenhuma credibilidade para fazer nenhuma afirmação. Ainda vou ler a matéria para entender o que ele está falando. Se é verdade que ele fez a delação premiada, a possibilidade de, mais uma vez, ele ter faltado com a verdade é grande. Faltou no episódio da fita, depois desdisse. Disse que tinha falado com o ministro do STF, depois disse que não falou. Depois disse para todo mundo que não tinha feito delação premiada, e que isso era um absurdo. É triste. Mas vamos ver o que realmente acontece. José Eduardo Cardozo confirmou que alguns integrantes da base governista têm recebido recados vindos de Delcídio, nos quais ele ameaça fazer retaliações, caso não atuassem no sentido de retirá-lo da prisão. - Sim, recebemos muitos recados. Inclusive muitos foram publicados na imprensa, em que se falava que se o governo não agisse para tirá-lo da prisão ele faria retaliações. Se efetivamente houve isso, há forte possibilidade de se tratar de retaliação, até porque isso foi anunciado previamente - disse. Delcídio do Amaral foi preso pela Operação Lava Jato após apresentação de uma gravação em que ele oferece R$ 50 mil por mês e um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que este não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público. O senador ficou preso por mais de 80 dias. No dia 19 de fevereiro o senador passou, por determinação judicial, a cumprir o recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga. Dilma: nenhum governo realizou enfrentamento tão duro e eficiente à corrupção Mesmo com as mudanças nos comandos do Ministério da Justiça, da AGU e da CGU, Dilma disse hoje que o combate à corrupção continua sendo prioridade do governo. - Nenhum governo realizou um enfrentamento tão duro e eficiente à corrupção com o meu e continuará sendo assim. Não estamos investigando a corrupção por que ela começou agora em meu governo, a corrupção está sendo investigada livremente e sem pressões, porque nós não impusemos barreiras nem engavetamos as investigações - destacou durante a posse esta manhã dos ministros em cerimônia no Palácio do Planalto. A presidente disse ainda que o novo ministro da CGU, Luiz Navarro, manterá a instituição com controle severo de desvio de conduta e o bom uso dos recursos públicos. - O novo ministro da CGU terá ainda como sua responsabilidade os acordos de leniência com empresas que passam por processo de investigação. Queremos que os responsáveis pelos atos ilícitos respondam pelos seus crimes, mas que as empresas continuem existindo e gerando renda e empregos no Brasil. Penalizar responsáveis não significa destruir empresas - afirmou Dilma. De acordo com ela, as trocas de comando também não afetam o papel que essas instituições exercem no governo. - São e serão instituições de Estado, cônscias de seus deveres, de suas atribuições, e da missão de manter relações adequadas com os órgãos que a elas estão subordinadas. Com informações da Agência Brasil

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