Caindo na real

Fatos e Comentários / 16:42 - 10 de ago de 1999

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A desvalorização do real não provocou a crise da Argentina, mas simplesmente tirou o último balão de oxigênio de um paciente na CTI. Segundo a Associación de Fabricas Argentinas de Componentes (Afac), em 1994, quatro de cada cinco carros fabricados no país tinham motores locais. Hoje apenas um em cada cinco tem motor argentino. Para ter noção do tamanho da crise, 30% dos filiados da Afac são fabricantes de motores. Com o real desvalorizado, o acesso dos argentinos ao até então generoso mercado brasileiro praticamente se inviabilizou, mas a origem dos problemas dos nossos vizinhos deve ser buscada no modelo de abertura unilateral e submissa às empresas estrangeiros que contou com o apoio entusiasmado de empresários locais subjugados ideologicamente e sem a menor consciência de classe. Até a metade desta década, havia apenas três montadoras na Argentina. Com a abertura menemista, esse número saltou para oito, deprimindo os preços. Somente este ano, os preços dos carros novos já caíram 3,5%, depois das quedas de 6% e 4% em 1997 e 1998, respectivamente. O discurso ideológico de que isso beneficiaria o consumidor não se refletiu em aumento das vendas, que devem desabar de 455 mil, ano passado, para 343 mil, este ano. Ou seja, a exportação de veículos para o Brasil, que saltou de 460 carros, em 1994, para 3 mil, ano passado, apenas mascarava e dava gás a um modelo esclerosado. Virtual Os videntes menos fundamentalistas garantem: o mundo não acaba hoje, mas, em compensação, o governo FH já morreu e só ele não sabe. Ameaça Em nota oficial, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirma que lamenta "o incidente protagonizado por sua excelência o prefeito da cidade de Recife, Roberto Magalhães, que compareceu na redação do Jornal do Commercio (PE), no dia 9 de agosto de 1999, portando arma de fogo e proferindo ameaças." O presidente da ANJ, Paulo Cabral, salienta que a entidade defende a liberdade de imprensa tanto quanto a livre manifestação de pensamento. Respeita, portanto, a contrariedade do senhor prefeito contra qualquer publicação, pois é um direito que lhe assiste. Mas a ANJ rejeita vigorosamente todas e quaisquer atitudes violentas, intimidatórias ou que constituam ameaça à integridade física dos profissionais da imprensa ou ao direito do livre exercício da profissão, uma garantia constitucional." Finaliza pedindo ao prefeito que substitua o confronto pelo diálogo. Provando do próprio veneno Um executivo americano da Light teve a oportunidade de sentir ontem na própria pele o que já virou rotina para os usuários da empresa. Depois de consumir horas teclando um texto no computador, viu um pique de luz fulminar todo o seu trabalho. Sem ter a quem reclamar - ou sem poder fazê-lo - limitou-se a um sorriso amarelo e a recordar-se de que as ex-estatais são mais eficientes nas páginas pagas nos jornais que na vida real. Raio X O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) divulga hoje pesquisa sobre o profissional da área de engenharia do estado. Feito em conjunto com a Universidade Federal Fluminense, o "Diagnóstico Profissional, Nossa Realidade, Nosso Caminho" traz dados como remuneração, formação profissional, contribuição para o orçamento doméstico e nível de emprego, entre outros. Os dados servirão para orientar a atuação do Crea-RJ para tentar incrementar o mercado de trabalho. Finanças Empresários que tentam se manter atualizados com as constantes mudanças na economia devem ficar atentos aos cursos de aperfeiçoamento que o Instituto de Estudos Financeiros está oferecendo: "Gestão Financeira da pequena e média empresa", que se realizará nos dias 17, 18, 19, 23 e 24 de agosto; e "Gerência de Custos", nos dias 13, 14, 15 e 16 de setembro. Todas as aulas serão no período noturno. Inventividade Ah, se a imprensa "chapa branca" que trata o PDV do governo FH para os servidores como uma oportunidade ímpar de negócios tivesse o mesmo despreendimento na hora de coçar o próprio bolso para bancar as perdas com a desvalorização cambial. Nesse caso, o Proer do BNDES não passaria de uma quimera. Paciência Se a Prefeitura do Rio não pretende que as multas de trânsito funcionem apenas como uma máquina arrecadadora, deveria providenciar a sincronização dos sinais da cidade. É um verdadeiro teste de paciência andar de carro por algumas ruas, como a Praia do Flamengo, onde é quase impossível passar por dois sinais verdes seguidos, apesar de ser uma via de trânsito - teoricamente - rápido. Santo de casa O prestígio de FH vai de mal a pior. Até na pesquisa virtual feita pela página na Internet do Congresso Nacional - onde, em tese, o governo tem sólida maioria - o percentual dos repudiam FH ultrapassa os 85%. Dos 536 internautas que tinham votado até às 18h30m de ontem, 63,43% consideram o governo FH péssimo; 22,57% regular; 9,33% bom e apenas 4,66%, ótimo. Como não foi oferecida a opção ruim, deve-se subentender o voto em regular como manifestação de desaprovação ao governo, que totaliza 86%.

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