Bárbaros

Fatos e Comentários / 15:07 - 20 de mai de 1999

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O jornal francês Le Monde publicou que a China está assumindo uma posição rígida em relação ao acordo sobre o conflito em Kosovo. Segundo o jornal, o clamor nas ruas cessou, a tensão da comunidade expatriada se dissipou, mas a Otan ainda não se livrou da onda de choque antiocidental que permeia a opinião pública chinesa desde o bombardeio de sua embaixada em Belgrado. Na verdade, diz o jornal, Pequim impõe uma dupla condição para qualquer negociação política da guerra em Kosovo, dificultando ainda mais a adoção de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU. De acordo com o jornal, o governo chinês exige a "suspensão imediata" dos "bárbaros" bombardeios da Otan, antes de qualquer decisão sobre um projeto de acordo. "Não se pode negociar debaixo de bombas", disse em resumo o presidente Jiang Zemin. Por outro lado, os chineses argumentam que não se pode impor aos sérvios um projeto de acordo. Ataque O ataque da Otan à Embaixada da China na Iugoslávia não foi um acidente. É o que sustenta a publicação quinzenal Solidariedade Ibero-americana, editada pelo mesmo grupo da revista EIR (Executive Intelligence Review). Segundo a edição da primeira quinzena de maio, o ataque foi uma agressão proposital com o objetivo de impedir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tomasse deliberações sobre o conflito nos bálcãs e que avançassem as iniciativas do Grupo dos Oito (G-8) para uma solução negociada. Solidariedade Ibero-americana cita altos oficias militares, diplomatas e analistas europeus e norte-americanos que teriam chegado à conclusão de que a destruição da embaixada foi premeditada. O ex-vice-ministro de Defesa da Alemanha Willy Wimmer teria afirmado ao jornal alemão Bild Zeitung de que estava convencido que o ataque foi proposital e que sua motivação seria "um assalto ao papel potencial da China nas Nações Unidas." Na China também se teria a certeza de que não houve acidente. A desculpa do mapa desatualizado não resiste a qualquer análise: jornalistas se fartaram de mostrar que mapas turísticos de Belgrado - distribuídos gratuitamente pelas agências de turismo iugoslavas - indicam a localização das embaixadas. Potência O Brasil ocupa o 19º lugar em qualidade da saúde em relação aos outros países da América Latina, à frente apenas da Guatemala (20º), Bolívia (21º) e Haiti (22º). O ranking consta de relatório sobre saúde realizado pelo instituto britânico The Economist Intelligence Unit. A organização, que pertence ao grupo da revista The Economist, apontou a Costa Rica em primeiro lugar, como o país mais saudável de todo o continente. O Brasil ficou atrás de países como Jamaica (4º), El Salvador (11º), Trinidad & Tobago (14º) e Peru (16º). O estudo tomou por base a média de 13 indicadores de saúde, como expectativa de vida, mortalidade infantil e ocorrência de doenças infecciosas, entre outros. Muy amigo Se o presidente FH é Menem amanhã e vice-versa, o não pagamento de dívidas externas vencidas de duas empresas argentinas deve ter uma conseqüência imediata nos próximos dias: o BNDES local deve anunciar um mega Proer para honrar papagaios em dólares de empresas portenhas. Avarento A liberdade concedida a burocratas sem votos decidirem sobre o destino do Orçamento permite manifestações arrogantes como a do secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, que decidiu se sentar sobre a pedido dos ministérios de reforço de dotação orçamentária. Segundo Guimarães, do total de R$ 1 bilhão, no máximo, R$ 670 milhões podem ser concedidos durante todo o ano. Liberação rápida e sem burocracia acima de R$ 1 bilhão, com o tucanato, só para banco falido. Adiado A redução do valor remetido para o exterior a título de lucros e dividendos de US$ 585 milhões, em abril de 98, para US$ 345 milhões, mês passado, não significa necessariamente menor pressão desse item sobre a balança de serviços do país. Com a apreciação de 3,56% do real mês passado, é melhor para as empresas instaladas no país aguardarem uma cotação mais favorável antes de fazerem suas remessas. Perdulário A publicação no Diário Oficial da União de ontem de que Elba Ramalho foi contratada por R$ 800 mil para cantar no aniversário do presidente FH e que o ex-ministro dos Esportes Pelé receberia R$ 500 mil por uma palestra sobre futebol ocorreu apenas dois dias após o ministro Pedro Malan defender a melhora da qualidade do gasto público e a transparência na concessão de subsídios. No mínimo, e com muita boa vontade, a reengenharia administrativa do tucanato é coisa de Quarto Mundo.

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