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Braskem amarga prejuízo de R$ 179 milhões no 4° trimestre

Petroquímica deve antecipar entrega de documentos à SEC

Mercado Financeiro / 14 Março 2019 - 22:33

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Por sofrer efeitos da queda de produção de suas unidades no México e nos Estados Unidos, a Braskem divulgou na noite de quarta-feira prejuízo de R$ 179 milhões no quarto trimestre. A seca na Europa, apagão no Nordeste e greve dos caminhoneiros também pesaram no resultado, segundo a a empresa.

Neste momento, uma outra questão urgente está no radar da petroquímica. O órgão regulador do mercado norte-americano (SEC) deu o prazo de até 16 de maio para a petroquímica não ser alvo de processo de deslistagem das ações da bolsa de Nova York (Nyse). Inicialmente, a Braskem teria até esta sexta-feira para entregar à SEC o chamado formulário 20-F de 2017, mas na semana passada a empresa conseguiu novo adiamento para a apresentar os documentos.

O formulário 20-F é um relatório com informações detalhadas e que deve ser enviado anualmente por todas as empresas com papéis negociados em bolsas de valores dos EUA. Nesta quinta-feira, o vice-presidente financeiro da companhia, Pedro van Langendonck de Freitas, disse durante teleconferência com jornalistas, que o objetivo da companhia é de se antecipar e entregar antes o formulário.

Segundo Freitas, a demora na entrega do 20-F decorre de análises “complexas” sobre a efetividade de medidas de controles internos da companhia sob as regras norte-americanas. “As análises mostraram algumas fragilidades em alguns processos de 2016 e isso se mostrou mais complexo”, explicou o executivo.

“Mas (o atraso) não tem nenhuma relação com os números da Braskem. Os números de agora são os resultados da companhia. Não temos nenhuma indicação de que sejam diferentes. A questão é mais de controles e processos internos”, disse o executivo.

Caso a petroquímica não cumpra com o prazo, os ADRs da companhia vão ser alvo de processo de deslistagem da Nyse, no entanto seguirão sendo negociados em mercado de balcão. “Os papéis voltarão a ser listados em mercado de bolsa alguns dias depois que a empresa entregar os documentos, acrescentou”, explicou Freitas

Conforme citou o portal G1, o presidente-executivo da Braskem, Fernando Musa, afirmou que espera para 2019 um resultado semelhante ao obtido pela companhia em 2018, apesar de um cenário de “compressão de spreads de petroquímicos ocorrendo praticamente ao redor do mundo”. Ele se referiu à diferença entre o custo de matérias-primas, como nafta e gás, e o preço cobrado pelos produtos finais, como plásticos.

“Muitos projetos (novas capacidade produtivas) entraram em operação em 2018 ou estão entrando em operação em 2019, além disso, temos a desaceleração da economia chinesa”, disse Musa. Porém, diferente de ciclos anteriores, a compressão dos spreads será menos profunda para a Braskem neste ano diante das perspectivas de crescimento da economia no Brasil e expansão na demanda por polipropileno nos Estados Unidos, “onde temos a melhor situação de margem”, disse Musa.

Já em relação as negociações envolvendo a fusão da Braskem com a LyondellBasell, Musa comentou que o processo de análise dos números da companhia pelo grupo europeu já foi concluído e que cabe agora a “Odebrecht e Lyondell decidirem como prosseguir”. A Braskem é controlada pela Odebrecht, que possui 50,1% do capital votante.

 

Lucro menor

 

Em 2018, o lucro líquido da Braskem foi de R$ 2,867 bilhões, 30% inferior a 2017, representando R$ 3,60 por ação ordinária e ação preferencial classe "A". A alavancagem corporativa, medida pela relação dívida líquida/EBITDA em dólares, ao final de 2018 foi de 2,06x.

A administração da companhia propôs uma Assembleia Geral Ordinária para 16 de abril, quando fará a distribuição de dividendos no montante de R$ 2,67 bilhões relativo ao exercício de 2018, representando 100% do lucro líquido distribuível aos acionistas. Segundo a empresa, as vendas de resinas no Brasil totalizaram 3,4 milhões de toneladas, 2% inferior a 2017; a dos principais químicos foram 1% superior a 2017.

 

 

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