Brasil perde espaço no mercado argentino

Negócios Internacionais / 12 Junho 2017

CNI cria Conselho Empresarial Brasil-Argentina para reverter perda de espaço nas importações do país vizinho. Atualmente, os bens nacionais concorrem com México, China, Coréia do Sul e Tailândia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) instalou na última quinta-feira, o Conselho Empresarial Brasil-Argentina (Cembrar), com 58 empresas e associações setoriais, num esforço de melhorar o ambiente de negócios entre as duas maiores economias do Mercosul. O Cembrar será presidido pelo CEO da InterCement, Ricardo Fonseca de Mendonça Lima, e a CNI vai exercer a secretaria-executiva.

Este foro vai formular recomendações aos governos brasileiro e argentino, buscando resultados concretos para a melhoria do ambiente de negócios em ambos os países”, explica do diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

O Conselho será instalado num momento em que as exportações brasileiras ensaiam uma recuperação. Nos cinco primeiros meses de 2017, as vendas para a Argentina aumentaram 26,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas este crescimento positivo esconde que os principais produtos de exportação do Brasil para o mercado vizinho perderam market-share nos últimos dez anos. Em 2006, o Brasil detinha 34,8% das importações da Argentina. Em 2016, esse percentual caiu para 24,5%.

 

CNI cria Conselho Empresarial Brasil-Argentina para reverter perda de espaço nas importações do país vizinho. Atualmente, os bens nacionais concorrem com México, China, Coréia do Sul e Tailândia

 

Segundo estudo da CNI, em 2005, o Brasil era o principal fornecedor de 26 produtos industrializados. Em 2015, o país tinha perdido a liderança em sete produtos. Em outros 12, o país continuou sendo o principal exportador, mas perdeu participação

Em 2005, por exemplo, mais de 60% dos telefones celulares que a Argentina importou foram do Brasil. No mesmo ano, os brasileiros forneceram mais de 85% dos eletrodomésticos e 48% dos equipamentos de informática. Dez anos depois, a China passou a vender 59% de todos os telefones celulares que a Argentina importa. E o Brasil não aparece nem entre os três principais exportadores. Em eletrodomésticos, o Brasil perdeu 53 pontos de participação. Em equipamento de informática, a China abocanhou 90% do mercado.

Além disso, os principais concorrentes brasileiros também mudaram. Se antes, os brasileiros concorriam com mercadorias da Alemanha, Estados Unidos e França, atualmente, a concorrência é com México, China, Coreia do Sul e Tailândia. “As relações entre Brasil e Argentina encontram-se muito aquém do que seria esperado para países com fronteira física e sócios em uma união aduaneira”, diz o presidente do Cembrar, o empresário Ricardo Lima.

 

Exportações de carne bovina abaixo de 2016

Embora boa parte dos países integrantes dos 20 maiores importadores da carne bovina brasileira estejam elevando suas compras a níveis próximos da normalidade dos últimos anos, e a China continue avançando, no total geral as exportações do produto in natura e processada continuam com movimentação inferior às de 2016, ano em que também não cresceram. Boa parcela deste resultado ainda é reflexo da operação “Carne Fraca”, que mexeu com profundidade na imagem do produto brasileiro no exterior, demonstrando que a recuperação deverá ser mais lenta do que o setor esperava..

 

Fabricantes de móveis participam de feira em Buenos Aires

Pela quarta edição consecutiva, o Projeto Orchestra Brasil de incentivo às exportações, promovido pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), apoia a participação de empresas brasileiras na Feira Internacional da Madeira e da Tecnologia (Fitecma), na Argentina. Ao todo, 22 empresas brasileiras fornecedoras da indústria moveleira vão apresentar seus lançamentos na feira, que ocorre de 13 a 17 de junho, no Centro Costa Salguero, em Buenos Aires.

A participação na Fitecma é considerada estratégica para as empresas do projeto. A Argentina é a terceira maior economia da América Latina e tradicional destino das exportações industriais brasileiras

 

Apex-Brasil e Sebrae assinam acordo de cooperação técnica

As micro e pequenas empresas brasileiras ganhaem um impulso para conquistar mercados internacionais. Foi assinado um acordo de cooperação técnica entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Sebrae. O acordo, com duração de dois anos, dá continuidade e aprofunda uma parceria que começou em 2015.

Agora, as duas instituições têm um plano de trabalho para os próximos 12 meses, que inclui ações de integração no atendimento às micro e pequenas empresas brasileiras com o objetivo de prepará-las para exportar e dar acesso a mercados internacionais. Serão três os pilares de trabalho conjunto entre a Apex-Brasil e o Sebrae: sensibilização e capacitação de empresas, promoção comercial e contribuição com formulações de políticas públicas.

 

Exportação de veículos bate recorde em maio

Com 73,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus exportados, maio foi o melhor mês da história para exportações de veículos brasileiros, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) na última terça-feira. O volume supera em 51,1% a exportação de maio do ano passado e em 21,7% o resultado de abril.

O acumulado do ano também foi recorde: as montadoras enviaram para outros mercados 307,6 mil unidades, volume 61,8% superior ao dos primeiros cinco meses de 2016.

Em valores, os embarques de maio somaram US$ 1,470 bilhão – incluem aí as vendas externas de máquinas agrícolas, autopeças e serviços. O resultado supera em 56,9% as receitas com exportações de maio do ano passado e em 19,9% o faturamento de abril.