Brasil perde espaço no comércio de serviços

Conjuntura / 11 Novembro 2017

Após Lava Jato, país cresceu menos que o resto do mundo

De 2006 a 2016, as exportações de serviços comerciais do Brasil passaram de US$ 17 bilhões para US$ 32,6 bilhões (alta de 91%), enquanto as importações se elevaram de US$ 26 bilhões para US$ 61,5 bilhões (aumento de 136%). De 2007 a 2012, a variação anual das exportações e importações de serviços brasileiros superou a expansão mundial, permitindo que o país progressivamente ganhasse participação.
A partir de 2013 – e principalmente em 2015 e 2016 – o Brasil foi ficando para trás, perdendo peso no comércio internacional de serviços. O período coincide com o enfraquecimento da Petrobras e das grandes empreiteiras nacionais após a Operação Lava Jato.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) fez um levantamento da exportação mundial de serviços a partir do último relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 2016, o valor das exportações de serviços mundial ficou praticamente estável, registrando variação de apenas 0,1% frente ao ano anterior.
O crescimento médio verificado entre 2005 e 2010 foi de 8% ao ano. Ainda assim, o ano de 2016 conseguiu ser melhor do que 2015, quando houve queda de 5,5%. Segundo a OMC, os serviços responderam por um quarto do total do comércio mundial no ano passado, chegando a US$ 4,73 trilhões.
O Brasil apareceu na 32ª colocação em 2016 como exportador de serviços e na 21ª enquanto importador. As participações brasileiras nos fluxos comerciais mundiais foram de apenas 0,68% do total dos serviços exportados e de 1,31% do total importado.
Em importação de serviços de “propriedade intelectual” e em “telecomunicações, informação e computação”, o Brasil apareceu na décima colocação, sendo que especificamente em serviços de computação, ocupou a quinta posição.
“Em síntese, o lugar do Brasil no comércio de serviços mundial caracteriza-se principalmente como absorvedor de serviços de alto preço, intensivos em conhecimento e/ou tecnologia”, conclui o Iedi.