Brasil frente a novo apagão

Reservatórios estão baixos, resultado de uma política que privilegia térmicas caras.

Conjuntura / 22:34 - 19 de jul de 2019

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O Brasil pode estar às portas de um novo apagão. É o que se depreende de estudo feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgado esta semana. Os reservatórios das usinas hidrelétricas estão mostrando tantas dificuldades para se recuperar quanto nos piores anos já registrados até então, de 1948 a 1955.

“Tudo indica que o sistema interligado nacional (SIN) estaria em um novo período crítico face ao longo horizonte de meses (79) a partir do qual saiu do armazenamento máximo e não houve mais reenchimento pleno”, apontou o ONS no Plano da Operação Energética 2019-2023 (PEN). Os reservatórios não conseguiram recuperar seus níveis desde meados de 2012.

O ONS levanta a questão do efeito das mudanças climáticas globais. Mas há fatores que fogem do clima. O estudo relata o abandono da construção de novas hidrelétricas com reservatórios desde praticamente metade da década de 90, por questões ambientais, o que fez com que a geração térmica seja agora mais necessária.

“Desde 2006, mais do que triplicamos a oferta de energia térmica”, relata o engenheiro Roberto Pereira D’Araujo, diretor do Ilumina. Em artigo, ele mostra que, desde 2013, a reserva total do sistema hidrelétrico despencou. “Esse ‘pulmão’ que antes poupava até seis meses de consumo, agora oscila entre um e dois meses. Ora, com a reserva mais baixa, há mais riscos de se ter que usar geração térmica.”

“Mas vejam que curioso”, prossegue D’Araujo. “O inverso também ocorre. Com tantas fontes térmicas caras, a decisão mais ‘econômica’ pode ser de continuar a usar a água reservada. Isso quer dizer que a expansão adotada nos últimos 20 anos criou uma ‘oferta’, que, por ter preços bem mais altos do que a base hidrelétrica, não ajuda a recuperar os níveis mais confortáveis.”

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