Brasil e Argentina assinam novo Acordo Automotivo

Páis vizinho é o maior destino das exportações brasileiras de produtos automotivos.

Negócios Internacionais / 17:15 - 9 de set de 2019

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O Brasil e a Argentina assinaram um acordo automotivo no âmbito do Mercosul, com vistas à liberação completa desse setor até 2029, quando entrará em vigor o acordo com o bloco e a União Europeia. O documento foi assinado pelo ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, e o ministro da Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (6), no prédio histórico do Ministério da Fazenda, no centro do Rio, onde Guedes costuma despachar quando está na cidade.

Após décadas em torno de uma direção que era movida por substituição de importações, economias fechadas e a ideia de autossuficiência econômica, nós finalmente decidimos, como país, abrir a economia. Encontramos no governo argentino a mesma disposição. Nossa decisão estratégica é de uma abertura gradual, porém segura”, disse Guedes.

O ministro disse que vai abrir a economia do Brasil. “Com acordos bilaterais, cada vez mais abrangentes, de forma que tenhamos tempo de fazer nossas reformas. Simplificação de impostos, desoneração de folhas de pagamento, de forma a aumentar a competitividade da indústria brasileira”, disse. A intenção, segundo Guedes, é abrir e integrar a economia brasileira às cadeias globais, ao mesmo tempo em que se aumenta a competitividade.

O ministro argentino disse que foi um dia muito importante para ambos os países, pois o documento dá estabilidade ao setor automobilístico, principal pauta industrial entre Brasil e Argentina. Ele disse que o setor carecia de um acordo mais amplo, sem precisar ser ratificado periodicamente. “O setor automotivo é cerca de 50% do comércio com o Brasil. É um setor que vínhamos, nos últimos 20 anos, a cada dois ou três anos, renovando acordos e não dando previsibilidade. Avançamos em acordos com a União Europeia, avançamos com o México. Vamos incorporar o setor automotivo ao Mercosul, para que não tenha nenhum problema de competitividade para nenhuma de nossas indústrias”, disse Dante Sica.

O ministro argentino disse que tanto Argentina quanto Brasil estão em um processo de integração inteligente de ter maior conexão com o resto do mundo. “[O acordo] vai dar maior competitividade e criação de empregos”, disse. O novo acordo automotivo entre os dois países foi firmado no âmbito do Acordo de Complementação Econômica Nº 14 (ACE 14). O protocolo prorrogará, por tempo indeterminado, a vigência do acordo automotivo bilateral, previsto, anteriormente, para durar até 30 de junho de 2020. O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, e o ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, concedem entrevista coletiva.

Um dos itens acordados é a paulatina mudança no flex, um fator que regulava o quanto o Brasil poderia exportar sem tarifas para a Argentina, fazendo uma relação entre o exportado e o importado, explicou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia do Brasil, Lucas Ferraz. “A ideia é que, gradualmente, nos próximos dez anos, haja uma flexibilização do regime flex. Atualmente, temos um flex de 1,5. Ou seja, para cada 1,5 dólar exportado pelo Brasil, nós devemos importar 1 dólar. De 2015 a 2020, esse flex já sobe imediatamente de 1,5 para 1,7. De forma gradual, ao longo dos 10 anos seguintes, contados a partir de julho de 2019, vamos evoluindo de 1,7 para 1,8, até 2023, 1,9 em 2025, 2,0 em 2027, 2,5 em 2028. Em 2029, passa a ser 3,0. A partir de 1º de julho de 2029, Brasil e Argentina entram em um livre comércio automotivo, sem quaisquer condicionalidades”, disse Ferraz.

Exportações

O Ministério da Economia explicou que a Argentina é o maior destino das exportações brasileiras de produtos automotivos. Em 2018, a corrente de comércio de produtos do setor totalizou US$ 13,4 bilhões (redução de 9,8% com relação a 2017), o que correspondeu a 51,6% do comércio total entre os dois países. Com exportações no valor de US$ 8 bilhões e importações no valor de US$ 5,3 bilhões, o comércio de produtos automotivos resultou em superávit de US$ 2,7 bilhões para o Brasil.

Guedes e Sica explicaram que o novo acordo proíbe concessão de futuros subsídios pelos estados brasileiros e províncias argentinas a fábricas e montadoras, sob pena de perderem as facilidades previstas. Com isso, a competitividade deixará ocorrer por meio da isenção de impostos, evitando guerras tributárias entre estados, e se dará por meio de quem oferecer melhor logística de transporte, oferta de energia e qualidade de mão de obra.

 

Mapa Estratégico de Mercados e Oportunidades

O Mapa Estratégico de Mercados e Oportunidades Comerciais para as Exportações Brasileiras se destina a apoiar as empresas brasileiras no mapeamento de mercados prioritários e na diversificação de destinos e de produtos exportados. Criada em 2015, essa ferramenta habilita o usuário a consultar as exportações e oportunidades por país-alvo, em que são apresentados os setores e respectivas estratégias de atuação em cada um desses mercados. A grande inovação de 2019 é a pesquisa por produto, que permite a consulta pelo SH6 (seis primeiros dígitos da NCM) de cada empresa, seja pelo código ou por palavra chave.

Para a elaboração do mapa, foi utilizada metodologia 100% desenvolvida pela Gerência de Inteligência de Mercado da Apex-Brasil. São analisados 76 países considerados estratégicos para a atuação comercial brasileira que foram destino de aproximadamente 95% das exportações brasileiras para o mundo em 2017.

Para acessar: apexbrasil.com.br/inteligenciaMercado/Indicadores

 

Fluxo cambial em agosto tem saldo negativo

O Brasil fechou o mês de agosto com fluxo cambial (volume de divisas em dólares que entram ou saem do país) com saldo negativo de US$ 4,317 bilhões, informou o Banco Central. Em julho o saldo foi positivo em US$ 2,912 bilhões. A saída liquida registrada pelo canal financeiro, que envolve investimentos estrangeiros diretos, remessas de lucros e pagamentos de juros, entre outras operações, foi de US$ 8,545 bilhões, resultado de entradas no valor de US$ 39,754 bilhões e de retiradas totais de US$ 48,299 bilhões. Já o comércio exterior registrou saldo positivo de US$ 4,229 bilhões em agostos. O resultado se deve ao fato de que as exportações somaram US$ 19,204 bilhões, contra US$ 14,975 bilhões de importações.

No ano de 2019, o fluxo cambial, até o mês de agosto, está negativo em US$ 6,526 bilhões. O canal financeiro também registrou saldo negativo no período. A saída líquida de dólares foi US$ 20,277 bilhões, resultante de entradas no valor de US$ 367,600 bilhões e de saídas no total de US$ 387,877 bilhões. Já o saldo do comércio exterior, no período, está positivo em US$ 13,752 bilhões, resultado da diferença entre as importações, que somaram US$ 113,059 bilhões, e as exportações de US$ 126,811 bilhões. Na semana passada, o fluxo ficou negativo em US$ 921 milhões, informou o Banco Central. No canal financeiro houve saída líquida de US$ 2,115 bilhões. No comércio exterior, o saldo ficou positivo em US$ 1,194 bilhão no período.

Calculado com base nos saldos do fluxo financeiro, como investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações, e do fluxo comercial, que envolve operações de câmbio relacionadas a exportações e importações, o fluxo cambial é divulgado semanalmente e mensalmente pelo BC e indica o volume de divisas externas que entram ou saem do Brasil.

 

Mais 25 frigoríficos autorizados a exportar à China

O Brasil vai vender mais carnes para a China, com a habilitação de mais 25 frigoríficos. Nesta segunda-feira (9), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu um comunicado da GACC, órgão de sanidade chinês, informando a habilitação dessas plantas para a exportação de carnes para o país asiático. Dos 25 frigoríficos habilitados, 17 são produtores de carne bovina, seis de frango, um de porco e um de asinino. As empresas já podem exportar imediatamente. Com a decisão do órgão de sanidade chinês, o número de plantas habilitadas passa de 64 para 89.

As negociações para que o GACC ampliasse o número de frigoríficos brasileiros autorizados a exportar para a China foram conduzidas pelo Mapa em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Brasil em Pequim. Em maio, a ministra Tereza Cristina e comitiva viajaram para China e outros países asiáticos com o objetivo ampliarem a venda dos produtos agropecuários brasileiros.

 

Indústria de máquinas registrou crescimento de 2,4%

Mesmo que caindo 5,2% ante julho do ano passado, a indústria brasileira de máquinas registrou crescimento frente o mês anterior, da ordem de 2,4%, faturando com isso cerca de US$ 1,66 bilhão de receitas combinadas. A informação é da Abimaq. Segundo a instituição, o baixo crescimento de julho está influenciado principalmente pelo mercado interno. Não obstante o anterior, o acumulado entre janeiro e julho mostrou uma expansão para o setor de 5,8% no ano.

A balança comercial do setor em julho teve saldo negativo, mas as exportações ainda assim cresceram 24,1% com relação a julho de 2018. A mesma taxa de crescimento foi registrada para as exportações em relação ao mês anterior. Já as importações cresceram 11,1% em relação a junho e 19,9% em relação a julho de 2018. Devido à já permanente crise da América Latina, as vendas do setor de máquinas do Brasil para esta região, que antes eram mais da metade do total vendido pelas empresas, hoje não passam de 31,9%.

O cenário reflete, principalmente nos últimos dois anos, a crise do mercado argentino, que levou às compras de máquinas a cair de 15% das vendas nacionais no exterior em 2017 para 6% este ano”, diz a Abimaq. Maria Cristina Zanella, Gerente de Competitividade, Economia e Estatística da Associação, espera que este ano o setor cresça entre 3% e 4%. “Começamos o ano com uma melhor expectativa, de crescimento de cerca de 5%, mas os números mostram que fecharemos o ano em 3% ou 4%.”

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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