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Brasil dividido vai às urnas

Política / 06 Outubro 2018

A eleição de 2018 seria o momento de superar as cicatrizes abertas nos últimos anos. Só que não. O clima de ódio plantado só poderia trazer mais separação. Enquanto isso, o Brasil desliza ladeira abaixo. Não se trata somente de uma crise econômica. Trata-se do esgarçamento do tecido social, que se reflete na desilusão, no descomprometimento e na violência.
Há seis anos, o país estava na crista da onda. Em 2014, sediaria a Copa do Mundo; em 2016, as Olimpíadas. O mundo reverenciava o Brasil. Ainda em 2012, Portugal estava no fundo do poço. O primeiro-ministro de então anunciava que os jovens portugueses teriam muitas oportunidades de trabalho… nas antigas colônias. Seis anos depois, a quantidade de brasileiros que se muda ou planeja ir para a ex-metrópole explodiu.
Entre 2012 e hoje, o Brasil sofreu com ataques externos, sabotagens internas e expôs algumas de suas contradições. O saldo é um país com grave problema econômico e uma divisão que alguns tentam transformar em ódio.
Portugal, por seu lado, deixou para trás uma ortodoxia ultrapassada e se lançou com esperança no futuro, contradizendo fórmulas que só amarravam o país. Uma união, ainda que parcial e com características exóticas (a “geringonça”), permitiu uma recuperação fantástica, tornando Portugal objeto de desejo na Europa.
Tudo isso – ascensão portuguesa e queda brasileira – em apenas seis anos. Portanto, não há como achar que a crise é eterna. Nem que ela será superada com a supremacia de um lado sobre o outro. As mazelas do Brasil, a começar por sua imensa desigualdade, não permitem. É hora de renovar os slogans e reunificar o país.