Brasil de hoje: uma vergonha nacional

Opinião / 20 abril 2017

Sinto-me envergonhado, assim como milhares de brasileiros, diariamente, quando ouço uma emissora de rádio, ligo o aparelho de televisão, leio os jornais, nacionais e internacionais, acompanho o noticiário pelas revistas e identifico a podridão em que se encontra o nosso país.

Escândalos ocorrem todos os dias e fatos novos envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, estelionatos e outros crimes são desvendados na Operação Lava Jato, criada pelo combatente e guerreiro juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba.

Triste é viver em um país

que não dá esperança aos seus filhos

No Rio de Janeiro, outro magistrado, igualmente corajoso e implacável, se destaca nessa luta, trata-se do juiz federal Marcelo Bretas, que mandou para a cadeia o ex-governador Sergio Cabral, dentre outros pertencentes ao mesmo bando. Mas até quando teremos de todos os dias, tomar conhecimento de tantos descalabros na vida nacional?

Os veículos de comunicação de todo o mundo noticiam esses fatos e colocam o Brasil em evidência, não por suas maravilhas, progresso e/ou desenvolvimento, mas pelo caos em que fomos obrigados a conviver, diante de empreiteiros desonestos e de políticos desqualificados, sem valores morais e sem compromisso com as causas brasileiras.

Vivemos, sim, o mais cruel, a mais dramática e o mais terrível período da República – uma República envolvida por gravíssimas crises ética, moral, política, social e econômica, com denúncias sérias e que abatem políticos de todos os partidos. E o Brasil, esse gigante, oitava economia mundial, arranha sua imagem e mancha de forma indisfarçável sua reputação junto a todos os países, inibindo até o fomento de novas parcerias.

Nunca se roubou tanto, no Brasil, como nos últimos 13 anos. O BNDES foi usado com ponte política, a Petrobras, a maior empresa brasileira, foi nocauteada, os programas sociais vilipendiados. Essa é a cara do Brasil dos tempos modernos.

Triste é viver em um país que não dá esperança aos seus filhos, com uma saúde abandonada, com uma previdência falida, com uma educação pública de péssima qualidade, com uma segurança ineficiente e com um desemprego que beira os 13 milhões de desempregados. Essa é a realidade dos dias atuais e dela não podemos fugir e nem colocar vendas em nossos olhos e não enxergar tantas e tamanhas mazelas.

E diante dessa realidade dura, sobrou para todos. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquéritos contra oito ministros de Estado, três governadores, 24 senadores, 37 deputados federais, um ministro do Tribunal de Contas da União e três ex-presidentes da República, além de mandar outros 200 para outros tribunais.

E a relação de bens de vários parlamentares, segundo dados coletados por vários periódicos, evoluiu substancialmente nos últimos 15 anos. Os bens do senador Ivo Cassol tiveram uma variação de patrimônio de 191%; do deputado Robinson Faria, 296%; da senadora Kátia Abreu, 571%; do atual ministro Blairo Maggi, 355%; do senador Eunício Oliveira, atual presidente do Senado Federal, 139%; do senador Eduardo Braga, 326%; do senador Fernando Collor, 178%; do deputado Felipe Maia, 159%; do deputado Fábio Faria, 1.222%; e do ministro Eliseu Padilha, 150%.

E nesse rolo compressor, o PT tem o maior número de políticos sendo investigados e lidera a lista, encabeçada pelos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff e contando ainda, dentre tantos, com a participação dos senadores Lindberh Farias e Humberto Costa e dos ex-ministros Guido Mantega, Paulo Bernardo e Antonio Palocci. Os tucanos foram atingidos, e os senadores José Serra e Aécio Neves, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, e o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, estão entre os nomes delatados.

Essa lista mexe no cenário político do partido na disputa interna pela Presidência da República, no ano que vem. No DEM, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também está sendo investigado, assim como o presidente do PMDB, senador Romero Jucá, e os senadores Edson Lobão e Waldir Ralf. Na realidade, quase todos os partidos apresentam nomes envolvidos.

Diante desse panorama, resta aos brasileiros acreditarem que, com a Operação Lava Jato e as demais operações, o Brasil possa ser repaginado, exibindo os corrutos e corruptores; que a Justiça os puna de forma exemplar e que essa lição possa servir de norte para um Brasil mais justo e próspero, com ordem e progresso.

O Brasil terá de renascer das cinzas para emergir dessa crise profunda que se abateu sobre todos nós. Esperamos que os magistrados, promotores públicos, procuradores de justiça e imprensa continuem atentos a todos esses desdobramentos e que cumpram todos eles com os seus deveres. Ninguém aguenta mais, diariamente, conhecer novas falcatruas e viver nessa lama na qual o Brasil se atolou.

E que, nas próximas eleições, o brasileiro dê o seu recado nas urnas, não elegendo essa corja que se apossou do país, e eleja novos representantes, depois de pesquisas mais eficientes quanto aos nomes daqueles que nos representarão em todos os níveis da República. Chega de corrupção. Chega de trapaças. O Brasil dos Brasileiros precisa sair, e já, desse pântano.

 

Paulo Alonso

Diretor-geral da Facha.