Bombeiros do Rio acusados de receber propina para liberar estabelecimentos

Rio de Janeiro / 13 Setembro 2017

Sob a acusação de fraudes na inspeção de estabelecimentos comerciais pelo Corpo de Bombeiros, agentes da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro cumpriram nesta terça-feira 38 mandados de prisão preventiva. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança, 31 bombeiros recebiam propina para liberar o funcionamento desses locais. Também foram presos três empresários.

Os bombeiros precisam inspecionar e liberar o funcionamento dos estabelecimentos, depois de avaliar os riscos de incêndio e acidentes. Mas, segundo a secretaria, os acusados usavam seus cargos dentro da corporação para negociar propina com os empresários e liberar o funcionamento, mesmo que o local não cumprisse os requisitos de segurança.

Segundo a superintendente operacional da Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria de Segurança Pública CGU, Renata Araújo, já foram identificadas pelo menos 20 empresas que pagaram propina para sua liberação, entre as quais padarias, supermercados e restaurantes, cujos pagamentos no esquema variavam de R$ 750 a R$ 30 mil, dependendo da natureza do estabelecimento. Na operação, identificou-se também a falta de um documento para liberação, no ano passado, do Estádio Giulite Coutinho, do America Football Club, em Edson Passos, na cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense. O estádio seria usado pelo Fluminense., que foi procurado para se posicionar sobre a acusação, mas não se manifestou até o fechamento da matéria.

Entre os empreendimentos liberados para funcionar mesmo sem o cumprimento dos requisitos estão locais de diversões que reúnem grande público, inclusive um estádio de futebol. Além dos mandados de prisão, estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, quartéis do Corpo de Bombeiros e sedes de empresas. O esquema de corrupção funcionava no setor de engenharia de diversos grupamentos militares, principalmente nos quartéis de Nova Iguaçu (4º GBM) e de Duque de Caxias (14º GBM) e no Grupamento de Operações com Produtos Perigosos (GOPP).

Entre os mandados de prisão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, estão os de dois assessores especiais do comandante-geral do CBMERJ, dos comandantes da Baixada Fluminense, de Nova Iguaçu, do Irajá, (ex-comandante de Duque de Caxias), GOPP, de Copacabana, Campinho, Jacarepaguá, do Destacamento de Paracambi e de sete coronéis da reserva.