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Bolsonaro sobre ontem: 'espertalhões usando da boa fé da garotada'

'Parece que até 31 de dezembro a educação estava uma maravilha e de lá para cá virou esse horror. Sou responsável por isso?', disse nos EUA.

Conjuntura / 16:48 - 16 de Mai de 2019

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Nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro comentou sobre manifestações contra seu corte de verba para a educação. Em conversa com jornalistas, na cidade de Dallas, no Texas, Bolsonaro disse que o problema da educação no Brasil é antigo e que seu governo não é culpado pelos maus resultados do país em exames internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

"Parece que até 31 de dezembro a educação estava uma maravilha, e de lá para cá virou esse horror. Veja as notas do Pisa, que começaram em 2000. Somos os últimos classificados num grupo de aproximadamente 65 países. Cobrem a tabuada da garotada da nona série: 70% não sabem a regra de três. Quem diz não sou eu, é o Pisa. Não sabem interpretar um texto, não sabem responder a perguntas básicas de Ciências. Eu que sou o responsável por isso?", disse o presidente.

Para Bolsonaro, as manifestações de ontem foram orquestradas e lideradas por grupos políticos ideológicos que não pensam no futuro do Brasil.

"A questão dessas manifestações foi voltada para Lula livre. Eu fico triste que os espertalhões de sempre ficam usando da boa fé da garotada para protestar uma coisa que interessa a eles e não ao futuro do Brasil", afirmou.

Para o cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mauricio Fronzaglia, a resposta de Bolsonaro ontem - "idiotas úteis", "massa de manobra de uma minoria da esquerda" e "não sabem a fórmula da água" - aos movimentos pelo país mostra que o governo "permanece em campanha".

"Algo básico, que faz parte da estrutura dos problemas, é que o governo Bolsonaro parece permanecer em campanha. Quando se faz campanha política, necessariamente se parte para o confronto - a menos que se faça alianças. Você tem adversários e a lógica é vencê-los. E a partir do momento que a campanha se torna governo, no entanto, é preciso partir para a governabilidade", diz.

"Desse ponto em diante, é preciso fazer política; no sentido de política pública, de ação governamental. A ação de fazer política é a de criar consensos provisórios. É necessário conseguir negociar e ter acordos. Quando o presidente e o ministro Weintraub partem para o confronto e agridem os adversários, fecham as portas ao diálogo. É uma renúncia ao ato de governar".

Ao todo, foram bloqueados 5% do orçamento anual do MEC, o que corresponde a R$ 7,4 bilhões de um total de R$ 149 bilhões. Houve ainda congelamentos específicos para as universidades federais, em que o contingenciamento atingirá 3,5% do orçamento de cada instituição, ou 30% do total das chamadas verbas discricionárias, ou seja, "não obrigatórias".

 

Com informações da Agência do Rádio Mais

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