Bolsonaro, não confie na era eletrônica

Erro de operador na terça-feira derrubou cotações de ações na bolsa norte-americana.

Acredite se Puder / 17:46 - 14 de ago de 2019

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Apesar de raros, os problemas registrados na era da informática quando surgem são assustadores. Isso é bom para que os que acreditam que a publicação de balanços só nos sites da CVM e da Bovespa são suficientes, com a alegação de que o jornal papel está com os dias contados. Esses idiotas da objetividade (copiando Nelson Rodrigues) devem fazer um esforço de memória e lembrar que, quando surgiu a televisão no mundo, todos disseram que os dias do rádio estavam contados. Nesse período, a maioria dos idiotas morreu, e o rádio prossegue firme e forte na sua função de informar e distrair.

Em agosto de 2013, um erro informático congelou milhares de ações cotadas no Nasdaq durante três horas. Em julho de 2015, a New York Stock Exchange suspendeu o pregão durante três horas e meia devido a um problema semelhante. Em agosto de 2019, no final da sessão da última terça-feira, depois de a Apple negociar acima dos US$ 208, registando subida superior a 4%, no término, as ações afundaram para os US$ 200,48 do encerramento da sessão de segunda-feira. Minutos depois o preço de fechamento foi corrigido para US$ 208,97. Mas até isso acontecer, a confusão foi grande e, de acordo com o Nasdaq, foram afetadas 80 empresas, das quais 13 listadas na bolsa eletrônica. E também a Alphabet, dona do Google, a IBM e o Bank of America.

Esse problema também afetou o dia seguinte, pois devido aos erros, a New York Stock Exchange atrasou o cálculo do fechamento do S&P 500 e do Dow Jones. E horas depois surgiu outro problema nos índices que foi não permitir a atualização dos dois índices durante cerca de 15 minutos na abertura da quarta-feira.

 

Machismo na Bolsa

Das 63 empresas que compõem o índice Ibovespa, 30,15% delas não possuem mulheres em seu conselho de administração. Por outro lado, 69,85% das empresas contam com pelo menos uma representante feminina. Acontece que as empresas listadas na B3 possuem 579 lugares nos seus conselhos, mas apenas 63 assentos são ocupados por mulheres, o que representa 10,88% do total. Esses dados são do levantamento feito pelo InfoMoney.

No final de 2016, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa preparou uma pesquisa sobre o perfil dos conselheiros no Brasil. A amostra foi composta por 339 companhias de diversas áreas. E o resultado foi desapontador: apenas 7,9% das vagas de conselhos de administração eram de mulheres no Brasil. O grande problema é que o conselho de administração tem um peso gigantesco na condução estratégica e na definição de fatores importantes da empresa. Diversos estudos mostram que decisões do conselho são muito mais eficientes quando se tem grupos diversos compondo esse time, o que inclui a diversidade de gênero, segundo Regina Madalozzo, professora associada do Insper, PhD em economia pela Universidade de Illinois, e sua área de pesquisa é em economia do trabalho com foco no mercado de trabalho de mulheres.

 

Mulheres mandam nos EUA

Desde 2000, por causa da forte pressão dos investidores institucionais, como a BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, e a State Street, uma holding de bancos, as 504 empresas cujas ações compõem o S&P 500 passaram a ter uma mulher no conselho de administração. A partir deste ano, houve a adesão das 14% relutantes e nenhuma delas deixou de ter representante feminina. Segundo a consultoria Spencer Stuart, no início deste século, 86% das empresas que formavam o índice tinham pelo menos uma mulher no conselho. Agora, 11% das componentes do S&P 500 têm uma mulher; 36% têm duas mulheres; 33% têm três representantes femininas; 14% têm quatro; e 6% possuem cinco ou mais.

Essa quantidade, no entanto, parece insignificante. No ano passado, segundo a Bloomberg, a BlackRock enviou cartas para empresas com menos de duas representantes femininas, pedindo que justificassem como isso se alinha com as estratégias de longo prazo e o que as companhias fariam para aumentar a diversidade em seus conselhos. A Califórnia definiu um tipo de sistema de cotas com mulheres para empresas com sede no estado no ano passado. Nova Jersey tem um projeto de lei parecido em tramitação.

 

Comparação mostra atraso brasileiro

Em 19 anos, o S&P 500 viu todas suas empresas elegerem uma representante feminina. Nesse período, nada aconteceu no Brasil. A culpa é de quem?

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