Bolsonaro exonera Roberto Alvim

Segundo Federação Israelita de SP, 'quem recita Goebbels e o nazismo não pode servir a governo nenhum no Brasil'.

Política / 13:35 - 17 de jan de 2020

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O secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, vai ser exonerado, após a polêmica referências ao nazismo em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo o jornal O Globo, "a informação é de que, hoje de manhã, em análise dos fatos com assessores diretos, o presidente Jair Bolsonaro teria se decidido a afastar o secretário."

No vídeo, Alvim cita textualmente trechos de um discurso do ideólogo nazista Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler.

"A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", diz Alvim no vídeo.

Já a frase de Goebbels em pronunciamento para diretores de teatro é: "A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", de acordo com o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich.

Em entrevista exclusiva ao Estadão, Alvim admitiu que trecho de seu discurso foi inspirado declaração de Goebbels. Ele afirmou que repudia o nazismo, mas que "as ideias contidas na frase são absolutamente perfeitas". O secretário disse que "assina embaixo" da frase. "A filiação de Joseph Goebbels com a arte clássica e com o nacionalismo em arte é semelhante a minha e não se pode depreender daí uma concordância minha com toda a parte espúria do ideal nazista", disse.

Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) "repudia veementemente o pronunciamento feito pelo secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, que citou textualmente trecho de uma fala de Joseph Goebbels, ministro de propaganda da Alemanha nazista. Lamentamos que o nazismo, fato histórico recente e abominável, seja utilizado como exemplo de crescimento e prosperidade em um país que tem como característica sua diversidade étnica e religiosa. A Federação, bem como toda a comunidade judaica, está chocada e estarrecida com o fato. Reafirmamos nosso compromisso de combater qualquer apologia ao violento regime nazista."

Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), "o secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo", escreveu em seu perfil no Twitter.

Por meio de nota, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse que recebeu a notícia do discurso do secretário, o qual classificou como "acintoso, descabido e infeliz pronunciamento de assombrosa inspiração nazista". 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, também se manifestou sobre o assunto. "Há de se repudiar com toda a veemência a inaceitável agressão que representa a postagem feita pelo secretário de Cultura. É uma ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade e judaica."

 

Com informações d’O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, do Catraca Livre e da Agência Brasil

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