Bolsonaro e Petrobras se submetem a Trump

Estatal reafirma que não abasteceu navios iranianos.

Conjuntura / 21:54 - 19 de jul de 2019

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A Petrobras negou nesta sexta-feira, em comunicado ao mercado, que não abasteceu dois navios iranianos parados perto do porto de Paranaguá, no Paraná. As embarcações e a empresas proprietárias estão sob sanções dos Estados Unidos. “Caso a Petrobras venha a abastecer esses navios, ficará sujeita ao risco de ser incluída na mesma lista (de empresas sob sanções norte-americanas), o que poderia ocasionar graves prejuízos à companhia”, destaca o texto da estatal. Os navios estão parados desde o início de junho no Brasil.

As embarcações constam da lista de Specially Designated Nationals and Blocked Persons List (Lista de Cidadãos Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (SDN) do Office of Foreign Assets Control (OFAC), que é o escritório de controle de ativos estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.

Os navios - chamados Bavand e Termeh -, vieram ao Brasil carregados de ureia e deveriam retornar ao Irã com milho brasileiro. Segundo a Reuters, os cargueiros pertencem à Sapid Shiping. Na nota, a Petrobras disse ainda que “existem outras fornecedoras de combustível no país” e que “mantém seu compromisso em atender a demanda de seus clientes, desde que observadas as normas aplicáveis e suas políticas de conformidade”.

Este ano, os EUA ampliaram as sanções contra o Irã e o setor de petróleo é o maior alvo. Em resposta, o Irã adota ações militares e faz ameaças nucleares contra os norte-americanos – o país anunciou recentemente que vai aumentar seu estoque de urânio enriquecido, superando o limite estabelecido num acordo internacional em 2015.

Sobre o assunto, o presidente brasileiro expressou total apoio aos EUA. “Existe esse problema, os EUA, de forma unilateral, pelo o que me consta, tem embargos levantados contra o Irã. As empresas brasileiras formam avisadas por nós desse problema e estão correndo risco neste sentido”, disse o presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira.

“E o mundo está aí. Eu particularmente estou me aproximando cada vez mais do Trump, fui recebido duas vezes por ele. Ele é a primeira economia do mundo, segundo mercado econômico e hoje, abri aos jornalistas estrangeiros, que o Brasil está de braços abertos para fazermos acordos para o bem dos nossos povos”, afirmou.

 

Milho brasileiro

 

O Bavand está carregado com 48 mil toneladas de milho e está fundeado em frente ao porto de Paranguá. O Termeh ainda está vazio e está a cerca de 20 quilômetros do porto. Juntos, eles podem transportar 100 mil toneladas, que podem valer até R$ 100 milhões. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a exportadora que afreta (aluga) os navios que estão parados afirma que a sanção não se aplica a comida e produtos agrícolas.

A companhia chegou a conseguir uma liminar na Justiça ordenando o abastecimento dos cargueiros, mas a decisão foi derrubada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A decisão foi preliminar e será levada ao colegiado. O nome da exportadora não foi divulgado porque esse processo corre em sigilo, informou o G1.

“O combustível será usado para possibilitar a exportação de milho. Ainda que a norma do Tesouro Americano fosse aplicada à Petrobras, o transporte de alimentos é uma das exceções previstas no que a lei americana chama de 'Humanitarian Exception', ou exceção humanitária, que é uma licença geral para o transporte de commodities agrícolas, comida, medicamentos e equipamentos médicos”, diz o texto.

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