Bolsa de Hong Kong quer comprar a de Londres por 33 bi de euros

Fusão pode criar um líder no mercado global

Mercado Financeiro / 22:56 - 11 de set de 2019

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Os mercados abriram nesta quarta-feira com uma notícia que sacudiu os agentes financeiros e foi replicada pela imprensa mundial: a bolsa de valores de Londres (LSE - London Stock Exchange) pode ser comprada pela bolsa de Hong Kong (HKEx-Hong Kong Exchanges) por 29,6 bilhões de libras (cerca de 33 bilhões de euros).

Se o negócio realmente se concretizar, os acionistas da bolsa de Londres irão receber, por cada título que detêm da gestora da praça da capital britânica 20,45 libras em dinheiro e 2.495 ações na nova bolsa de Hong Kong que surgirá após a união, destacou o Wall Street Journal. “Uma fusão entre as duas bolsas seria uma oportunidade financeira altamente atraente para criar um líder no mercado global”, disse a bolsa de Hong Kong.

Aproximar a bolsa de Hong Kong e a de Londres vai redefinir os mercados de capitais globais nas próximas décadas”, afirmou o CEO da bolsa de Hong Kong, Charles Li, num comunicado emitido nesta quarta-feira e citado pela Bloomberg. “Ambas as empresas têm grandes marcas, solidez financeira e histórico comprovado de crescimento. Juntos, vamos ligar o Oriente e o Ocidente, e vamos ser capazes de oferecer aos nossos clientes inovação, gestão de riscos e oportunidade de negócios.”

A LSE disse que em comunicado que irá “considerar a proposta”, mas ressaltou que segue empenhada em comprar a Refinitiv, fornecedora global de dados e infraestrutura de mercados financeiros. O negócio terá de ter a aprovação dos acionistas de ambas as partes, e irá significar o fim das negociações com a Refinitiv.

A transação ocorre num momento que Pequim tenta abrir os seus mercados de capitais ao resto do mundo, enquanto se vê a braços com uma guerra comercial com os EUA”, noticiou em seu portal o jornal português Público.

 

Fusão

 

A reportagem do Público destacou que nos últimos anos, as duas bolsas já estiveram envolvidas em negócios de fusão. A bolsa de Londres tentou fazer negócio com a alemã Deutsche Böerse e a bolsa de Hong Kong comprou a bolsa de Metais de Londres (um mercado de contratos futuros ligados à área dos metais não ferrosos), em 2012, por 1,4 bilhão de libras (cerca 1,5 bilhão de euros).

A secretária de Estado do Comércio, Energia e Estratégia Industrial britânica, Andrea Leadsom, disse, aos microfones da Bloomberg Television, que o governo britânico iria escrutinar qualquer negócio nos mercados. As autoridades britânicas irão “olhar de forma cuidadosa para qualquer coisa que tenha implicações de segurança no Reino Unido”, resumiu.

Estas são duas das maiores bolsas do mundo”, lembrou Ronald Wan, CEO da Partners Capital Internacional de Hong Kong, uma empresa de intermediação financeira​. “Uma compra de Hong Kong, uma região administrativa especial da China, pode ser encarada como uma investida da China. Não será fácil ultrapassar os entraves regulatórios – este é um negócio que, politicamente, é muito sensível”.

Estrutura

A bolsa de Hong Kong é a segunda maior bolsa de valores da Ásia em termos de capitalização de mercado, atrás da bolsa de Tóquio, e a sexta maior no mundo, atrás da Euronext. Desde 30 de novembro de 2013, a bolsa de Hong Kong teve 1.615 empresas listadas, 776 das quais do território principal da China, 737 de Hong Kong e 102 do estrangeiro (ex. Cambodja, Itália, Cazaquistão, etc.) a empresa que detém a bolsa é a Hong Kong Exchanges and Clearing.

A bolsa de Londres é a principal da Inglaterra e do Reino Unido. Fundada em 1801, é uma das maiores do mundo, com companhias britânicas e transnacionais sendo negociadas

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