Bofa admite que barril de petróleo pode cair para US$ 30

Sanções ao Irã e guerra comercial com a China afetam preço do produto.

Acredite se Puder / 19:10 - 5 de ago de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Se a China ignorar as sanções impostas pelos Estados Unidos em relação ao Irã, os preços do petróleo deverão sofrer queda até US$ 30 o barril, segundo previsão dos economistas do Bank of America Merrill Lynch. E essas compras terão dois efeitos benéficos para os chineses: a) minar a economia dos Estados Unidos e b) amortecer os efeitos negativos na sua economia diante das novas tarifas. A instituição norte-americana, no entanto, mantêm a estimativa para a cotação do produto nos US$ 60 no próximo ano.

Esses relatórios provocaram confusão entre os analistas, sendo que a maioria acha que a China teria de confiar num parceiro sobre o qual não tem muito controle, outros tem a opinião de que a Arábia Saudita e o Iraque poderiam controlar o excesso de oferta descontando nas suas exportações os volumes extras adquiridos ao Irã. Dois meses e meio depois da Casa Branca ter proibido a compra de petróleo iraniano, o país continua a enviar matéria-prima para a China, onde é colocado no chamado “armazenamento alfandegário” em vários portos chineses. Esses carregamentos ainda não passaram pela alfândega nem aparecem nos dados de importação do país e, por enquanto, não violam as sanções. Embora estejam fora de circulação, a presença destes carregamentos pode afetar o mercado.

O Irã continua a produzir e pode armazenar o petróleo mais perto dos potenciais compradores, mas tem sentido o efeito das sanções impostas pelos Estados Unidos. As exportações desceram em junho para 550 mil barris diários, quando as exportações no mês anterior haviam sido de 875 mil e de 2,5 milhões no mesmo mês do ano passado.

 

Chineses derrubam ações da Vale e da Petrobras

Por causa da retaliação chinesa, o minério de ferro registrou forte queda de 6% no mercado futuro de Dalian, enquanto teve baixa de 8,6% no mercado à vista de Qingdao. Isso provocou a redução de cerca de 4% na cotação da Vale, da 4,93% na da holding Bradespar e de 5,93% para os títulos da CSN. Paralelamente, o petróleo também registra forte baixa de 3,5% (tipo brent) com a guerra comercial elevando as preocupações com o crescimento global e derrubou as ações da Petrobras, com ações ordinárias chegando a cair mais de 4%.

 

Apple perde US$ 66,5 bi em valor de mercado

No pregão desta segunda-feira, as ações da Apple perderam mais 4,96% e foram cotados a US$ 194.66. Desde o encerramento dos negócios na quinta-feira, a empresa já perdeu cerca de US$ 66,5 bilhões em valor de mercado. Na última sexta-feira o Goldman Sachs, parceiro da Apple no lançamento do Apple Card, divulgou o contrato do serviço para os clientes. De acordo com as cláusulas, o usuário não poderá comprar criptomoedas com o cartão, e o dispositivo que será usado para gerir a conta (iPhone e iPads, apenas) não deve possuir um jailbreak, sob pena de ter a conta fechada.

Em outras palavras, muitos usuários Apple não poderão contratar esse novo cartão, o que pode ter decepcionado alguns clientes. Analistas acreditam que se Trump realmente impuser as tarifas novas e a Apple elevar os preços dos cerca de 70 milhões de iPhones vendidos nos EUA a cada ano, o mais provável é que as vendas caiam. E laptops e outros artigos eletrônicos também serão afetados, pois são fabricados na China.

 

Petróleo tropeça com menos procura à vista

A perspetiva de menor procura no futuro está provocando a redução nas cotações do barril de petróleo. A desvalorização do iuan também torna menos atrativa a importação do produto por parte da China. Por causa disso, o WTI, negociado em Nova Iorque, desvalorizou 0,75% para os US$ 55,24, enquanto o Brent, em Londres, perdeu 3,5% terminando oferecido a US$ 59,94.

 

Ouro retorna aos máximos de seis anos

O ouro voltou a subir 1,52% e retornou para US$ 1.462,79 a onça-troy, atingindo os máximos de mais de seis anos. Este ano já acumula 15% por causa de incertezas geopolíticas, preocupações com desaceleração econômica e a perspectiva de uma política monetária mais acomodatícia.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor