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Bitcoin para lavar dinheiro do pãozinho

Rio de Janeiro / 14 Março 2018

Fraude desviou R$ 44,7 milhões do sistema penitenciário

O esquema investigado pela Operação Pão Nosso aponta para a lavagem de dinheiro na Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) de valores em torno de R$ 44,7 milhões, entre 2010 e 2015. Há indícios de superfaturamento em contratos de fornecimento de lanches e cafés da manhã para os presídios. Foram expedidos mandados de busca e apreensão para 28 locais e de prisão temporária ou preventiva contra 16 pessoas.
Entre os presos estão o coronel César Rubens Monteiro, ex-secretário estadual de Administração Penitenciária do Rio, e o delegado Marcelo Martins, diretor do Departamento de Polícia Especiali-zada da Polícia Civil fluminense.
O superintendente da Receita Federal no Rio de Janeiro, Luiz Henrique Casemiro, destacou que, pela primeira vez, foi identificado o uso de operações envolvendo a criptomoeda bitcoin na tentativa de fazer remessas de valores ao exterior.
“Isso é uma novidade, mostra que as pessoas estão tentando sofisticar de alguma forma, talvez voar abaixo do radar da Receita Federal e do Banco Central. Eram remessas feitas para o exterior com compra de bitcoin lá fora. A ideia, eu tenho a impressão, é tentar receber dinheiro no exterior usando esse instrumento, que não é regulado na maior parte dos países”, disse à Agência Brasil. Segundo Casemiro, foram feitas quatro operações no ano passado, com valor total de R$ 300 mil.
A operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira. Segundo o promotor Eduardo el Hage, do Ministério Público Federal (MPF), todo o esquema é mais um braço da organização criminosa co-mandada pelo ex-governador Sérgio Cabral, que será denunciado novamente por mais esses crimes.
O MP do Rio de Janeiro (MPRJ) disse que o esquema na Seap começou em 2001, com a empresa Induspan, do empresário Felipe Paiva. Os valores cobrados pelo pão subiam a cada renovação de contrato. Em 2001, o preço unitário era de 6 centavos; em 2014, foi para 63 centavos. Além disso, o fornecimento passou de 55,6 mil lanches e cafés da manhã por dia para 83,6 mil, sem correlação com o aumento da população carcerária.