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Bem-vindos (mas não são todos...)

Faltam jovens e trablhadores especializados nas maiores economias do mundo.

Empresa-Cidadã / 12 Fevereiro 2019 - 19:00

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Alemanha, Herzlich Willkommen.

Segundo o Instituto de Pesquisa de Mercado de Trabalho alemão, há naquele país 1,1 milhão de postos de trabalho vagos pela inexistência de pessoal qualificado. Entre os profissionais mais procurados estão os engenheiros, os técnicos em informática, os médicos, os enfermeiros e os cuidadores de idosos. Esta situação levou o deputado Karamba Diaby a apresentar um projeto de lei de imigração controlada, em estudo.

Entre 2015 e 2016, a Alemanha recebeu mais de 1 milhão de refugiados, mas a coalizão de partidos políticos no poder (conservadores CDU e CSU; e SPD, social-democrata) decidiu que, em 2019, a legislação deverá privilegiar o acesso ao mercado de trabalho local de estrangeiros profissionalmente qualificados. Serão contemplados com uma licença de permanência de até seis meses, prorrogável para os que obtiverem colocação em setores como os de gastronomia e informática e matemáticas, além de razoável domínio do idioma. No final de 2018, havia mais de 338 mil vagas de trabalho nestes setores.

O Instituto Econômico Alemão, de Colônia, acrescentou que o crescimento econômico recente só foi conseguido por causa da imigração oriunda de Estados-membros da UE, mas que este fluxo esvaziou-se.

 

Japão, He Yôkoso.

No Japão, com a aceleração do envelhecimento da população, do crescimento do turismo e de outras atividades econômicas, além da demanda decorrente dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, o primeiro-ministro Shinzo Abe propôs o ingresso de centenas de milhares de trabalhadores estrangeiros para ocupar vagas ociosas nos postos de trabalho, desde que com salários baratinhos.

A intenção, no entanto, não tem curso tranquilo naquele país, com o debate entre os que, de um lado, condenam as portas abertas à servidão, e os que, do outro lado, temem portas abertas à permanência de imigrantes em um país tradicionalmente isolacionista e belicoso (que o digam a China e as Coreias, entre outros). No início de dezembro de 2018, o Parlamento do Japão autorizou, não sem resistência, o ingresso de 300 mil trabalhadores, em cinco anos, a contar de abril de 2019.

É oportuno lembrar-se de que a banda de maior sucesso hoje junto ao público pré-adolescente e adolescente, a Kpop-BTS (sigla que corresponde a Bangtan Sonyeondan, ou literalmente, escoteiros à prova de balas), foi a causa de um incidente internacional. Jimin, um dos rapazes, deixou-se fotografar com uma camiseta em que havia a reprodução de uma foto na forma de um cogumelo decorrente de uma detonação nuclear e a inscrição “Patriotsm our history. Liberation Korea”, considerada por japoneses como um insulto às vítimas do bombardeio nuclear dos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki, no final da II Grande Guerra. Em sua “defesa”, a banda explicou que a derrota do Japão também pôs fim a quatro décadas de domínio colonial japonês sobre a Coreia.

Vivem, hoje, no Japão, cerca de 1,3 milhão de trabalhadores imigrantes, quase 1% da população. Número relativamente pequeno, se comparado ao de outros países com economia de porte equivalente. A maior parte é nativa da China, seguida de Vietnã, Filipinas e Brasil.

Para compensar a diminuição da população (menos 1 milhão de habitantes, entre 2010 e 2015, e menos 227 mil, em 2018) e o envelhecimento (27% da população com mais de 65 anos, em 2018, com possibilidade de chegar a 40%, em 2050), a imigração estimulada passa a se integrar aos instrumentos de política econômica. Hoje, há uma oferta de trabalho a descoberto, de cerca de 60%, puxada pela construção civil, agricultura, construção naval, comércio varejista, hotelaria, turismo, enfermagem, cuidadores de idosos e serviços domésticos. Para ter sucesso, o plano de importação de trabalho terá que superar algumas das tradições nesta área, como baixos salários e precárias condições de trabalho.

O plano inclui visto de permanência por cinco anos, renovável para os trabalhadores qualificados e permissão para imigração de suas famílias. Enquanto isso, o desafio das Olimpíadas de Tóquio está se aproximando velozmente. E nós, brasileiros, sabemos, por experiência própria, do custo de postergar as decisões...

 

Perfil do jovem brasileiro.

Desde 2012, pesquisa coordenada pelo Professor Ilton Teitelbaum do Núcleo de Tendências e Pesquisa do Espaço Experiência da Faculdade de Comunicação Social (Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUC/RS), denominada “Análise do perfil do jovem brasileiro”, oferece conclusões interessantes.

A pesquisa tem o objetivo de investigar mudanças de hábitos e costumes da chamada Geração Y. Para tanto, ouviu 1.350 jovens compreendidos na faixa entre 18 e 24 anos de idade (74,6%) e entre 25 e 34 anos (25,4%), sendo 54,3% do sexo feminino e 45,7% do sexo masculino e de diferentes regiões (Sudeste: 22,9%), Sul (33,3%), Norte/Nordeste (17,4%) e Centro-Oeste (26,4%). Algumas conclusões:

Os membros da Geração Y aspiram por conforto, mas não por acúmulo de riqueza.

Em relação ao consumo, a pesquisa identificou que, para os membros da Geração Y, no momento da compra, a principal característica (95,2%) é a utilidade do produto, mas fatores emocionais, como a credibilidade (85,8%), também são levados em conta.

O local de preferência para compras são as lojas virtuais para 63,7% deles. Outros lugares frequentados pelos jovens com o propósito de compras, são os supermercados (60,8%) e os shopping centers (51,5%). Estes últimos, no entanto, estão perdendo espaço no Sul e Centro-Oeste do país. De acordo com a pesquisa, a praticidade dos supermercados e shopping centers se assemelha às redes sociais, onde existe a possibilidade de encontrar várias informações e utilidades em um só lugar.

Afirmam usar a internet todos os dias 95,8% dos jovens.

Neste ambiente, 92% ficam sabendo de lançamento de produtos, 78,1% buscam notícias, e 74,4% fazem compras. No segmento de 25 a 34 anos, 55,7% acessam as redes sociais em celulares, aparelhos MP3 e similares todos os dias, e 26,8% não utilizam jogos.

Na faixa dos 18 aos 24 anos de idade, 71,7% acessam as redes sociais, e 26,7% utilizam jogos algumas vezes por semana.

Viajar e conhecer o mundo são aspirações de 66,6% dos jovens, a felicidade no trabalho, de 47,9%, e a constituição de família é a principal aspiração de 38,5%.

Mais detalhes podem ser encontrados em http://portal.eusoufamecos.net/tag/projeto-1834/

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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